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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

quando regresso a mim

s. vicente de fora, foto da Gi

Com a cabeça apoiada num travesseiro de penas, que algum aristocrata esqueceu noutro século, encostado às paredes do Palácio dos Condes de Figueira, descanso o corpo na sinuosa Colina do Castelo e desabafo os braços de par em par.
Um toca em Alfama, onde recolho pregões e canções e o outro vai até ao jardim do Miradouro de S. Pedro, o mais bonito do Mundo, diga-se. Lá, tenho flores à minha espera, para que eu as colha e com elas decore a mesa do Condestável, que já está posta em jeito de gala nas Ruínas do Convento.
De seguida, alongo-me numa preguiça indolente até ao Terreiro do Paço e agito os Ministérios, com joelhadas breves e curtas, para abrirem as portas, as janelas e os olhos e se curvem até ao chão junto dos sem-abrigo, que lhes dormem todas as noites aos pés.
Cruzo as pernas em cima das Colunas que voltaram de uma vez ao Cais e irrito umas quantas gaivotas, que já lá estavam a olhar o Rio, com Ares de pertença exclusiva.
Um Rio Azul que nasce em Castela, mas que é nosso; que nos escolheu, quando nos premiou com o desmaio extravagante do seu Estuário Mágico e onde chapinho agora os meus pés, finalmente em sossego, à espera da chegada da Luz Única da minha aldeia.