
Por dentro eu ardia de frio. Pudera, escolhi o dia mais gelado de todos para reiniciar o meu correr e distraída meti-me pelo Caminho da Pólvora do Príncipe, coisa que não queria, pois aquela hora, só lá há uma sombra indiferente e glacial que me mata.
Não volto para trás, apresso o passo para aquecer, subo o volume do iPod e só então me dou conta da história que já nascia na minha cabeça: e se eu o visse ali e agora, parado ao fundo; o príncipe?
Mesmo com 4ºC a temperar a minha manhã, de pulmões queimados pelo vento gelado, que me entrava em golfadas pela garganta abaixo e a deitar fumo do nariz como os dragões, mas numa versão mais bonita, mesmo assim resisto sempre a príncipes. Ainda para mais, aqueles com um Caminho de Pólvora só deles, que se iludem depressa com explosões a dois.
Partilham quase todos de ideias estranhas, em que as princesas de verdade são ajuizadas, ponderadas, sem pretensões de se expôr, nem sequer com um olhar e que não choram nunca, preferindo descarregar intimidades debaixo de um salgueiro-chorão, a preencher telas brancas de flores e passarinhos. Princesas que escondem o que são. Oh meu príncipe, olha para mim, eu também sou assim, mas do avesso e ainda por cima, nada me faz chorar mais rápido do que uma música.
Querido príncipe, prefiro muito mais arrebatamentos ininterruptos do que detonações velozes e nem um pedaço do salitre que compõe a tua negra pólvora, derretia o meu gelo quando olho para ti. Nem uma brasa do teu carvão, por única que fosse me aqueceria o espírito e nem o enxofre amarelo e desmaiado da tua pólvora seca, me vulcanizava a corrida.
A minha cor é outra e o meu impulso também. Prefiro plebeus que realizam sonhos, a notáveis que abraçam sinas sem dúvidas.
Sempre embirrei com príncipes; demasiado perfeitos, demasiado novos, demasiado bonitos, demasiado tudo, demasiado nada.
Só gostei de um; aquele príncipe macedónio que montava Bucéfalo a pêlo, conquistou o mundo, a mim e o amor de Heféstion e que nunca precisou de conhecer a pólvora seca para despedaçar com nada.
Mesmo com 4ºC a temperar a minha manhã, de pulmões queimados pelo vento gelado, que me entrava em golfadas pela garganta abaixo e a deitar fumo do nariz como os dragões, mas numa versão mais bonita, mesmo assim resisto sempre a príncipes. Ainda para mais, aqueles com um Caminho de Pólvora só deles, que se iludem depressa com explosões a dois.
Partilham quase todos de ideias estranhas, em que as princesas de verdade são ajuizadas, ponderadas, sem pretensões de se expôr, nem sequer com um olhar e que não choram nunca, preferindo descarregar intimidades debaixo de um salgueiro-chorão, a preencher telas brancas de flores e passarinhos. Princesas que escondem o que são. Oh meu príncipe, olha para mim, eu também sou assim, mas do avesso e ainda por cima, nada me faz chorar mais rápido do que uma música.
Querido príncipe, prefiro muito mais arrebatamentos ininterruptos do que detonações velozes e nem um pedaço do salitre que compõe a tua negra pólvora, derretia o meu gelo quando olho para ti. Nem uma brasa do teu carvão, por única que fosse me aqueceria o espírito e nem o enxofre amarelo e desmaiado da tua pólvora seca, me vulcanizava a corrida.
A minha cor é outra e o meu impulso também. Prefiro plebeus que realizam sonhos, a notáveis que abraçam sinas sem dúvidas.
Sempre embirrei com príncipes; demasiado perfeitos, demasiado novos, demasiado bonitos, demasiado tudo, demasiado nada.
Só gostei de um; aquele príncipe macedónio que montava Bucéfalo a pêlo, conquistou o mundo, a mim e o amor de Heféstion e que nunca precisou de conhecer a pólvora seca para despedaçar com nada.