E como este, é o grande fim-de-semana das compras, aqui vai.

E ainda com cordel, ráfia, flores e naperons de papel, daqueles que fazíamos nas aulas de trabalhos manuais

ique vou deixando por aqui, pela minha vizinhança, no meu blogobairro


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Ares
tags embrulhos natal



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tags decoração natal
E está aberta, a mais atarefada época do ano para este senhor. E para mim.
fotos dos blogs blue cup cake e bakerella
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Ares
tags só meu-natal 2008

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tags histórias minhas
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tags outras estórias
Até para uma pessoa como eu, que trabalha diariamente com a cor, às vezes torna-se complicado gerir as suas manias, manhas, ambições e sede de protagonismo.
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Ares
tags outras estórias
Num sonho que tive, uma fada já velha e sábia, contou-me que a luz dos pirilampos servia para iluminar os vestidos das fadas, que nasciam durante a noite.
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tags outras estórias
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tags políca rep. checa

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tags outras estórias
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tags só meu-nuvem
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tags a gara pianista, Nora

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tags histórias minhas
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tags coisas minhas
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tags coisas minhas
O Ares acordou fluorescente nos links/hiperligações:
na coluna do lado direito;
no fim de cada post, nas tags;
no horário de edição do post;
nos comentários;
No Explorer vê-se em azul psicadélico e no Firefox em cor-de-rosa porno e vice-versa, isto é, uma verdadeira confusão.
Já fui ao tipo de letra e cores e lá está tudo correcto.
Também vêem essas cores, ou sou só eu?
ALGUÉM ME AJUDA?
É aquela gaita dos códigos HTML, não é? Mas eu nem lhes mexi, pois não entendo anda daquilo...sniff, sniff, sniff.
Onde é que eu altero o código HTML das hiperligações?
Podem enviar as dicas, para o mail, ali ao lado.


Foi no dia em que as maçãs reinetas avisaram a mãe-árvore, que tinha chegado a altura de se despedirem, que eu juntei um quilo e meio delas, caídas na sombra do meu pomar.
Peguei na velha colher de prata da minha avó e recortei com ela um generoso naco de manteiga fofa, que foi deslizar na frigideira de ferro preto e pegar-se num namoro apaixonado com o açúcar branco, três vezes em maior quantidade que ela, que nem um pouco se ralou com valores ou medidas.
Descascadas e limpas de pudores centrais, cortei as minhas maçãs em quartos de lua, como me pediram. Coisas de paixonetas ao luar, entre elas e os pêssegos carecas.
Saltaram-me da faca afiada, gomos curtos como lâminas finas para irem segurar vela dentro da frigideira preta, onde acontecia o namoro dos outros dois, que continuava pegajoso e efervesceste como se querem os enlaces a sério.
Acabo de fazer no meu tachinho de cobre, um caramelo fininho que deito para dentro da futura cama da tarte, que dá pelo nome de Sra. D. Forma de Teflon. E ajeito por cima as minhas fatias de maçã, já coradas ao lume, pela paixão calórica da manteiga com o açúcar, dispostas com jeito e encadeadas como pétalas de flor.
A desavergonhada e melosa manteiga, enjoada do velho e escurecido açúcar, já se encontra de novo dentro da minha colher de sopa e diz-me agora, que quer meter conversa com o Porto, mesmo nas barbas do açúcar. Faço-lhe a vontade e misturo-a com um cálice do senhor Croft, lá para dentro da mesma frigideira, onde ainda há poucos minutos, a dengosa se tinha enrolado com o outro. Aleivosa.
Os três que se entendam, pois relações promíscuas não são comigo! Que se enlacem, que se agarrem, que se envolvam como bem entenderem. Eu quero é um líquido aromático e perfeito, para dar de beber às minhas maçãs, que aguardam sequinhas, encaixadas dentro da Sra. D. Teflon. E ainda atiço mais o coito, com um belo pau de canela.
Suspiram fundo as maçãs, no momento em que lhes dou o banho do pecado, nascido na frigideira de ferro preto.
Até eu estou cheia de calores com tal luxúria e rapidamente refresco o pensamento num bom pedaço de massa quebrada, que pousada por cima das maçãs, lhes acalma a lascívia, provocada pela pouca-vergonha do inebriante molho ménage à trois de há pouco.
Segue tudo feliz e animado para dentro de um forno bem quente e colocam-se as ideias em ordem, durante uns quarenta minutos. Sra. D. Teflon atira-me um grito, avisando-me que está pronta para sair e eu sem pressa, retiro-a do calor e deixo-a a arrefecer um pouco.
Desenformo-a, viro-a ao contrário e cumprimento de novo as maçãs do meu pomar, agora mais envelhecidas, mas muito mais brilhantes.
Regresso a 1498 e peço ao tio Vasco que não se esqueça da bela canela, que eu lhe pedi para me trazer das suas aventuras ao Ceilão, pois preciso sem falta de polvilhar e temperar a minha obra.
Magnífica, esta especiaria morena. O que seria de nós sem ela.
Mais tarde e acomodada cada fatia num prato, onde mora já uma nuvem gorda de nata meiga, que se esfrega no pedaço de tarte, lanchamos à lareira com um chá preto do Índico, trazido até nós pelo Vasco herói.
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Ares
tags só meu-tarte tatin
Criava a bolinha do ‘a’ muito perfeita e redondinha e esticava-lhe as perninhas, uma para cada lado, com um imenso cuidado, para não aleijar a primeira letra.
Ao ‘e’, imaginava-o na sua cabeça de seis anos, como um ponto de crochet e depois como se tivesse uma agulha, igual à da avó Maria, apanhava-o numa ponta, dava-lhe a volta certa e aí estava ele, o ‘e’.
O ‘i’, lembrava-lhe o plie, que tinha aprendido na classe de ballet. Era a sua letra preferida, ouvia o toque do piano na ponta do lápis, pegava no ‘i’, ajudava-o ao plie e acrescentava-lhe uma pinta, como se fosse o pompom do penteado, preso com uma fina rede.
O Livro assistia a tudo de longe e com paciência ficava quieto no seu canto, a imaginar o dia em que ela o fosse escrever. E Clara seguia sem saber do talento.
O ‘o’ punha-a a sonhar. Aquela perninha que saia da bola redonda em direcção ao céu, puxava-lhe pela imaginação e pensava logo que o ‘o’ não andava por ali sozinho com as outras vogais. Estava certa, que aquela perninha voltada para cima ansiava por mais letras. Perguntou à professora se havia outras para juntar aquelas. Espera e verás, primeiro tens de aprender a fazer estas muito bem e depois logo brincas com todas.
O ‘u’, lembrava-lhe o cadeirão de orelhas do avô Mário, de assento fundo e com dois braços grandes, onde ele se apoiava para ler o jornal e ela se enterrava naquele colo, onde ouvia histórias sem fim.
O caderno de linhas de Clara era um brinco de asseio, onde quase nenhuma borracha se tinha alguma vez esfregado. As vogais vinham todas atrás umas das outras, perfeitas como se as tivesse pintado toda a sua vida. Quando chegaram as outras letras, foi uma alegria enorme e inventava uma razão de ser para a existência de cada uma delas.
O ‘s’, era a cauda de um papagaio de papel ao vento, na praia no Inverno, o ‘p’, amigo do soldadinho de chumbo, da história do avô, o ‘q’, um gato de costas, amuado com o rabo descaído, o ‘f’, o pente do namorado da mulher-a-dias, o ‘g’, um anzol igualzinho ao que o pai usava no barco, o ‘m’, as montanhas das férias na neve, o ‘v’, o fundo do vale da casa dos avós e o ‘z’, os desenhos geométricos que a mãe fazia nascer na prancheta.
O Livro deleitava-se de prazer. Continuava a ansiar pelo dia
E depois o ler. Clara tinha ainda de ler muito, antes de ir ter com ele.
Precisava de crescer primeiro, com todos os outros livros.
Com os contos de Perrault, de Andersen, de
Conhecer o Zé Colmeia, o Gasparzinho, a força da Bolota, os milhões e a bondade do Riquinho e a Brotoeja das bolinhas. Criticar o Patinhas, adorar o mau feitio do Donald e invejar o talento da Vovó Donalda. Trocar o ‘l’ como o Cebolinha e lavar o Cascão bem lavado. Acreditar que existem super heróis como o Fantasma, o Mandrake, o Quarteto Fantástico. e Thor. Rir com o Tom e o Huck, chorar com o Pai Tomás e com o Zezé e os seus queridos amigos, o Portuga e o meigo pé de laranja-lima.
Partir no sonho e ser levada pela imaginação, com o Júlio na volta ao mundo, conhecer as pupilas e a morgadinha, saber dos amores infelizes de Teresa e Simão, de Carlos e Eduarda, de Pedro e Inês, namorar com Garrett, Florbela e o Luís. Multiplicar-se com o Fernando.
Apaixonar-se por Heathcliff!
Investigar com Poirot, Maigret, Perry Mason e Nero Wolf e depois perder-se à vontade e ter Grandes Esperanças.
Lançar-se aos livros e fazer escolhas, seleccionar autores, preferir formas de escrita, envolver-se no ritmo, na entoação, na trama, na viagem, na criação e no talento de muitos.
Tanto para fazer, até chegar o dia em que conhece um Livro em branco, um Livro que nem sequer linhas tem, que ninguém ainda escreveu e que chegará até si na altura certa.
Que sempre a esperou.
O Livro que surge numa altura,
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