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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

abstinências


Neste domingo, presenteado finalmente com um sol déspota, a menina do bar da praia colocou na minha frente, lá pelas três da tarde, uma taça redonda onde uma alma artista escondida na cozinha, desenhou com rara sensibilidade aquela nutritiva aguarela texturada de sabores.
A emoldurar a tela, finas meias luas de fibrosa manga laranja, minúsculas sementes, quase lágrimas que escorriam do tomate cherry e uma chuva miúda de uva engelhada, chamada de passa doce.

No centro da pintura, desmaiava levemente ébrio do banho de mel de rosmaninho, um generoso pedaço de cândido requeijão, aninhando no seu colo espevitadas nozes douradas, que preocupadas com a eminência de me secarem o prazer da refeição, aconselharam-me com urgência que estivesse devida e prudentemente amparada pela sempre saudosa caipirinha de verão.