Botim de tacão grosso, ali bem justinho ao tornozelo gordo de pézinho de coentrada, onde terminava um par de leggings pretas de licra. Destas da moda.
Da anca bojuda e aglutinada, saía um bolo de noiva com vários andares, isto é, uma saia de tule branco, disposta em camadas consecutivas e esvoaçantes, chamadas de folhos. Loucos folhos, pensei eu, alucinados até.
Dentro de um top justo e impudico, distingui três pregas de estômago sobrepostas, nascidas de muitas refeições ligeiras, carcaças mistas com manteiga e galões matutinos com dois pacotes de açúcar.
Um pescoço elefantino e um queixo triplo, eram enfeitados com uma espécie de coleira plástica às bolinhas pretas e brancas e os braços grossos de estivador, mas sem aquela parte dos músculos, terminavam em pulsos barulhentos e ataviados da mais fina quinquilharia rocaille, que chocalhavam à medida que ela andava de lá para cá e de cá para lá.
Do penteado, que embrulhava sem cuidado no alto da cabeça um cabelo amarelo cor-do-pôr-do-sol, só posso dizer que era alguma coisa que se assemelhava à clássica banana dos anos 70. Que se assemelhava, reparem bem, eu só disse que se assemelhava, pois o meu parco vocabulário não me permite descrever melhor tal arquitectura capilar.
Falava alto. Muito alto. Altíssimo. Era no fundo a versão feminina do mostrengo do Pessoa e eu o Bartolomeu, de visão toldada e assustada com tamanha imensidão de carnes, curvas, texturas, cores e fluídos. Fluídos sim, que dela escorriam rios de suor, lágrimas de rimel, saliva desenhada a batom rubro e um batido de banana, que ameaçava esguichar-se-lhe do alto da cabeça a qualquer momento.
E de repente ... então sente-se bem? Já pode abrir os olhos, sua piegas, diz-me a enfermeira mais querida, meiga, pequenina, discreta, doce e suave do mundo.
Deixe-se estar deitada cinco minutos e depois pode ir embora. Viu como correu tudo bem, sem dramas, histórias de terror, fantasmas e pesadelos?
Dizes tu, pensei eu.
Odeio tirar sangue.
Da anca bojuda e aglutinada, saía um bolo de noiva com vários andares, isto é, uma saia de tule branco, disposta em camadas consecutivas e esvoaçantes, chamadas de folhos. Loucos folhos, pensei eu, alucinados até.
Dentro de um top justo e impudico, distingui três pregas de estômago sobrepostas, nascidas de muitas refeições ligeiras, carcaças mistas com manteiga e galões matutinos com dois pacotes de açúcar.
Um pescoço elefantino e um queixo triplo, eram enfeitados com uma espécie de coleira plástica às bolinhas pretas e brancas e os braços grossos de estivador, mas sem aquela parte dos músculos, terminavam em pulsos barulhentos e ataviados da mais fina quinquilharia rocaille, que chocalhavam à medida que ela andava de lá para cá e de cá para lá.
Do penteado, que embrulhava sem cuidado no alto da cabeça um cabelo amarelo cor-do-pôr-do-sol, só posso dizer que era alguma coisa que se assemelhava à clássica banana dos anos 70. Que se assemelhava, reparem bem, eu só disse que se assemelhava, pois o meu parco vocabulário não me permite descrever melhor tal arquitectura capilar.
Falava alto. Muito alto. Altíssimo. Era no fundo a versão feminina do mostrengo do Pessoa e eu o Bartolomeu, de visão toldada e assustada com tamanha imensidão de carnes, curvas, texturas, cores e fluídos. Fluídos sim, que dela escorriam rios de suor, lágrimas de rimel, saliva desenhada a batom rubro e um batido de banana, que ameaçava esguichar-se-lhe do alto da cabeça a qualquer momento.
E de repente ... então sente-se bem? Já pode abrir os olhos, sua piegas, diz-me a enfermeira mais querida, meiga, pequenina, discreta, doce e suave do mundo.
Deixe-se estar deitada cinco minutos e depois pode ir embora. Viu como correu tudo bem, sem dramas, histórias de terror, fantasmas e pesadelos?
Dizes tu, pensei eu.
Odeio tirar sangue.
