Até podia ter sido um dia perfeito, agasalhado de sol e de céu sem mancha, não fora a paisagem humana que resolveu toldar-me o mar.
Desfile antecipado de corpos incautos passeando pela esplanada, que sofismados pela chegada do verão em fevereiro, patenteavam pernas desbotadas, cambiadas aqui e ali com manchas avermelhadas de uma depilação histérica, executada com uma urgência caseira no duche daquela manhã.
Rabos descaídos de semblante triste, que pouco tonificados das escassas horas de ginásio, se lamentavam desconsolados por não caberem ainda na tanga brasileira do agosto decorrido. Bochechas flácidas, ainda ontem reprimidas, contudo protegidas pelo vigor da ganga, eram agora apanhadas de surpresa pelas picadas da areia e gritavam suplicantes, porquê, porquê; oh meu Deus porquê?
Infelizmente, também eu apavorada por me encontrar presente na primeira fila de um espectáculo para o qual não comprei bilhete, não lhes soube responder.
O estrado de madeira onde assenta esta minha esplanada favorita, foi sadicamente arranhado e marcado sem remorso, por calcanhares de escama grossa, que maturados e conservados durante mais ou menos cinco meses, dentro do calçado fungíco de inverno, se assemelhavam em cor e textura ao popular queijo parmesão.
Tops, vestidos de alças e biquínis nitidamente amarfanhados e com uma familiar fragrância, própria de quem esteve muitos meses em clausura no fundo de um qualquer armário, mal conseguiam dissimular o cruel castigo infligido às axilas, sofrivelmente depenadas.
Eu também vesti roupa mais fresca nesse sábado, usei chapéu, peguei no carrego de livros, no lápis e no bloco de linhas e saí de casa mais cedo, para aproveitar ao máximo o presente do bom tempo e esplanar até fartar. Mas toda a vida janeiro foi janeiro, fevereiro foi fevereiro e março foi março, mesmo que houvesse neles belíssimos dias de sol.
Há qualquer coisa de pré-histerismo, um início de propensão ao desequilíbrio, um desarranjo que começa a ser notório neste meu país.
As pessoas gritam por socorro, só que não se ouve.
Ou será que não? Que não gritam e que se estão nas tintas e que venha o que vier?
Desfile antecipado de corpos incautos passeando pela esplanada, que sofismados pela chegada do verão em fevereiro, patenteavam pernas desbotadas, cambiadas aqui e ali com manchas avermelhadas de uma depilação histérica, executada com uma urgência caseira no duche daquela manhã.
Rabos descaídos de semblante triste, que pouco tonificados das escassas horas de ginásio, se lamentavam desconsolados por não caberem ainda na tanga brasileira do agosto decorrido. Bochechas flácidas, ainda ontem reprimidas, contudo protegidas pelo vigor da ganga, eram agora apanhadas de surpresa pelas picadas da areia e gritavam suplicantes, porquê, porquê; oh meu Deus porquê?
Infelizmente, também eu apavorada por me encontrar presente na primeira fila de um espectáculo para o qual não comprei bilhete, não lhes soube responder.
O estrado de madeira onde assenta esta minha esplanada favorita, foi sadicamente arranhado e marcado sem remorso, por calcanhares de escama grossa, que maturados e conservados durante mais ou menos cinco meses, dentro do calçado fungíco de inverno, se assemelhavam em cor e textura ao popular queijo parmesão.
Tops, vestidos de alças e biquínis nitidamente amarfanhados e com uma familiar fragrância, própria de quem esteve muitos meses em clausura no fundo de um qualquer armário, mal conseguiam dissimular o cruel castigo infligido às axilas, sofrivelmente depenadas.
Eu também vesti roupa mais fresca nesse sábado, usei chapéu, peguei no carrego de livros, no lápis e no bloco de linhas e saí de casa mais cedo, para aproveitar ao máximo o presente do bom tempo e esplanar até fartar. Mas toda a vida janeiro foi janeiro, fevereiro foi fevereiro e março foi março, mesmo que houvesse neles belíssimos dias de sol.
Há qualquer coisa de pré-histerismo, um início de propensão ao desequilíbrio, um desarranjo que começa a ser notório neste meu país.
As pessoas gritam por socorro, só que não se ouve.
Ou será que não? Que não gritam e que se estão nas tintas e que venha o que vier?
