Mas o que é que isso tem de mal Beatriz? Todas as ilhas dos Açores são lindas e a Terceira não deve ser excepção.
Mas mãe, como é que ela consegue viver? Só a ilha de S. Miguel é que tem a Berska!
que vou deixando por aqui, pela minha vizinhança, no meu blogobairro
Sabe que noutro dia tirei fotografias a estas roseiras?
Claro que sei. Também gosto que me alegrem o meu.
Ela ainda lá está, quando volto com a Beatriz* da escola.
Oh mãe, olha aquela velhinha a arrancar as ‘tuas’ rosas.
Há dias, em que respiramos de alívio.
Nos outros.
Nos filhos.
* a Beatriz é a que entra à direita, isto é, entra deste lado da filmagem
Aqui está o prometido de 5ª feira. A Festa do Cavalo de Porto Salvo e o Pas de Deux da Beatriz.
Apanhei um enorme susto, a RTP1 foi filmar a Beatriz e o António para o telejornal da manhã, mas chovia a potes.
Resultado, os cavalos estavam extremamente stressados e nervosos e o pior aconteceu, o Mariola, o cavalo da Beatriz, exaltou-se com o transporte e com a chuva e disparou pelo picadeiro à carga, completamente descontrolado! As rédeas estavam todas emaranhadas, um estribo soltou-se da bota, o vento, a chuva e aquele picadeiro sem limites, aberto, sem barreiras para travar o cavalo.
Foram 60 segundos que pareciam duas horas. Ninguém o conseguia parar ou dominar e ela muito menos, porque é muito pequena. Eu que tento ser controlada em situações de susto, comecei a temer o pior. Não era para menos.
Até que os gritos do treinador foram ouvidos por ela: PUXA A RÉDEA ESQUERDA, BEATRIZ! PUXA A RÉDEA ESQUERDA! JÁ! JÁ! JÁ! COM FORÇA! OUVISTE? PUXA A RÉDEA ESQUERDAAAA!
E ela ouviu. E ela puxou. E foi automático. E o Mariola parou.
Um cavalo super manso que provou mais uma vez que os animais são inesperados.
Felizmente que a chuva parou durante a tarde, a prova realizou-se e muito bem, apesar dos nervos dela, meus e do pai e de toda a escola de equitação.
Foi a 1ª vez que a Beatriz e o António se mostraram em público e foram óptimos.
Ao verem este vídeo do Pas de Deux, pode parecer-vos muito fácil, simples e sem mais complicações.
Enganados. Completamente.
Foram horas e horas de muito treino e de muita dedicação. É muito difícil duas crianças conseguirem, manter os cavalos lado a lado e sincronizados.
Os cavalos fazem o que querem se o cavaleiro não estiver à altura deles. E estes cavaleiros eram duas crianças de 11 e 12 anos.
Apesar de ainda, por duas vezes, o Mariola ter tentado fugir das mãos da Beatriz, os cavalos obedeceram-lhes e tudo foi excelente. Ficou feliz da vida por ter tantos amigos a apoiá-la.
'Bora hoje ao Oceanário?
'Bora mãe.
E vais andar pela primeira vez de comboio, metropolitano e de autocarro.
A sério?
Claro que era a sério. E fomos... e entramos no comboio.
Oh mãe?
Diz.
Porque é que os sofás são verdes, porque é que o teu bilhete foi mais caro que o meu, onde 'tá o senhor que guia isto, as carruagens não se despegam nas curvas, como é que o senhor sabe que queremos sair...
E então, lá entrou um pedinte, apenas mais um dos que povoam os nossos dias e que nós já nem notamos. Era um rapaz novo, sem uma perna, que usava muletas e que fazia todos os dias o mesmo discurso aos mesmos passageiros.
Olha Beatriz, vêm aí um senhor pedir dinheiro, é pobrezinho, (como aquele que às vezes vai pedir comida lá à porta), não tem uma perna e está muito sujo, a mãe vai dar uma moeda, mas tu não fiques a olhar muito para ele, que ele pode ficar triste.
E assim foi, olhou pará janela e ao mesmo tempo baixava a cara e tentava observar o rapaz. Nada de dar nas vistas.
Chegámos à baixa, almoçámos no Chiado e fomos para o metropolitano.
Mal entramos...
Oh mãe?
Diz.
Porque é que este comboio anda mais depressa que o outro, porque é que 'tá escuro, este senhor também sabe onde vamos sair, e a cidade não nos vai cair em cima, e se houver um terramoto, e o marquês já sabia que ia haver metros e quando arranjou as obras fez logo estes buracos...
E lá entrou um ceguinho a pedir, com a sua bengala branca, a caixa das esmolas ao pescoço e a cantar alto.
Eu não disse nada.
E ela, também nada fez. Olhou muito rápido, viu e calou.
Mudámos de metro na Alameda, para a Gare do Oriente.
Entramos no novo metro e...
Oh mãe?
Diz.
Qual é o doentinho que vai aparecer agora?