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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

não metam o bedelho na minha cozinha

foto de carl warner

Não me lixem. Já vos disse que não troco as minhas colheres de pau por aquelas outras de plástico branco e insípido. Mas eu quero lá saber, que o tacho de barro da minha avó tenha chumbo! Estou-me nas tintas que a clara de ovo frito fique esturricada e aviso já que quando estou na cozinha ponho as mãos em tudo. Que se lixem essas luvas maricas de silicone e os destrói-bactérias com nomes estrangeiros impronunciáveis que viraram moda.

‘Tá bem abelha, é que me estão mesmo a ver a borrifar a gaita da alface com aquele spray estranho que agora vendem nos supermercados e que as meninas das hortaliças enfiam para lá no meio dos legumes para ver se nos enganam. Engolir minhocas nunca fez mal a ninguém, deve é servir de laxante. Da primeira vez até lhes disse, oh menina esqueceu-se aqui do limpa-vidros, entre o alho-porro e a beringela.

Raios partam as normalizações de Bruxelas, vê-se mesmo que não sabem o que é um bom prato de janquinzinhos fritos com arroz de tomate. Aliás, de tomates percebem muito pouco.

Vocês devem estar a gozar com a minha cara, quando me espetam com saquinhos chics de coentros e salsa no supermercado, a 1€. Mas eu tenho uma varanda enorme, num último andar cheio de sol para quê? Para me suicidar quando vir a conta do supermercado ou para a enfeitar com vasinhos saloios de coentros, salsa, hortelã, louro e alecrim, como boa portuguesa que sou? E se me chateiam muito a molécula, ainda faço contrabando com a vizinha, que tem um morangueiro, um tomateiro bebé e uma planta de haxixe que lhe ofereceu o namorado que é rastafari.

Só falta mesmo virem agora com ideias e dizer que também tenho de comer o pão e os espargos com faca e garfo. E por falar em talheres, devem estar à espera que eu em casa os utilize nas minhas divinais churrascadas para comer a bela coxa de galinha, as costeletazinhas sumarentas de borrego ou o entrecosto na brasa, com aquela carninha maravilhosa, agarradinha aos ossos. E mais, no final chupo os dedos e não é um nem são dois…são todos!
E olhem que já estive mais longe de organizar uma manif, equipada de fisgas à miúdo rufia e com troços de torresmos gordurentos.
É estufa para isto, é estufa para aquilo, qualquer dia tenho de comer vestida de astronauta para não apanhar nenhuma doença contagiosa, ou então ponho-me aos gritos a correr pela mercearia cá do bairro afora, só porque vendem melancias crescidas ao ar livre e maçãs apanhadas nas árvores.
Estupores dos homens, não tarda nada tenho de andar de bloco de notas em punho, com dois separadores; isto posso, isto não posso - isto posso, isto não posso.

Bem, é assim … se me inventam alguma anormalidade para os doces conventuais, eu juro que vos ponho a meter ovos pelos buracos do nariz e a chocá-los entre as pernas e as dobras dos joelhos.
Mas é que nem se atrevam a acabar com o arroz de galo pica no chão! E depois eu ia ao Minho e comia o quê? Cuscuz de galarucho benzoca que se passeia em fofa alcatifa de pura lã australiana?
Oh gentinha pindérica e mal nutrida, saiam da minha terra e vão lá para a vossa cozinha imaculada e muito zen, fazer uma grande rave party, com batidos de oxigénio e sandes de rúcula, enquanto eu tiro os restos de comida seca que ficou presa nas fendas das minhas ricas e toscas colheres de pau. Algumas até já estão pretas da velhice e do uso.

Ai que horror. Ai credo. Ai que nojo. Ai coitada.

Ai que parvalhões!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

oh mulher, cala-te


E quando lemos ou ouvimos frases cretinas, vindas de supostos profissionais competentes? A última que li, foi proferida por uma psicóloga, que ao que parece era especialista em comportamento infantil e tinha até umas quantas regras de um cessar-fogo entre crianças e pais.

A dita senhora assina uma rubrica, chamada “Educar bem” e informou-me, com todas as letras e do alto da sua sabedoria e agora peço que se sentem para não desfalecerem, que se eu ou vocês, nos voltarmos para as nossas inocentes criancinhas e dissermos “não me respondas dessa maneira”, estaremos a inibir a comunicação e a ensinar uma lição errada aos nossos filhos!

Pronto, eu espero um bocadinho para que possam revirar os olhos, sair do blog, desmaiarem, tomarem cafeína e atirarem um grito. Mas só vos peço que não perturbem os vossos meninos com impropérios destes, por favor.

Ah pois é, sua cambada de pais inúteis, agressivos, profanadores de memórias futuras, seus castradores de infâncias felizes, seus educadores reprimidos, não fiquem chocados com a senhora, ela tem toda a razão. Vocês são todos uns ditadores de domicílio e adoram falar para as crianças daquela maneira violenta, “ não me respondas dessa maneira”! Isso é coisa que se diga a um filho?

Coitadinhas das crianças. Agora já não podem fazer nada, é? Não nos podem falar como lhes dá na gana, já não podem exigir toda atenção do mundo, a toda a hora, estão impedidos de pedir o carmo e a trindade, têm de dar satisfações de toda a espécie, são obrigados a ter horários, já não podem comer o que lhes apetece, nem mandar na nossa vida?

Que insensibilidade da vossa parte meus senhores, que papel tão vil o vosso que torturam desta forma ignóbil os vossos filhos.

A tratá-los desta forma “não me respondas desta maneira”.

Tzz, tzz, tzz. Feio. Muito feio.

Fora de brincadeiras, será possível nos dias que correm, em que cada vez temos mais exemplos, de miúdos que fazem o que querem dos pais, que mandam neles, que falam sem maneiras e sem respeito, que alguém no seu perfeito juízo venha dizer, que uma simples chamada de atenção em relação à forma como um filho responde a um pai, é inibidor da comunicação?

Os pais têm filhos, mas não têm tempo nem paciência para eles. Tapam os buracos do afecto com presentes, dinheiro e muitas vezes com total indiferença. Noutro dia, um pai na reunião de turma da Beatriz, ficou muito espantado ao saber que o filho tinha trabalhos de casa! Será normal?

Cada vez é maior a distância existente entre pais e filhos, nalguns é quase um fosso intransponível.

Os pais estão cada vez mais ocupados com o trabalho, com outros assuntos e consigo próprios, em desfavor dos filhos e estes vivem praticamente sozinhos e entregues à sua sorte, são donos e senhores do seu tempo, do seu espaço e têm tudo quanto pedem para se calarem e não darem trabalho.

Numa total ausência de pais, criam-se pequenos vilões e se alguém se lembra de os repreender ainda ouve lições de moral de uma idiota de uma psicóloga, com cházinhos e dicas da tanga, que nem sequer para aplicar em recém-nascidos servem.

Educar dá muito, muito trabalho. Doses e doses de perseverança, muita atenção, cuidado e dedicação. Mas há momentos de chatices e aborrecimentos, falta de paciência, zangas, castigos. Levanta-se a voz se for caso disso e diz-se que não. Os filhos por muito bons que sejam, também precisam de puxões de orelhas, reprimendas, limites e castigos. O que não precisam é que os tratemos como débeis mentais e com receio de os enfrentar, porque não vá dar-se o caso de ficarem traumatizados com o tom de voz.

“Não me respondas dessa maneira”, estaremos a inibir a comunicação e a ensinar uma lição errada aos nossos filhos?

Oh mulher, cala-te!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

post bem educadinho


Como muita da minha vizinhança sabe, eu também tenho outro blog pessoal, só que é de fotos. É amadorzeco, a máquina fotográfica é micha, e as fotografias dizem tanto de mim como as minhas letras aqui no Ares. É um foto-blog e como não faz sentido para mim colocar lá um texto em forma de recado, posto-o aqui hoje.

O Do Lado de Cá da Lente é um blog ingénuo, feliz, inocente, simples, quase plebeu. Não tem fotos da minha cara, nem de quase ninguém; são basicamente pormenores, paisagens, apontamentos, passeios, natureza, inusitados, tradições e aí por diante. É simplório mesmo.

Qualquer alminha que o visite por muito torpe que seja, topa logo que apesar de ser um foto-blog, não é um foto-blog de pilas. Nem de maminhas perfeitas, ventres lisos, rabos luzidios, vaginas escancaradas, sexo ao vivo, posições do kamasutra, fetiches vários e corpos transpirados. Pronto, nada disso. É só mesmo um foto-bloguezinho suburbano.

Então, eu queria agradecer as visitas do senhor que tem um foto-blog de pilas e dizer-lhe que não é necessário tentar travar conhecimento com o meu blog de fotos básicas.

O seu blog de pilas, acompanhadas de lindos versos não me diz muito, sabe? Não é uma questão de pudor da minha parte, é mesmo falta de interesse nas suas pilas todas. Nas grandes, nas pequenas, nas de pé, nas deitadas, nas acompanhadas, nas torcidas e nas outras. Depois o zoom que usou e desculpe lá a minha audácia em meter-me na qualidade das fotografias que posta lá no seu blog de pilas, não é lá grande coisa. Houve uma, que até agora estou para perceber que posição era a aquela, outra em que o senhor se excedeu nos pormenores e outra houve, que eu juro e que fique já aqui entrevadinha, se não me assustei de morte.
Eu sei que o senhor do blog das pilas tem um aviso de conteúdos, mas como me visitou e comentou, eu quis retribuir a visita e não me assusto com trancas à porta.

Aquelas fotos com rabos redondinhos que escorrerm caramelo, os abdominais das meninas perfeitinhas-perfeitinhas, as maminhas 38 de estrelas de Hollywood salpicadas de gotículas de água e com mamilos arrebitados, é tudo muito bonito sim senhora mas também não estou interessada, obrigada. Diga-se de passagem que são bem mais bonitas do que aquela pilice toda que o senhor tem no seu blog, mas agradeço na mesma e dispenso.


A razão de ser deste meu recado, não se prende por o senhor que tem um blog de pilas visitar o meu blog de fotos e deixar um comentário, dizendo que o meu blog é muito lindo e que gostou muito de o conhecer. Isso não tem problema nenhum e até é normal que um senhor que tenha um blog de pilas, um senhor que tenha um blog sobre o crédito à habitação, um senhor que tenha um blog de receitas só de peixe-frito e arroz de tomate, um senhor que tenha um blog sobre o penteado da Sarah Palin, venha ao meu blog comentar que gostou muito dele. Até aí tudo bem. Cada um gosta do que gosta e acabou a discussão. Aliás, nem se começa uma por causa disso.

O que já não é normal e eu confesso-lhe que detesto e daí a razão de ser deste meu recado, é que o senhor que tem um blog de pilas, vá a outros blogs, que por acaso eu sou visita assídua e deixe lá o mesmíssimo comentário, letra, por letra, vírgula por vírgula … no fundo senhor que tem um blog de pilas, o senhor fez copy-paste do seu comentário! Blhéck! Seu batoteiro.

Isso irrita-me um bocado, sabe. O que o senhor fez ainda é pior do que aqueles que nos visitam e escrevem do tipo, vá lá filha toma lá um comment: lol; és a maior; que lindinho; contínua assim; visita também o meu; olá vim dizer bom dia, etc, etc, etc.

É estúpido não acha? Ridículo e pobrezinho, até. Ninguém gosta de esmolas e favores.

O seu copy-paste, senhor que tem um blog de pilas, é dez vezes pior.


Não gostei. Pronto, foi isso. Visitei-o e quando vi aquelas pilas todas,rodeadas de versos seus, até pensei: e agora o que é que vou dizer ao senhor? Eu a comentar poesia sou uma nulidade, agora poesia envolta naquele mar de pirilaus que o senhor lá tem, ainda me dificultou mais a tarefa. Que pila iria eu escolher, para deixar umas palavras de agradecimento pela sua visita, senhor do blog de pilas? Um post de pila só, única, individualizada e destacada ou um post assim, com muita, muita pila? Um post com uma pila mais apresentável ou um, com aquelas muito estranhas que o senhor lá tem? Aquele outro, com uma pila reflectida num espelho, que presumo seja o senhor e a sua rica pila, ou o outro post de pilas em actividade explícita?

´Tá a ver, daquilo que o senhor me safou e se poupou a si também. Eu ainda dizia para lá, algum disparate, sem sensualidade nenhuma e o senhor se calhar também não ia apreciar. Quem tem um blog com fotos de pilas, está no mínimo à espera que alguém vá comentar com frases eróticas e libidinosas. Não gostaria que eu dissesse qualquer coisa como: eh pá, ‘ganda pila meu! Ou: shake it out, ‘ma men! Ou ainda: vai-te a elas, oh meu macho do &%$*£#%€!


E diga-se de passagem que o seu blog de pilas não precisa das minhas palavras para nada, pois olhe que eu demorei-me ainda uns dois a três minutos por ali e vi para lá pilas, com mais de 50 comentários!

Depois de eu verificar o seu desastrado copy-paste, fiquei desconfiada de si e não publiquei o seu inocente e simpático comentário, até porque o senhor só se demorou no meu foto-blog uns míseros sete segundos. Como é que o pode ter achado lindo e gostado assim tanto de o conhecer?

Ou o senhor é tão veloz a ver blogs como o é a postar pilas, ou então, não viu coisíssima nenhuma do meu blog e anda à caça de visitas, comentários, possíveis encontros, um bate-papo no msn ou ainda mais pilas.

Portanto, pode ir pilar para outro lado.


Espero que tenha gostado da musiquinha. Escolho sempre esta para os momentos especiais. Voluptuosos, digamos assim.

Conversados?


nota: quem me aparecer no Ares, através das ‘search words’ do google, à procura de ver pilas….é tudo a bazar daqui para fora! Ouviram bem?

terça-feira, 30 de setembro de 2008

perguntas sem resposta [3]

foto sneakpeaks
É só uma perguntinha, básica mesmo. Simples interrogação nascida em mim num repente, após assistir, confesso que boquiaberta, a uma ‘conversa de gajos’, por assim dizer. Daquelas conversas de louras mas ao contrário, do tipo: performances masculinas e aptidões únicas, mulheres e seus formatos e texturas, engates e conquistas e palavrões que não vale a pena referir. Claro que também houve cervejas, bocas giras à empregada, que se pudesse lhes enfiava com os palitos nos olhos e futebol, nos intervalos da lascívia.
Assim e perante esta troca de bestialidades, entre três trogloditas muito machos, mas a quem a mãezinha ainda deve preparar o pequeno-almoço todos os dias, porque os ursos nasceram com uma deficiência congénita, ou seja, falta de alguma massa encefálica, aparece-me a seguinte dúvida: se alguns homens, reparem que eu escrevi alguns, tivessem menstruação, comparavam entre si o tamanho do penso higiénico, para ver quem usava o maior, não era?

quinta-feira, 15 de maio de 2008

a coisa


Então não é que alguém do Senegal, chegou até ao “Ares” através de pesquisa do Google com a singular pergunta:

Qual é a ordem do dia para uma mulher, perante o seu marido?


Vou partir do princípio, se calhar errado e lamento, que só pode ter sido um homem a fazer tal pergunta. Porque raio uma mulher do Senegal faria uma pergunta destas? A maioria nem sabe que há computadores quanto mais que o Google existe. Só se foi uma activista dos direitos da mulher! Ok, vou imaginar que nem sequer foi um homem, mas sim uma ‘coisa’ que vive no Senegal.

E chegou aqui como?


O Gugas profissional como é, apresentou logo à ‘coisa’ uma série de hipóteses tais como: a ópera Fidelio de Beethoven, onde o Fidelio é uma mulher a fazer de homem que se infiltra numa prisão para saber do marido e tal; também informou 'a coisa' que o homem e a mulher se são iguais perante Deus porque é que as mulheres não podem falar na igreja (?); apresentou um filme chamado Sob a Areia; ainda lhe falou de um artigo da inferiorização da mulher perante o homem; também de uns tais esposos de Deus, chamados solteiros de Avé Maria e depois, venho eu, euzinha.


Venho eu, porque em tempo fiz este post, onde coloquei frases de revistas femininas dos anos 50 e 60. E parece que ‘a coisa’ do Senegal gostou do post e desta frase: A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas. Nada de incomodá-lo com serviços domésticos (Jornal das Moças, 1959).

Ouve lá, oh ‘coisa’, isto é assim: o teu presidente, acho que até já se pronunciou sobre o tema das mulheres, dizendo que era necessário o seu envolvimento em actividades políticas e económicas. Para quê, estares armado em besta quadrada? A maioria das mulheres do teu país, ‘coisa’, não tem uma actividade remunerada, dedicam-se ao cultivo do arroz, do algodão, do milho e do amendoim e ainda têm a seu cargo todas as tarefas domésticas, que até nem devem ser nada levezinhas, como as minhas.


De certeza que esses trabalhos caseiros, implicam um esforço dos diabos que envolve bois, vacas, ovelhas, cabras e camelos a babarem-se como tu.

Eu também faço agricultura e planto ervas, mas é salsa e alecrim nos vasos da minha varanda e também me ocupo de tarefas domésticas tais como panelas de sopa e limpeza das sanitas cá de casa, mas ao contrário da maioria das desgraçadas do teu país, também te enfio com o piaçaba pela garganta abaixo, cheio de trampa líquida e amarela, daquela pestilenta, quando a minha filha faz diarreia.


Oh minha grandessíssima ‘coisa’ repugnante! Mas que pergunta da merda é aquela, que tu andas a fazer ao Google? Ordens para dar às mulheres? Para obedecerem aos maridos? Saberás tu, que só os animais é que obedecem? E mesmo assim só quando lhes apetece? Será que o harém de jovens virgens, que tens lá no deserto já não te chega?


Não me digas que és um daqueles adeptos de práticas sanguinárias feitas em mulheres e meninas? Não saberás, só por acaso, que essas porras lhes afecta gravemente a saúde? Não estarás informado que a lei contra a mutilação genital feminina, no teu país, existe desde de 1999? Que o meu país é um dos estados, que condena abertamente tais práticas?Que é um direito de todos os indivíduos, mulher ou homem, de dispor do seu corpo e de controlar a sua sexualidade?


Mas o que queria esta 'coisa' do meu blog? Esperava que eu lhe dissesse o quê?


Como é que te atreves a vir meter essa fronha nojenta no meu blog e conspurcá-lo, esperando que ele te responda a perguntas pré-históricas e nauseabundas?

Pois se metes cá a fronha outra vez, oh 'coisa' da porcaria, meu 'ganda paquiderme acéfalo, fica sabendo que eu tenho clitóris e estou muito satisfeita com ele.



Location
Continent : Africa
Country : Senegal (Facts)
Lat/Long : 14, -14 (Map)
Language
English (U.K.)
en-gb
Referring URL
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Search Engine
google.pt
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qual e ordem do dia para uma mulher perante o seu marido?
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segunda-feira, 12 de maio de 2008

muamba de galinha e ovas de beluga

'sorry Bob, but I like mondays'

O Bob Geldof, parece que foi ao Pestana Palace, ofender meio mundo: os governantes de Angola, os senhores do BES, que já demonstraram que nada têm a ver com as suas declarações, mais algumas pessoas anónimas, uns quantos políticos e outros tantos empresários com interesses no país.

Houve até gente que se engasgou, concerteza com as ovas do caviar, a meio das palavras do Bob e teve que sair antes do fim do discurso daquele homem, que dizem alguns, devia estar era bêbado. Ah pois é, a malta comete loucuras na adolescência, fica com uma fama dos diabos e depois já ninguém lhes dá crédito no futuro. Quem é que o mandou cantar em grupos de rock marados?

Eu que até sou contra a liberalização das drogas leves, agora fiquei com algumas dúvidas e então gostava de pedir aos senhores do BES que para a próxima convidassem também o Bono Vox, o Bob Dylan, a Susan Sarandon, o Seen Penn, a Angelina Jolie e até o Zé Pedro do Xutos. É que isto de terem fumado uns ‘charros’ na juventude parece que afinal não faz assim tão mal.

A história é mais ou menos assim, parece que ele acredita piamente que Angola é governada por criminosos. Que disparate! Só podia mesmo estar alcoolizado, ou com uma ‘ganda’ moca. Deve ter sacado umas quantas folhas dos centros de mesa e enrolou-as quando ninguém via, tipo ‘ganza’ de gerbera cor-de-rosa.

Acha ele, que sendo Angola um dos países mais ricos de África, não entende para onde vai essa ‘dinheirama’ toda! Mas tem cá umas suspeitas, ele e eu, que a massa é bem distribuída entre uns 200 indivíduos, seres esses que governam o país. Fiquei mais descansada. Imaginem agora se até fosse o caso de se dar um fenómeno raro de evaporação daquele dinheiro todo, até porque naqueles dias de muito calor africano, nunca se sabe.

E pergunto eu que sou ingénua: mas isso não é um crime?

Em Angola, parece que não, até nem sabem do que ele está a falar. Que foi má fé da sua parte, desconhecimento da realidade e que inclusive vão repor toda a verdade. Esta última parte é que estou desejosa de ver como vai ser feita.

Foi este o comunicado emitido pela embaixada de Angola em Portugal, como é de seu direito num país livre. O link, aqui, para não dizerem que não dou oportunidade aos senhores de se explicarem. Aqui no Ares, todos têm direito de resposta. E como continuo a ser ingénua, pergunto de novo: então se não é crime é o quê? Como não fico satisfeita com as declarações da embaixada de Angola, deduzo cá para mim, que se não é crime deve ser uma espécie de Live Aid, mas ao contrário. E infelizmente sei do que falo, tenho relatos completamente imparciais, na primeira pessoa e muito recentes até.

Estou-me a borrifar para a inconveniência do Sr. Geldof, para a sua hipotética bebedeira, para a sua evidente riqueza e hipocrisia e até para o facto de que, talvez, nem todas as suas afirmações serem verdadeiras. Angola e outros que tais, cheira a podre e a corrupção pestilenta. Como ele bem disse, "não sou candidato a nada e não preciso que gostem de mim".

Nem sequer corro o risco de ter alguma desilusão com o Sr. Geldof, porque não o conheço de parte nenhuma. Até podia ser o Chico da taberna ou o John Hip Hopper da Cova da Moura a proferirem aquelas palavras, que tinham todo o meu apoio. Estou-me completamente nas tintas para os ofendidinhos e politicamente correctos empresários e políticos da nossa praça. Se estão a fazer grandes esforços para que as condições de vida daquele povo martirizado pela fome, pela guerra e pela doença, sejam melhoradas, então mostrem ao mundo o que andam a fazer. Escancarem as portas, permitam a liberdade de imprensa e mostrem as contas.

Até lá, antes ouvir palavras de um suposto ébrio do que comunicados anónimos publicados em jornais angolanos.

Pessoas a quem muito estimo no blogobairro, têm uma ideia diferente da minha e eu respeito inteiramente e outros há, como o Rocket, que postaram sobre este tema de uma forma que gostei imenso. Como diz o Carlos Barbosa, do Rochedo, meu ‘amigo virtual’, discordar é saudável. E nem estava para falar neste assunto, porque me bule com os nervos, mas fui espicaçada pela entrevista ao Bob Geldof que passou na SIC Notícias, assim como pelas palavras idóneas do médico Fernando Nobre, fundador da AMI, que podem ver aqui.

E como só aprecio perninhas de rã fritas e não engulo sapos, aqui está o meu post, carregadinho de ironias e sarcasmos. Aliás, como eu gosto. Não mando bocas, nem gosto, não faz o meu género; prefiro sátiras, conversas de escárnio e maldizer ao jeito dos trovadores provençais, autos mordazes e sermões à Padre António Vieira.

Houve pessoas que disseram, ah mas ele foi infeliz na altura que escolheu para fazer tais afirmações, também é um bocado hipócrita porque também tem milhões e tal e porque a pobreza existe em todo o lado, não é só em Angola. Pois existe, é um facto. Muito certo até. Se calhar até foi infeliz no momento. Mas ‘tá dito, ‘tá dito. Só que calhou Angola na rifa e lá não é bem o haver pobreza em todo o lado é mais do tipo: em todo o lado há pobreza!

E parece que a mulher do Sr. Presidente da República de Angola, senhora que não sei o nome nem me interessa, é uma das únicas 10 mulheres no mundo, repito, é uma das únicas 10 mulheres no mundo que veste alta-costura (fonte: programa Câmara Clara, RTP 2). Passarellezita privada, num qualquer atelier de Paris da Dior, por exemplo. Monsieur Galliano depois de ter atendido as outras nove privilegiadas (uma americana, uma japonesa, uma europeia e seis árabes) dá atenção aos dólares e aos diamantes da primeira-dama de Angola.

Uma bela manhã, durante a 2º Grande Guerra e depois de mais uma terrível noite de massacrantes bombardeamentos, o rei Jorge VI e a sua mulher, a rainha Elisabeth (mais conhecida por rainha-mãe), pais da actual Isabel II, resolveram deslocar-se aos bairros pobres de Londres, que tinham sido quase destruídos pelo Bliz dessa noite. Uma senhora, residente local, vira-se para a rainha e pergunta-lhe mais ou menos assim: Porque é que nos vem visitar, vestida dessa forma tão elegante? E ela responde, com a educação e o humor que eu tanto admiro nos britânicos: Quando tenho a honra de visitar a casa de alguém, tenho sempre a preocupação de vestir a minha melhor roupa, em consideração ao meu anfitrião. A senhora se fosse convidada para vir a minha casa, não fazia o mesmo?

Se calhar a 1ª dama de Angola, também leu a biografia da rainha-mãe.



foto de Carf 1

17 milhões em extrema pobreza em Angola


A Olá e a Lena, propuseram-me o desafio de escolher 6 palavras (o 17 não conta, é um algarismo, lol) que me definissem e que também, poderia enriquecer essas 6 palavras com uma imagem.

Olhem meninas, o desafio não poderia ter vindo em melhor hora. Vou pensar nos outros blogs a nomear.

terça-feira, 29 de abril de 2008

as vencidas


No desafio da Blue de alguns posts atrás, a pergunta que me ficou a passear na cabeça foi a 9ª, a que me pedia para escolher uma mulher.Eu respondi: 'Todas. As vencedoras, mas principalmente para as vencidas'. E vi logo que a resposta me soube a pouco e que já me estava a ferver na cabeça mais um post.

Ou eu já não me conhecesse tão bem. Escolho as mulheres vencidas em todos os sentidos.


O meu pensamento vai para as intimamente infelizes, as que não conseguiram/não optaram/não puderam/não as deixaram viver de outra forma a não ser a que lhes foi transmitida e não sabem existir de outra maneira. Para as humilhadas e usadas pelos outros; patrões, colegas de trabalho, filhos, maridos, amigos, que por vergonha, por medo, por baixa auto estima deixam-se subjugar uma e várias vezes, durante toda a vida. Para as soberbas, que do alto da sua vaidade e arrogância, são umas solitárias, mal amadas, iludidas consigo mesmas e que vão acabar sozinhas ou, na melhor das hipóteses, junto de outros iguais a elas. Para as deprimidas crónicas, que apesar dos dias de sol continuam só a ver chuva, que só se lamentam e não agem, que só esperam e não procuram, que só sabem ser tristes e nunca vão ser contentes. Infelizes de nascença. Para as que foram enganadas pela ordem natural das coisas e perderam um filho, muito antes de se perderem a si próprias. Para as indigentes, sem casa, sem colo, sem comida, que sobrevivem nas ruas, na droga, no álcool, na fome, na solidão, no frio, no medo. Para as maltratadas pela vida, as abusadas, as vexadas, as violentadas, as desrespeitadas, que quando têm a grande coragem de dizer basta, muitas vezes perdem casa, bens pessoais, liberdade, identidade mas sobrevivem.

E para as que me doem mais. As prostitutas. Não fosse eu tão mulher quanto elas.


Apesar do papel de todas as mulheres anteriores ser terrível, cada um à sua maneira, fica sempre aquela ideia de que à priori não foi uma opção delas viver assim, mas mais uma vicissitude da vida da qual será, aparentemente, mais fácil sair, ou que haverá alguma ajuda de alguém com um braço estendido. E que existirá, mesmo que ténue, uma luz ao fundo do túnel, uma nova oportunidade.

As segundas oportunidades para prostitutas, raramente aparecem. Há muitas coisas implicadas; drogas, proxenetas violentos, preconceitos, perseguições, falta de alternativa de trabalhar noutra coisa. E mesmo que consigam guiar a vida para outro lado, as cicatrizes devem ser das mais difíceis de curar. Proliferam na pele. Sempre que passo na rua por uma prostituta fica-me sempre um amargo de boca, uma tristeza enorme e uma raiva incontrolável sempre que ouço comentários pejorativos e ofensivos. São insultos que me fazem sentir ódio, tenho ganas de andar à bofetada e de partir a cara a alguém. É como se fosse comigo. Sinto-me exposta.

Haverá vida mais humilhante, mais insegura, mais violenta, mais corrompida, mais exposta, mais dependente, mais triste e desamparada? Passada na rua ao frio e à chuva de noite e de dia? Apetece-me pegar-lhe na mão e levá–la dali. Mas não posso. Como será, quando se volta para casa, muitas vezes roubada, agredida, sem dinheiro porque o trabalho não rendeu, drogada, doente e 'morta'?

Existem filhos que as esperam para comerem o pequeno-almoço, para os levarem à escola, para lhes fazerem um carinho, para os levarem ao parque infantil, para lhes aconchegarem a roupa antes de irem dormir? Certamente que existem! Porque não? Ou não seríamos todas mulheres iguaizinhas, que lutam diariamente como podem, que também têm casa, filhos, família, horários para cumprir, contas para pagar, idas ao médico, compras no supermercado para fazer, responsabilidades para assumir.


Nunca me esqueci de uma reportagem sobre a prostituição em Lisboa em que falaram com uma miúda nova que já tinha um bebé. Vivia numa pensão miserável e barata e todas as noites ia buscar o filho à ama. Então e o seu filho costuma jantar o quê? Ele já vem jantado da ama, mas eu dou-lhe sempre um biberão antes de dormir, feito com o leite que me dão no banco alimentar. Mas este mês o trabalho não rendeu muito, sabe, não comprei a botija de gás e cortaram-me a água da pensão porque não paguei a renda. Então e como é que lhe faz o biberão de leite? Vou lá fora ao chafariz e dou-lhe assim mesmo.

Frio!

. . .

E eu chorei.


segunda-feira, 14 de abril de 2008

mãe prevenida


foto balenciaga sport, stilettos

Depois das noites sem dormir, alternadas com pesadelos de suores quentes e frios e pensamentos assassinos, cheguei à conclusão que o melhor lugar para um pedófilo é mesmo ao pé das crianças.



O que fazer, por exemplo, quando uma criança tem uma diarreia longa e verde, seguida de um mar de vómitos azedos e viscosos que nos escorregam entre os dedos e se entranham no tapete, para nunca mais saírem? Aguarda-se com paciência uns dias, até a porcaria apodrecer, ficar bem seca e de cor cinzenta, de preferência já com alguns laivos de bolor. Felpudinho. Temos um pedófilo velho e seboso, bem pertinho, pega-se com firmeza na sua língua branca e salivante, de forma a arrancá-la com vigor para conseguirmos um bom pedaço. A melhor maneira de saber se porção de língua foi a desejada para servir de esfregona, é ouvir os gritos de dor, coisa sem importância, vindos de umas entranhas algures. Com luvas anti-bacterianas, lava-se bem lavadinho esse corpo carnudo e comprido, que em tempos serviu para segregação e degustação e esfrega-se várias vezes no tapete até absorver os dejectos, já putrefactos da criança. Volta-se a arrumar a língua na boca do senhor, tendo em atenção para que as narinas estejam convenientemente dilatadas de forma a que o cheiro proveniente da boca se entranhe com intensidade, no cérebro em sofrimento do senhor pedófilo. Cravam-se firmemente os seus dentes podres nela, para que não caia solta e mole no chão. É que este acabou de ser limpo! O tapete ficará como novo, sem ter sido necessário o uso de detergente com amoníaco, que nos dá cabo da pele das mãos e estraga as cores da lã.



Outro local em que é sempre útil e prático ter um pedófilo bem perto, aliás, todos sabem que eles também o adoram, é junto de um parque infantil. Numa situação em que a criança cai do baloiço e parte a cabeça, puxa-se logo pela trela de cabedal e arame farpado que temos acorrentada ao pénis do nosso pedófilo amigo e seguimos juntos para o posto de saúde mais perto. Uma vez lá e enquanto esperamos pelo enfermeiro de serviço, podemos tentar estancar o sangue da cabeça da criança, fazendo uma compressa caseira com tiras de pele gorda, fatiadas finamente do braço ou da coxa do nosso pedófilo. Também serve um escalpezinho, mas tem de ser bem feito. Recebe-se em troca um elogio do enfermeiro, oh minha senhora, a sua rápida e sensata intervenção valeu ao seu filho menos seis ou sete pontos neste lanho.



Também perto de infantários, escolas primárias e liceus, convém ter sempre à mão um pedófilo caridoso. Sabemos que é nas passadeiras que ocorrem em Portugal o maior número de atropelamentos, logo, o perigo aumenta à saída das escolas com a correria desenfreada das crianças. Ora, se eu tenho na minha posse um pedófilo atento, é muito mais simples e menos doloroso saber, que ao empurrá-lo para o meio da estrada, o seu atropelamento não será em vão, resultando apenas em ferimentos ligeiros, com partes de corpo fragmentadas e espalhadas pelo asfalto bem como miolos esborrachados, colados na frente de um qualquer pára-choques luzidio, devido à pancada que o projectou por 50m. O nosso querido amigo terá dado assim um contributo de cidadão filantrópico e indulgente e uma prova de amor de alguém que sempre adorou as crianças e soube dar a vida por elas. Só tenho pena é que não ressuscite e então, lá teremos nós que ir à caça de outro.

Esperando que estes conselhos vos sejam úteis, resolvi partilha-lhos com quem não teve hipótese de marcar presença na minha última festa de arromba, aqui.



Esta noite já vou dormir melhor.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

figuras tristes, as minhas

foto da net

Assim como amo feiras, abomino centros comerciais. Só lá vou em última instância ou quando a minha filha, que claro, é a mais linda do mundo, me pede.

Nessa altura, vou directa à sanita e enfio os dedos na garganta, para depois não andar aos vómitos para cima daquelas multidões de mortos vivos, vou ao roupeiro e visto a roupa para os funerais, prendo o cabelo, para não ficar a cheirar a fritos e enfio óculos escuros, bem pretos.


Detesto aqueles parques de estacionamento labirínticos, as escadarias desmedidas, as malcriadas das empregadas adolescentes das lojas, as famílias inteiras de zombies que se arrastam nos corredores, as mães que empurrarem carrinhos de bebés chorões e cansados, as mesmas mães que obrigam as jovens filhas a comprar o que elas não gostam, os maridos frustrados, que numa espera eterna ficam encostados nas balaustradas em frente à Zara, os comboios de carrinhos de supermercado, cheios até não poder mais, enfim, não acabava já aqui, mas tenho de continuar este post. A única coisa que escapa nestes sítios horrendos são as empregadas brasileiras. Prefiro mil vezes ser atendida por uma brasileira, sempre simpática, educada e solícita que por uma monga, frustrada portuguesa.


Das pouquíssimas vezes que vou ao Colombo, meu Deus, ao Colombo! Como eu odeio o Colombo! Bom, como ia a dizer, das poucas vezes que lá fui, escapo-me num ápice, mas desta última…Já que aqui vim, deixa-me ir fazer umas compritas no Continente, logo eu que adoro a minha mercearia, como já leram aqui.

Volto pelo mesmo caminho que vim, a empurrar aquela geringonça enorme do carro das compras, quando me deparo com uns obstáculos a travarem-me o caminho para as escadas rolantes que dão acesso ao parqueamento. E agora faço o quê? Atravesso, novamente, aqueles corredores a abarrotarem de infelizes e transpirados como eu e desço por um elevador qualquer, para o piso -2. Já cá estou, mas estou onde? Bom e bonito.


Para não andar a fazer gincanas, sigo as setas de informação ao cliente, que só para chatear é no piso de cima. Lá vou eu, qual matrona, encostada aquele monstro daquele carrinho, pelas escadas rolantes e a seguir, que nem uma parva, setinhas ridículas Linda figurinha a minha, tudo a descer com as compras e eu a subir. Já estou mesmo a ver o que vai naquelas cabecinhas: olha, é mesmo mulher, nunca sabem onde estacionam o carro.

Parvalhões!


Finalmente, o posto de informação. Bom dia, olhe, perdi-me e não se pode passar com o carrinho no local onde eu estacionei, digo já quase a chorar. Mentira, não chorei nada, mas mandei umas fungadelas, para dramatizar e comover os seguranças. Pois, não é a única, desde que lá colocaram aquilo, que é o costume. E tem o carro onde?

Eu entrei do lado oposto aquela horrível estátua verde, que deita água, ali ao pé da entrada do Continente. Oh minha senhora, aquilo é o Neptuno!, diz todo ofendido.

Duh!


Venha lá comigo que eu levo-a. O “comigo” era um senhor muito simpático, já de uma certa idade, baixinho e gordo com um colete verde fluorescente, que lhe ficava até aos joelhos. É que não estão bem a ver a cena: o sr. “comigo”, e a sua fluorescência, que mais parecia um polícia disfarçado, que me apanhou a roubar e me confiscou as compras, empurrava-me o carrinho e eu atrás dele, tipo atrelado, de nariz no chão, tal e qual uma prisioneira algemada.


O barulho dos saltos das minhas botas no asfalto, o bafo calorento e claustrofóbico daquele parque, o cheiro a escape e a gasolina, o barulho de travões ao longe, o homem a falar que o Deus te livre e para cúmulo dos cúmulos, o pessoal dos carros a olhar para a minha triste figura e a pensar: olha p’ra esta, tão fina e já foi apanhada. Que vergonha! São as piores!


Juro. Nunca mais.


P.S. Desculpem a péssima qualidade da foto, mas era o que havia e nem o meu querido blog me fez lá voltar, para tirar uma em condições. Lá para 2014 eu substituo-a.