'sorry Bob, but I like mondays'
O Bob Geldof, parece que foi ao Pestana Palace, ofender meio mundo: os governantes de Angola, os senhores do BES, que já demonstraram que nada têm a ver com as suas declarações, mais algumas pessoas anónimas, uns quantos políticos e outros tantos empresários com interesses no país.
Houve até gente que se engasgou, concerteza com as ovas do caviar, a meio das palavras do Bob e teve que sair antes do fim do discurso daquele homem, que dizem alguns, devia estar era bêbado. Ah pois é, a malta comete loucuras na adolescência, fica com uma fama dos diabos e depois já ninguém lhes dá crédito no futuro. Quem é que o mandou cantar em grupos de rock marados?
Eu que até sou contra a liberalização das drogas leves, agora fiquei com algumas dúvidas e então gostava de pedir aos senhores do BES que para a próxima convidassem também o Bono Vox, o Bob Dylan, a Susan Sarandon, o Seen Penn, a Angelina Jolie e até o Zé Pedro do Xutos. É que isto de terem fumado uns ‘charros’ na juventude parece que afinal não faz assim tão mal.
A história é mais ou menos assim, parece que ele acredita piamente que Angola é governada por criminosos. Que disparate! Só podia mesmo estar alcoolizado, ou com uma ‘ganda’ moca. Deve ter sacado umas quantas folhas dos centros de mesa e enrolou-as quando ninguém via, tipo ‘ganza’ de gerbera cor-de-rosa.
Acha ele, que sendo Angola um dos países mais ricos de África, não entende para onde vai essa ‘dinheirama’ toda! Mas tem cá umas suspeitas, ele e eu, que a massa é bem distribuída entre uns 200 indivíduos, seres esses que governam o país. Fiquei mais descansada. Imaginem agora se até fosse o caso de se dar um fenómeno raro de evaporação daquele dinheiro todo, até porque naqueles dias de muito calor africano, nunca se sabe.
E pergunto eu que sou ingénua: mas isso não é um crime?
Em Angola, parece que não, até nem sabem do que ele está a falar. Que foi má fé da sua parte, desconhecimento da realidade e que inclusive vão repor toda a verdade. Esta última parte é que estou desejosa de ver como vai ser feita.
Foi este o comunicado emitido pela embaixada de Angola em Portugal, como é de seu direito num país livre. O link, aqui, para não dizerem que não dou oportunidade aos senhores de se explicarem. Aqui no Ares, todos têm direito de resposta. E como continuo a ser ingénua, pergunto de novo: então se não é crime é o quê? Como não fico satisfeita com as declarações da embaixada de Angola, deduzo cá para mim, que se não é crime deve ser uma espécie de Live Aid, mas ao contrário. E infelizmente sei do que falo, tenho relatos completamente imparciais, na primeira pessoa e muito recentes até.
Estou-me a borrifar para a inconveniência do Sr. Geldof, para a sua hipotética bebedeira, para a sua evidente riqueza e hipocrisia e até para o facto de que, talvez, nem todas as suas afirmações serem verdadeiras. Angola e outros que tais, cheira a podre e a corrupção pestilenta. Como ele bem disse, "não sou candidato a nada e não preciso que gostem de mim".
Nem sequer corro o risco de ter alguma desilusão com o Sr. Geldof, porque não o conheço de parte nenhuma. Até podia ser o Chico da taberna ou o John Hip Hopper da Cova da Moura a proferirem aquelas palavras, que tinham todo o meu apoio. Estou-me completamente nas tintas para os ofendidinhos e politicamente correctos empresários e políticos da nossa praça. Se estão a fazer grandes esforços para que as condições de vida daquele povo martirizado pela fome, pela guerra e pela doença, sejam melhoradas, então mostrem ao mundo o que andam a fazer. Escancarem as portas, permitam a liberdade de imprensa e mostrem as contas.
Até lá, antes ouvir palavras de um suposto ébrio do que comunicados anónimos publicados em jornais angolanos.
Pessoas a quem muito estimo no blogobairro, têm uma ideia diferente da minha e eu respeito inteiramente e outros há, como o Rocket, que postaram sobre este tema de uma forma que gostei imenso. Como diz o Carlos Barbosa, do Rochedo, meu ‘amigo virtual’, discordar é saudável. E nem estava para falar neste assunto, porque me bule com os nervos, mas fui espicaçada pela entrevista ao Bob Geldof que passou na SIC Notícias, assim como pelas palavras idóneas do médico Fernando Nobre, fundador da AMI, que podem ver aqui.
E como só aprecio perninhas de rã fritas e não engulo sapos, aqui está o meu post, carregadinho de ironias e sarcasmos. Aliás, como eu gosto. Não mando bocas, nem gosto, não faz o meu género; prefiro sátiras, conversas de escárnio e maldizer ao jeito dos trovadores provençais, autos mordazes e sermões à Padre António Vieira.
Houve pessoas que disseram, ah mas ele foi infeliz na altura que escolheu para fazer tais afirmações, também é um bocado hipócrita porque também tem milhões e tal e porque a pobreza existe em todo o lado, não é só em Angola. Pois existe, é um facto. Muito certo até. Se calhar até foi infeliz no momento. Mas ‘tá dito, ‘tá dito. Só que calhou Angola na rifa e lá não é bem o haver pobreza em todo o lado é mais do tipo: em todo o lado há pobreza!
E parece que a mulher do Sr. Presidente da República de Angola, senhora que não sei o nome nem me interessa, é uma das únicas 10 mulheres no mundo, repito, é uma das únicas 10 mulheres no mundo que veste alta-costura (fonte: programa Câmara Clara, RTP 2). Passarellezita privada, num qualquer atelier de Paris da Dior, por exemplo. Monsieur Galliano depois de ter atendido as outras nove privilegiadas (uma americana, uma japonesa, uma europeia e seis árabes) dá atenção aos dólares e aos diamantes da primeira-dama de Angola.
Uma bela manhã, durante a 2º Grande Guerra e depois de mais uma terrível noite de massacrantes bombardeamentos, o rei Jorge VI e a sua mulher, a rainha Elisabeth (mais conhecida por rainha-mãe), pais da actual Isabel II, resolveram deslocar-se aos bairros pobres de Londres, que tinham sido quase destruídos pelo Bliz dessa noite. Uma senhora, residente local, vira-se para a rainha e pergunta-lhe mais ou menos assim: Porque é que nos vem visitar, vestida dessa forma tão elegante? E ela responde, com a educação e o humor que eu tanto admiro nos britânicos: Quando tenho a honra de visitar a casa de alguém, tenho sempre a preocupação de vestir a minha melhor roupa, em consideração ao meu anfitrião. A senhora se fosse convidada para vir a minha casa, não fazia o mesmo?
Se calhar a 1ª dama de Angola, também leu a biografia da rainha-mãe.

foto de Carf 1
17 milhões em extrema pobreza em Angola
A Olá e a Lena, propuseram-me o desafio de escolher 6 palavras (o 17 não conta, é um algarismo, lol) que me definissem e que também, poderia enriquecer essas 6 palavras com uma imagem.
Olhem meninas, o desafio não poderia ter vindo em melhor hora. Vou pensar nos outros blogs a nomear.