Acordei a ser perseguida por uma carroça desenfreada, cheia de verdinhos e viçosos agriões da minha horta.
Ora, se eu tivesse uma horta, plantaria lá de tudo: beringelas reluzentes, gomas de alcaçuz da minha infância, gordas bolachas de chocolate com recheio de laranja amarga, uma mini-biblioteca falante, um DVD portátil, grilos e joaninhas, caras sardentas, um cobertor de pura lá com ovelha e tudo, bitoques com ovo a cavalo e até um telemóvel, mas agriões é que nunca! Por isso, vi logo que era um sonho.
...
Comia a sopa, sempre com os olhos enfiados no prato cheio dela, até ao cimo. De cabeça baixa e com medo que o vómito me subisse à garganta, quando o talo do agrião se lembrasse de fazer o caminho inverso.
Era tão terrível, que ainda hoje o sinto a deslizar dentro de mim, quando vejo molhos deles nas bancas da praça.
Mas terminava-a sempre, que em casa dos pais não se dizia, não gosto.
Ora, se eu tivesse uma horta, plantaria lá de tudo: beringelas reluzentes, gomas de alcaçuz da minha infância, gordas bolachas de chocolate com recheio de laranja amarga, uma mini-biblioteca falante, um DVD portátil, grilos e joaninhas, caras sardentas, um cobertor de pura lá com ovelha e tudo, bitoques com ovo a cavalo e até um telemóvel, mas agriões é que nunca! Por isso, vi logo que era um sonho.
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Comia a sopa, sempre com os olhos enfiados no prato cheio dela, até ao cimo. De cabeça baixa e com medo que o vómito me subisse à garganta, quando o talo do agrião se lembrasse de fazer o caminho inverso.
Era tão terrível, que ainda hoje o sinto a deslizar dentro de mim, quando vejo molhos deles nas bancas da praça.
Mas terminava-a sempre, que em casa dos pais não se dizia, não gosto.
