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terça-feira, 19 de maio de 2009

ser adolecentA aos 13 é ...

Oh mãe coitadinha da Ana, mora nos Açores e ainda para mais na ilha Terceira.
Mas o que é que isso tem de mal Beatriz? Todas as ilhas dos Açores são lindas e a Terceira não deve ser excepção.
Mas mãe, como é que ela consegue viver? Só a ilha de S. Miguel é que tem a Berska!

quarta-feira, 25 de março de 2009

dois amores

foto terillo

Já lá vão oito anos de dança e a convivência com o ritmo, que lhe vibra os movimentos em todos os instantes onde exista melodia.
Sendo cada vez mais evidente esta afeição pela dança, seguimos por uma escola séria: cinco anos intensos, logo para começar, programa de acordo com a RAD, método, rigor, trabalho sério. E quanto mais sério mais ela gosta, definindo-se logo um amor para a vida.
Mas a menina revelou ambivalência nas paixões e mal as delicadas sapatilhas de pele lhe deslizam e se soltam do pé, este vai até ao fundo de um cano alto de cabedal, rude e másculo, onde brilha uma espora prateada que o remata no final.
O pompom perfeito, enrolado pacientemente numa rede fina, quase tecida por dotadas aranhas, é desfeito sem dó e da cabeça,
assustados com o repentino do gesto, soltam-se mil ganchos, antes sabiamente dissimulados entre as melenas.
De imediato, o cabelo comprido é negligentemente apanhado com o primeiro elástico que surgir à mão, num insípido rabo-de-cavalo e toda a cabeça se protege e esconde sob um salvador e clássico toque de veludo.
As linhas elegantes do jovem corpo, que no espaço de dois ou três anos serão chamadas de curvilíneas, não se perdem entre a passagem do maillot para as estreitas calças de montar, vulgo breeches.
Agora, o som dos cascos da égua Nur, substitui com nobreza rural, a anterior melodia cortesã das leves teclas do piano afagadas por Miss Caroline e a imensurável força do corpo, que era obrigatoriamente ocultada, no rigor de movimentos falsamente leves e subtis como plumas, é neste momento brutalmente evidente na pujança de uma cedência à perna, que se quer executada na perfeição que um Lusitano merece, sob o comando de uma voz austera inspiradora na confiança e no saber.
Já não se ouve Mozart, Chopin ou jazz, mas sim a dor do fado e o orgulhoso flamenco.
E assim se passam anos, onde comungam em harmonia splits, hops, amalgamations, kicks e tendus por entre trabalhos em encurvação, mudanças de mão, trotes médios, encostos à rédea de fora, cabeças ao muro, passos largos e galopes contra o vento.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

a primavera na minha vida

foto minha

Há já uns dias, desde que o sol voltou, que ela fica ali parada a arrancar as rosas que saltam do muro da casa, desejosas de espreitar para a rua. Encosta a bengala ao muro e puxa-as, uma a uma. Com algum esforço. Uma branca, uma amarela e a encarnada. Junta-as todas na palma da mão, cheira e começa a sorrir. E eu também. Depois guarda-as.

Sabe que noutro dia tirei fotografias a estas roseiras? Oh menina, são tão lindas não são? Gosto que me chamem de menina. Pois são. Também gosto de ver as flores a espevitar na Primavera. Eu tenho passado por aqui e levo alguns botões. Sabe, é para me alegrar o dia.

Claro que sei. Também gosto que me alegrem o meu.

Ela ainda lá está, quando volto com a Beatriz* da escola.

Oh mãe, olha aquela velhinha a arrancar as ‘tuas’ rosas. Que querida mãe, está a rir-se para elas! E fala-lhes! Olha, agora guardou-as no saco! Os velhinhos são tão queridos mãe, não são? Ah, claro que são! Tu ‘tás sempre a dizer que adoras velhinhos. Velhos, Beatriz. Eu digo velhos. Já sabes. Não é velho de gasto, mas de vida cheia. Sei mãe, sei. Dizes-me sempre isso. Eu também gosto deles. Riem-se para mim. Mas gosto mais de dizer velhinhos e aquela é mesmo gira.

Há dias, em que respiramos de alívio. Quando num breve instante percebemos, que é nos ínfimos pormenores que a Vida não é em vão. E que alguma coisa de nós irá cá ficar.

Nos outros.

Nos filhos.


* trouxe prémio; 2º lugar.

domingo, 25 de maio de 2008

[16] há coisas fantásticas, não há? *




* a Beatriz é a que entra à direita, isto é, entra deste lado da filmagem


Aqui está o prometido de 5ª feira. A Festa do Cavalo de Porto Salvo e o Pas de Deux da Beatriz.

Apanhei um enorme susto, a RTP1 foi filmar a Beatriz e o António para o telejornal da manhã, mas chovia a potes.

Resultado, os cavalos estavam extremamente stressados e nervosos e o pior aconteceu, o Mariola, o cavalo da Beatriz, exaltou-se com o transporte e com a chuva e disparou pelo picadeiro à carga, completamente descontrolado! As rédeas estavam todas emaranhadas, um estribo soltou-se da bota, o vento, a chuva e aquele picadeiro sem limites, aberto, sem barreiras para travar o cavalo.

Foram 60 segundos que pareciam duas horas. Ninguém o conseguia parar ou dominar e ela muito menos, porque é muito pequena. Eu que tento ser controlada em situações de susto, comecei a temer o pior. Não era para menos.


Até que os gritos do treinador foram ouvidos por ela: PUXA A RÉDEA ESQUERDA, BEATRIZ! PUXA A RÉDEA ESQUERDA! JÁ! JÁ! JÁ! COM FORÇA! OUVISTE? PUXA A RÉDEA ESQUERDAAAA!

E ela ouviu. E ela puxou. E foi automático. E o Mariola parou.

Um cavalo super manso que provou mais uma vez que os animais são inesperados.

Felizmente que a chuva parou durante a tarde, a prova realizou-se e muito bem, apesar dos nervos dela, meus e do pai e de toda a escola de equitação.

Foi a 1ª vez que a Beatriz e o António se mostraram em público e foram óptimos.

Ao verem este vídeo do Pas de Deux, pode parecer-vos muito fácil, simples e sem mais complicações.

Enganados. Completamente.


Foram horas e horas de muito treino e de muita dedicação. É muito difícil duas crianças conseguirem, manter os cavalos lado a lado e sincronizados.

Os cavalos fazem o que querem se o cavaleiro não estiver à altura deles. E estes cavaleiros eram duas crianças de 11 e 12 anos.

Apesar de ainda, por duas vezes, o Mariola ter tentado fugir das mãos da Beatriz, os cavalos obedeceram-lhes e tudo foi excelente. Ficou feliz da vida por ter tantos amigos a apoiá-la.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

pas de deux


Vou passar aqui o feriado, o sábado e o domingo.

A Beatriz vai fazer um 'Pas de Deux', num cavalo branco lindo.

O Mariola.


Depois coloco fotos.

Bom feriado a todos.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

museu berardo [filha-2]


Depois de muito andarmos, fotografarmos, comentarmos e opinarmos, fiquei a olhar para a parede onde estava 'isto' pendurado.
Eu sei que as obras ali são essencialmente contemporâneas e até adivinhava que não ia gostar de muitas.
Não sei se foi do cansaço de já termos visto tanta coisa, ou de já estarmos no final da exposição, ou se foi falta de sensibilidade ou de intuição, o que eu sei é que não achei mesmo piada nenhuma 'aquilo'.
Já viste Beatriz, mete-se uma almofada dentro de um saco qualquer, arranja-se uma moldura, pendura-se na parede e é ARTE.
Volto as costas e sigo caminho para as últimas salas.
E ela ficou.

Oh mãe, isto representa os sem-abrigo, que têm de andar todo o dia com as coisas deles nos sacos, para não lhes roubarem nada e depois à noite poderem ter tudo para dormirem outra vez.
Uma almofada é muito importante pra eles, tem muito valor, é como se fosse uma obra de arte. Não a podem perder.

Fiquei especada a olhar para ela, voltei atrás e tirei esta fotografia.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

primeira aventura nos transportes públicos [filha-1]


'Bora hoje ao Oceanário?

'Bora mãe.

E vais andar pela primeira vez de comboio, metropolitano e de autocarro.

A sério?

Claro que era a sério. E fomos... e entramos no comboio.

Oh mãe?

Diz.

Porque é que os sofás são verdes, porque é que o teu bilhete foi mais caro que o meu, onde 'tá o senhor que guia isto, as carruagens não se despegam nas curvas, como é que o senhor sabe que queremos sair...

E então, lá entrou um pedinte, apenas mais um dos que povoam os nossos dias e que nós já nem notamos. Era um rapaz novo, sem uma perna, que usava muletas e que fazia todos os dias o mesmo discurso aos mesmos passageiros.

Olha Beatriz, vêm aí um senhor pedir dinheiro, é pobrezinho, (como aquele que às vezes vai pedir comida lá à porta), não tem uma perna e está muito sujo, a mãe vai dar uma moeda, mas tu não fiques a olhar muito para ele, que ele pode ficar triste.

E assim foi, olhou pará janela e ao mesmo tempo baixava a cara e tentava observar o rapaz. Nada de dar nas vistas.

Chegámos à baixa, almoçámos no Chiado e fomos para o metropolitano.

Mal entramos...

Oh mãe?

Diz.

Porque é que este comboio anda mais depressa que o outro, porque é que 'tá escuro, este senhor também sabe onde vamos sair, e a cidade não nos vai cair em cima, e se houver um terramoto, e o marquês já sabia que ia haver metros e quando arranjou as obras fez logo estes buracos...

E lá entrou um ceguinho a pedir, com a sua bengala branca, a caixa das esmolas ao pescoço e a cantar alto.

Eu não disse nada.

E ela, também nada fez. Olhou muito rápido, viu e calou.

Mudámos de metro na Alameda, para a Gare do Oriente.

Entramos no novo metro e...

Oh mãe?

Diz.

Qual é o doentinho que vai aparecer agora?