sábado, 20 de dezembro de 2008

espírito de partilha - #6

Embrulhos personalizados




Mais ideias simples e originais para enfeites de Natal






sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

irromper no inverno

foto do blog jet modern

Haverá delito maior, que o de cometer uma falha com quem nos alegra os dias de Inverno?
Então, não é que eu ia causando um genocídio na minha própria despensa, mesmo ali ao lado da caixa das batatas doces!
Meus queridos bolbos de gladíolos e amarilis, deixados ao esquecimento ainda embrulhados no mesmo saco, desde que vieram da sementeira do senhor João.
Então menina, os bolbos estão bonitos, já floriram?
Bolbos? Bonitos, floriram...os bolbos! Fui, senhor João, fui!
Escolhidos logo em Outubro com o cuidado do costume, gordos, rijos e de casca intacta como me ensinaram, encontravam-se agora manchados, em estado de total desamparo, com olhar mortiço e acusador direito a mim e sem forças sequer para me pregarem um raspanete.
Limpei, sequei e pedi mil desculpas por não os ter já plantado há um mês atrás. Sem nenhuma compaixão, nem me responderam e diga-se de passagem que eu também não merecia, mas os valentes, que adoram temperaturas baixas como eu, parece que se vão aguentar!
Ficaram muito animados quando viram as jarras de vidro e os antigos vasos de alumínio que lhes vão dar cama.
Pedras no fundo ou pedaços de barro de vasos velhos, terra forte e boa, três bojudos bolbos com o corpo quase todo de fora, mas sem se tocarem e está feito o arranjo.
Planto-os em números ímpares e só vos digo que o efeito visual é do mais bonito que já vi. Quanto mais frio estiver, mais dura a floração.
E a fragrância que deitam depois de florir?


bolbo de amarilis

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

passa tempos

foto de jimmy backius

Esta foto foi tirada durante uma viagem ao mar da Sibéria, onde conheci um tártaro das estepes, que pertenceu à brava linhagem do valente correio do czar, de consistência de ferro e de fausto coração, chamado Miguel.
E também foi tirada, numa viagem com vikings barulhentos perto do mar da Noruega, quando me levaram para um passeio fresco, embrulhada em peles quentes de urso e lobo, minutos antes de visitarem por mar... talvez a desconhecida Islândia.
E ainda a consegui tirar, durante um inverno japonês, quando um aristocrata samurai, seguidor honroso do Bushido, me tentou ensinar na sua infinita paciência, o manejo do arco e da flecha e a decapitar com destreza, cepos ocos.
E tirei-a pela última vez, numa corrida a cavalo junto ao rio Amur, com um huno meu amigo da tribo de Temujin, o jovem que unindo turcos e mongóis foi aclamado como Genghis Khan.

... um não sei quê, que nasce não sei onde, vem não sei como e ...

foto alex maclean obvious

Estranha, esta sensação de reler o que escrevi há uma semana atrás, ou ontem, ou agora mesmo, e ficar a pensar de que forma as palavras que estão ali, me vieram parar ao espírito num sopro ou num estalo.
De súbito, fico a ler outro eu que não sou, outro ser que já fui, há um minuto apenas.
Outra personagem, outra entidade, outra pessoa e depois outra e outra e mais outra ainda.
E apetece-me conhecer as demais, que virão por aí.
É ele que me diz, somos tantos, cada um de nós é tantos.
Frase que me serve como uma pele, como ainda nenhuma outra me serviu.


(Espero ter respondido a algumas dúvidas, observações e perguntas que me 'colocaram' nos últimos dois posts. É que por vezes, nem eu sei).

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

em sua defesa

foto do blog creature conforts

Raras vezes lhe dá para tristezas, para os pensares aflitos ou lembranças dolorosas. Decidiu ainda cedo desligar-se do que lhe faz mal, empilhando tudo no fundo de um baú, carregado de bolas de naftalina; um cheiro agonizante, que merece receber tudo aquilo que a faz doer.
Diz-me que é uma faculdade que começou por ser inconsciente, uma defesa que agora lhe é inata, esta, de virar as costas aquilo que a pode acometer de doenças da alma.
Interrompe e deixa em suspenso, a presença de outras vidas que nada têm ou terão a ver com a sua e filtra para a peneira fina, o que lhe basta para ser feliz.

Não se desperdiça com interlocutores com baixa patente de carácter.
E depois ri para mim, como se fosse tudo isto, muito fácil.

Só chora, quando se depara com uma frase certeira, que vem ao seu encontro num qualquer livro, revista ou outdoor que lê por aí, colocada ali de propósito para si, por um estranho autor que nada sabe da vida dela. Lê e relê e chora de novo, com a certeza de que por mais voltas que der, cairá sempre na ingenuidade de acreditar que aquelas palavras só podem ser para ela, de tão verdadeiras que são.
Só chora com melodias piegas, lamechas mesmo, das que são pano de fundo e servem de banda sonora às cenas finais de comédias românticas, onde namorados bonitos fazem as pazes, trocam promessas ridículas para o resto da vida, confessando culpas que não têm, assumindo falhas e prometendo a tola da lua.
Só chora, nos documentários sobre o reino animal, quando presas meigas são trucidadas a sangue frio por predadores velozes, traiçoeiros ou cobardes em matilha. Predadores idênticos aqueles que deita fora, com uma displicência que a espanta.
Só chora, com olhares de crianças poluídas, homens sós e cenas putrefactas de mortos que pensam que estão vivos.

E mais não chora.
Mas ainda me disse porquê.

Que precisava de guardar muitas lágrimas, que deitaria fora em convulsão infinita, num dia de fatalidade, que não poderá evitar de acontecer.
Onde frases certeiras já não caberão em lado nenhum do seu eu e nada terão a ver consigo.
Em que a música piegas que tocar, só poderá ser surda-muda e não servirá nem sequer à lua, que de tão cheia, vai rebentar dentro do vazio do seu coração.
E onde os predadores sanguinários irão ignorar as suas presas, que se definharão encolhidas de dor, como ela.

Até lá, mais não chora.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

só se chora no fim

ilustração de matthew woodson

Um dia, deixou para trás o estaleiro da sua existência, em contínuas e intermináveis obras, e descobriu uma voz conhecida que lhe segredava truques já esquecidos e aparentemente sem importância, para conseguir sobreviver em situações de caos, terramotos físicos e turbilhões espirituais.
Como o seu, em que tudo espantosamente desfaleceu sob um solo oco e sem fermento, dissimulado por fortificações de aço e diamantes. Seguras por alicerces fantasmas, que com um empurrão no local certo, abateram e levando tudo atrás, apenas deixaram um pó branco voador, que se entranhou na pele e a impediu de respirar.
Dizia-lhe a voz de um eu há muito esquecido, que a cura de algumas feridas passava por fazer um novo corte de cabelo, esconder os brancos da raiz e descer o tom das madeixas.
Alterações frívolas, onde se levam tesouradas radicais nos amargos de boca, em que se pincelam os fios cinzentos dos desgostos, com tons quentes de caju e louros de Verão, deixando cair no chão, com o estrondo necessário ao despertar da alma, fios de cabelo antigo, triste e sujo da poeira da vida.
E olhar de uma vez por todas para um espelho com reflexos de verdade.

Segue-se, continuou a voz, o assumir dos desenhos finos que nos cortam a pele, idênticos aos vincos da roupa, o abrir em definitivo dos olhos, com um rímel forte à prova de lágrimas e segurar entre os dedos, para nunca mais deixar cair, todos os abraços, beijos e palavras cheias que vierem por aí. E acreditar que serão imensos.
Acalentar-se num vestido justo, difícil como a vida, conseguir puxar até ao fim o fecho comprido das dificuldades e aceitar com um sorriso forte, as curvas sinuosas que surgem nas esquinas do seu corpo.
Depois é fácil, basta calçar meias finas e por vezes hesitantes como os passos que der, enfiar-se em saltos altos, com vários centímetros de décadas duras, mas férteis.
Palmilhar a rua numa postura vertical, espezinhando com sabedoria feminina os obstáculos da calçada até à última pedra incerta.
Afinal, é assim que ainda hoje se é mulher.

domingo, 14 de dezembro de 2008

[33] há coisas fantásticas, não há?



Campanha para motivar a leitura nos mais novos, promovida pela Fondation pour l'alphabétisation.
Sem os livros a imaginação morre.

espírito de partilha - #5

Alternativas de enfeites de Natal, para quem não tem jeitinho nenhum para trabalhos manuais.








sábado, 13 de dezembro de 2008

[13] bom fim de semana!

Este é um slideshow de algumas das mais bonitas bibliotecas do mundo. Não sei com que critérios foi elaborada esta escolha, mas a meu ver faltam certamente muitos países e muitas cidades, que possuem bibliotecas magníficas. Vale no entanto sempre a pena espreitar para estas 65.

Podemos ver três portuguesas, nos slides, 31, 32 e 33. E são elas a do Palácio de Mafra, a Joanina da Universidade de Coimbra e a do Palácio Nacional da Ajuda.
Com pena minha só conheço a primeira.



Deixo-vos também a lista dos dez melhores livros de 2008, escolhidos pelo The New York Times e se ainda quiserem, podem ver os cem melhores, aqui.


Bom fim-de-semana.

espírito de partilha - #4

Seguindo o espírito do fim-de-semana passado, trouxe todos estes enfeites de Natal, que são muito fáceis de fazer, de conseguir os materiais e principalmente de entreter criancinhas.

Laranjas, cravinho, fio de nylon e um palito
Eu já estou a imaginar o aroma divino que vai sair dali




lâmpadas fundidas, forradas com pedaços de feltro, lã, tecido, folhas de jornal e revistas



bolas de esferovite (compram numa boa florista),
forradas com pedaços incertos de tecidos coloridos



marshmallows ... e não preciso de dizer mais nada


E agora deixem-se de desculpas e apliquem-se.
fotos dos blogs folksy e that artist woman

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

não ser


No almoço de domingo, a duas mesas da minha, sentava-se um casal de 45-46 anos, não mais. Conversa...pouca ou nenhuma. Telemóvel...muito, bastante até. Dele, que falou com o colega da bola, com outro amigo, sobre um tal de "gajo fdp" e ainda com outro chamado "meu ganda sacana". E alto, bem alto.
Passados vinte minutos chega um filho adolescente, acabadinho de sair da cama. Os olhos de uma mãe rejeitada por um telemóvel nokia e um prato de queijo de Niza, brilharam quando ele se deu ao trabalho de grunhir uma espécie de cumprimento, sem olhar para ela, que estava mesmo em frente, à distância de um beijo que não foi dado. Ofereceu imediatamente ao filhinho um pedacinho de pão com a manteiga já espalhada, deu-lhe a água dela e disse-lhe, a sopinha é canjinha.
O mostrengo fez um esgar com a boca e ela rejubilou mais uma vez com a comunicação estabelecida. O pai, esse estava outra vez ao telemóvel a falar com o "ganda sacana" e nem reparou que tinha um filho a almoçar com ele.
Depois aparece o outro, a besta-mor, acabadinho de vir, sinceramente não consegui imaginar donde seria
No entanto, durante o almoço deu para reparar que era mais falador que o irmão, principalmente nos sons nasais e guturais que emitiu e ainda pelo, deixa-me em paz caraças, quando a mãe orgulhosa da prole, lhe disse baixinho e a medo, tens de fazer o pedido filho, que o empregado está à espera.
Oh querido, não estejas assim, só queríamos que viessem para nos fazerem um bocadinho de companhia, disse ela triste à laia de satisfação, mendigando por uma caridadezinha.
Companhia, companhia? Porra e limpou o nariz com a manga, juntando-lhe mais um estridente som nasal.
O mais novo bazou. Já tinha acabado de comer a canjinha e ainda conseguiu levar o cartão multibanco da mãe, apesar dos protestos dela e do silêncio conivente do pai, que estava mais entretido a enfardar a cabidela.

Estes dois monstros já foram bebés, andaram ao colo, receberam beijinhos, mimos, festas e fizeram gracinhas parvas. Usaram fraldas, passearam de mão dada, curaram dói-dóis, deram xi-corações e disseram papá e mamã.
Qual foi o momento exacto, o instante breve, o segundo, em que a vida desta família lhes terá fugido? Viram-na passar, repararam no aviso, deu sinal da sua presença?
Aposto que sim, por muito subtil que seja o toque, há sempre a intuição, pequena que seja, que descodifica algo que se tornou diferente do habitual.

E eu, que tenho esta angústia do tempo e do finito, fico a pensar como será possível haver quem opte levianamente por não ver, não viver, não ser.
Desliguei os olhos dali, como faço sempre com o que me faz mal e quando na minha mesa me perguntaram, tens estado a olhar para quem, eu ainda concentrada na cena respondi, ninguém!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

frigidíssimo

Não é só psicológico, mas físico também. Eu suporto e adoro o tempo frio das duas formas.
Não me mexe com sentimentos de solidão, isolamento, tristeza ou melancolias várias. Pelo contrário, flui-me o sangue que me passa a galopar pelas ideias, me espevita o pensar e o sentir, sem congelamentos de qualquer espécie. Tenho muito mais energia de movimentos, vontade de trabalhar, andar por aí, não sofro de indolência e preguiça e o que já possuo de optimismo, sobe-me para o dobro.

Prefiro este tempo a um Verão quente, mas recuso-me a que meia dúzia de raios de sol egocêntricos de Agosto, me dêem cabo do humor, prejudiquem o correr dos meus dias ou que me afectem as fantasias.
O que há mais por aí são esplanadas ao fim da tarde, noites longas com caipirinhas e ventoinhas para qualquer emergência hormonal ou chilique feminino, adequado aos meus 40rentas.

E depois, tenho uma ideia muito minha, de que o frio torna as pessoas melhores se elas assim o quiserem. Aqui pela Europa, como bate com o final do ano, serve para balanços de vida, repensares da alma, tomada de opções difíceis e frente-a-frente de sentimentos recalcados. Renovações, enfim.
Mas acontece o contrário.
Por ser para muitos um tempo custoso de ultrapassar (vivessem antes no Norte da Europa), fazem-se encostar a ele com atitudes de inércia e de bloqueio emocional, com desculpas de narizes frios e pés gelados.
Que bando de mariquinhas!
Basta vir um pouco de calor e é vermos as vítimas do tempo frio, quais flores de estufa, a metamorfosearem-se em seres espirituosos, alegres, esvoaçantes, enérgicos e capazes de salvar o mundo e outras coisas que tais, com os primeiros raios de sol.

Ui, o calor! Que tempo camuflado, dissimulado e enganador. Esse sim é amiguinho, desperta-nos a preguiça física, a moleza do espírito e faz-nos esquecer as agruras em cada banho de mar.
Estranho, e pensava eu que o clima só tinha relativa influência no comportamento humano e não, que nos transformasse o humor da noite para o dia.
O problema não é do tempo, amigos.
É nosso e daquilo que fazemos ou não com ele.


Pronto, levem lá estas lãs para as alminhas mais sensíveis.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

no chiado, chiada-se *


Não sou de destinos, sinas, e futuros pré-estabelecidos e esta forma de pensar e ser, fez-me com o tempo, desviar de algumas direcções, romper com umas e optar por outras.
Prefiro o acaso, a surpresa e as coincidências. Depois sigo a intuição.
No feriado dia 8, quando fui passear para o meu Chiado, tive um momento desses. Muito breve, mas intuitivo.
Parei para tirar esta fotografia na loja Gardénia, porque gostei do azevinho na portada e enquanto enquadrava a máquina e esperava que as pessoas passassem, houve alguém que parou no lado esquerdo e esperou que eu disparasse, sem se atravessar na minha objectiva.
Nunca olhei para ele, durante esse intervalo de tempo em que esperava para disparar, mas sabia-o ali. Parado à espera da minha fotografia. E só depois passaria.
Quando terminei a foto, olhei e vi-o alto e elegante, daqueles que ficam bem ao Chiado.
Obrigada, agradeci eu e sorri-lhe. Lembro-me perfeitamente. E segui a 'chiadar' com a família
Mas aquela figura, que eu nunca tinha visto antes, ficou-me presa à ideia durante ainda uns momentos.
Porquê? Intuição, pressentimento, alerta? Destino ou coincidência?
Não sei. O que eu sei, é que aquele homem que eu nunca vira até aquele dia, com quem eu nunca falara pessoalmente ou sequer ouvira a voz, era afinal um vizinho meu.
Alguém com quem eu falo todos os dias desde Março, às vezes mais de uma vez, alguém de quem já conheço muitos dos traços da personalidade e carácter, com quem discuto ideais, brinco, falo sério, critico ou estou de total acordo. Alguém com quem já tenho um certo à vontade, confiança e amizade.
Por isso, fiquei alguns instantes a pensar naquele fugaz primeiro encontro.
O mail que me enviou no fim do dia, confirmou a coincidência do momento.
E ainda bem, que quando eu olho, vejo sempre.
A minha intuição não me enganou, eu conhecia-o!

Vão , que ele conta a versão dele.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

o tempo, pergunta ao tempo ...

... quanto tempo o tempo tem.
O tempo responde ao tempo, que o tempo tem tanto tempo, quanto tempo o tempo tem ...


Penso que são 41 anos, pois o tempo que é mais sabedor que eu, não se esqueceu de me avisar.

foto arts&ghosts
Sagitário
Elemento - Fogo
Planeta - Júpiter
Verbo - Eu Vejo

"Os sagitarianos, são extremamente idealistas e amantes de viagens.
Interessados na aquisição de conhecimento e não abrem mão da sua independência ou liberdade.

Rompem barreiras e ultrapassam limites, com um optimismo inabalável.
Nada dados a desistências e quando atingem um objectivo, interessam-se imediatamente por outro.
Fazem várias coisas ao mesmo tempo e têm outras tantas sempre presentes na cabeça.
Imaginação sempre a disparar, atrás da flecha que o centauro dispara, mas com os quatro pés bem assentes no chão que pisa".
fonte: um livro qualquer que tenho cá p'ra casa

Eu pessoalmente, sou é faladora, refilona, chata, exigente, exagerada e queria muito, mas muito mais tempo.
Mesmo muito.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

aqui vou eu # 1

P'ra lá...

e p'ra cá

domingo, 7 de dezembro de 2008

espírito de partilha - #3

E continuando nos embrulhos, duas ideias mais demoradas, mas lindas de morrer.

É só recortar um desenho numa cebola, num nabo ou numa batata.
Molhar na tinta, experimentar num papel e quando acertarem com o desenho, toca a carimbar





Pegar em sacos de plástico do supermercado e seguir as instruções. Nada mais simples e com um efeito bestial


do blog creature conforts
clicar para aumentar

Durante o dia seguem mais ideias.

sábado, 6 de dezembro de 2008

espírito de partilha - #2

Chegou a vez de embrulharem os vossos presentes, de forma a serem mais personalizados, ou os tornarem mais singulares para alguém especial.
E como este, é o grande fim-de-semana das compras, aqui vai.

Com papel de embrulho, papel madeira e papel dourado, basta juntar fitas estreitas e largas e também fazer as etiquetas



E ainda com cordel, ráfia, flores e naperons de papel, daqueles que fazíamos nas aulas de trabalhos manuais




Ou desenhar letras em papel autocolante, recortá-las para colar por cima de um papel à escolha e depois, enfeitar o embrulho com o nome, as iniciais ou um Feliz Natal

i

espírito de partilha - #1

Vou colocar aqui para vocês, todos os sábados e domingos até ao Natal, ideias de presentes, embrulhos e decorações originais e muito simples, para vos animar esta quadra e espero que gostem.
Hoje é dia de decoração.


Anjos, feitos de naperons de papel, grinalda de arame com missangas e asas com fita de gaze


Centros de mesa, feitos de cones de cartão, forrados com panos de cozinha ou restos de tecidos, em verde e branco


Grinalda, feita com restos de lãs



Câmpanula ou frascos de vidro, cheia de bolas coloridas que foram ficando sem par durante os anos



Cones de cartão, forrados com feltro e contornado com fitas, gregas e pons-pons de lã



Bolas de feltro e outros motivos de Natal, com lantejoulas cosidas
, para enfeitar o pinheiro


ideias do blog housemartin e revista house to home

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

não me consumo

E está aberta, a mais atarefada época do ano para este senhor. E para mim.
Pessoalmente, adoro esta confusão de sacos, presentes, embrulhos, fitas, etiquetas, músicas de natal, ruas engalanadas e abrilhantadas, doces, frutos secos, perús e bacalhaus, família e amigos.
Enfeitei o pinheiro de Natal desde o fim de Novembro, há já muitos presentes à sua roda, pois felizmente, tenho imensa gente a quem oferecer e lamento desiludir, mas sem qualquer sentimento de culpa.

Chega agora o feriado do dia 8, dia de Nossa Senhora da Conceição, que é para mim e de novo sem pudor, o meu dia favorito de compras em Dezembro e só espero que não chova, pois o Chiado é todo meu, mais as ruas e praças que o rodeiam e mesmo que venha de lá sem um único embrulho nas mãos, vale sempre a pena. Só circular por ali, me carrega de energia positiva.

Não há melhor do que descer e subir enluvada, encachecolada e sobretudoada, a rua Garrett ao fim da tarde com frio, barulho, famílias e croissants quentes da Bénard!
Sou consumista assumida nesta época e não tenho problemas nenhuns com isso, pois todo o ano distribuo afectos, ofereço atenção e cuidado, doo muito do que tenho, espalho amizade, inquieto-me com os outros, olho sempre para o lado e tenho um carrego de defeitos para corrigir e apiedar-me deles nos outros onze meses do ano.

Deixo-vos para o fim-de-semana, segredos doces lá no meu forno, cozinhados por renas, reis magos e ho-ho-hos, todos mestres cozinheiros.



fotos dos blogs blue cup cake e bakerella

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

lindo serviço - #14


Foi um presente de casamento, herança de uma tia avó que juntamente com um louceiro antigo de pau-santo, me deixou para esse dia muito especial, aquele serviço de porcelana fininha e frágil, quase biscuit, que um lord inglês tinha oferecido ao meu bisavô em troca de um favor pessoal.

Ficou arrumado no louceiro antigo, num local privilegiado, pois quando se abriam as portas de par em par, dava-se de caras com pires fininhos e perfilados com vaidade, chávenas susceptíveis e emparelhadas aos tremeliques, bem ao lado do casalinho composto pelo açúcareiro e a leiteira e mais atrás, igualmente em destaque, o bule mais gordo e reluzente de todo o armário.

Nos primeiros tempos foi usado com bastante frequência, mas quando um invejoso prato de pirex, me lascou um dia um dos frágeis pires, pensando que eu não estava a ver, decidi protegê-lo e não o colocar tanto a uso, como até então o tinha feito. Também havia outros serviços que gostava de usar e mereciam a minha atenção.


Serviço raro e praticamente único à época, e sem companhia à sua altura, ressentiu-se, claro está.

Eu ouvia as chávenas a chocalhar umas nas outras quando abria as portas do louceiro, o meu bule não me parecia tão reluzente como antes e os pires já nem 'biscuiavam' nem nada, mas sinceramente não dei muita importância e até pensei que a bacidez do meu serviço se devesse ao pouco uso e confesso que deixei andar.

Só fiquei verdadeiramente preocupada, quando numa destas frias manhãs de Outono, fiz um chá de pinheiro de Natal e me lembrei de ir buscar uma das minhas velhas chávenas brancas.
Ora, todos sabemos que os chás de pinheiro de Natal servem-se a ferver, devido ao calor que vem das bolas coloridas, dos sinos, dos anjos, das fadas, das luzes e da estrela dourada do topo, não é?
Pois, o meu chá não. Mal o deitei na chávena de estimação e a levei à boca, estava morno, quase frio, que nem o açúcar derreteu e ainda me disse, podias ter avisado que hoje era ice tea!

Quase nem tive tempo de lhe responder, pois a minha chávena chorava-me nas mãos e do louceiro começou a vir um zum-zum suspeito.

Levantei-me, abri as pesadas portas do armário e digo-vos já, que o que vi não foi nada bonito de assistir. Um bule, outrora gordo e brilhante, era agora uma peça pálida e desenxabida e um líder destituído daquele serviço sem horizontes. Os pires coitadinhos, que já eram delgados de nascença, mais pareciam folhas de papel vegetal que até os veios se observavam a olho nu, de tão magros que estavam e as chávenas, desfaleciam umas em cima das outras, parecendo que iam tombar e partir-se em cacos, a todo o momento.

Claro está, que me consumi de remorsos e apesar da minha intenção ter sido somente de o poupar e proteger de futuras lacas irrecuperáveis, o facto é que o meu serviço não o sentiu dessa forma e quase que o levei à morte.


À morte sim, não estou a exagerar! Quando peguei nas peças, uma a uma, era vê-las pobrezinhas, aninharem-se no meu colo, a soluçarem como bebés, carentes de mimos e atenção.
O meu querido serviço sentira-se abandonado e entre fungadelas, lágrimas grossas e suspiros profundos, acabou por desabafar o seu rico percurso de vida, do qual eu já conhecia a história, mas deixei-o falar.

Trabalhava desde novo, primeiro com a minha bisavó Joana, em lanches séri
os e sem novidades de maior, com pão caseiro do verdadeiro, que levedava a massa na arca de madeira. Saía do forno de lenha a estalar e ia fazer companhia a um leite gordo e quente, acabado de sair da cabra Rosalina. Juntava-se tudo na mesa grande, com compota de amoras silvestres, doces e negras, mexida horas seguidas no panelão de ferro, mais a manteiga amarela, batida à mão nos serões de domingo.
Depois de umas assoadelas e de lágrimas já secas, o meu serviço de louça branca continuou o seu romance, agora nas mãos da minha tia-avó, Purificação.

Era posto na toalha de renda alva, durante chás de amigas casadoiras e cada uma na sua vez, trazia bolos secos, eclairs recheados e biscoitos macios, para aprovação e discussão de ingredientes, com as outras convidadas. Conversava-se muito de receitas, de pontos de cozedura do açúcar e dos milagres que uma pitada de sal fazia a certos bolos. O chá era de tília ou camomila, pois não se pretendia desajuizar meninas pueris. E que os homens se prendiam pelo estômago, foram segredos que o meu serviço ouviu.
E depois eu, que de tanto o ver na casa da tia-avó, a comovi com a minha adoração por ele e mo prometeu para quando eu casasse.

Aqui em casa foi muito utilizado, com bules re
petidos de chá preto e forte, bolo de laranja ensopado, macarones divinais, scones com nata fresca e fondue de chocolate, em fins de tarde de domingo.
Outra vezes, enroscada no sofá, com uma chávena de chá com mel numa mão e um livro na outra, em lanches de amigas, para colocar a conversa em dia e até em pequenos-almoços a dois.

foto do blog latest work
E pronto, agora está tudo resolvido, bastante mais calmo e terminou a choradeira.
Para solucionar a hipotermia de afectos, tricotei-lhe agasalhos fofos, camas com resguardos cálidos, cachecóis de duas voltas, mantas felpudas e até toucas e gorros da mais branca e pura lã.
Não voltei a arrumá-lo no louceiro de pau-santo e tenho-o mais perto de mim, perfilado e sempre à mão, em cima da mesa grande da cozinha e todos os dias nos cumprimentamos e nos servimos dele. E vai estar connosco neste Natal.
Ficou-me a lição, de que é preferível uma vida bem vivida, mesmo que com grandes lascas, do que um coração totalmente rachado, abandonado e sem uso.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

noutro dia...


... entrei numa casa qualquer.
Tinham cães e não limpavam muitas vezes o pó. Os pêlos espalhavam-se por todo o lado e eu consegui fazer desenhos com o dedo, logo ali, na cómoda da entrada, iluminada pelo sol frio deste Inverno.

E nem me importei.
O território era democrático, viviam os animais da mesma forma que os seus donos. Tudo tinha o mesmo cheiro, a refeições quentes muito bem preparadas e a paredes vestidas de madeira tropical.
E eu senti-me bem.
Estendiam-se mantas de franjas coloridas pelos sofás e maples, para que todos pudessem gozar do seu conforto. Os nossos pés, assentavam em tapetes fofos e banquetas de malha, iguais às camisolas feitas pela minha avó e as irmãs dela.
E eu recordei.
Não existia preocupação com a ordem; as chávenas do café com leite continuavam em cima da mesa de apoio e já eram horas de jantar, as migalhas descansavam no tapete, já secas e os bichos contentes, traziam ossos gordurentos para o pé de nós.

E eu relaxei.
Nos nichos das paredes, brilhavam lamparinas de azeite, que me faziam retardar o momento de ir embora. Odores de infância.
Que eu cheirei.
Distraídos por natureza, deixavam luzes acesas até desoras, almofadas desordenadas e janelas sem cortinas. Riem-se sempre muito quando lá vou e falam comigo apertando as suas duas mãos no meu braço.
E eu adorei.

Vivem-se outras vidas, nem melhores ou piores que a minha. Só diferentes.
Ali também são felizes. Todos.
E eu também.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

particularidades de cada um

Até para uma pessoa como eu, que trabalha diariamente com a cor, às vezes torna-se complicado gerir as suas manias, manhas, ambições e sede de protagonismo.
Tive uma pega feia com o cor-de-rosa esta manhã, enquanto tentava terminar um projecto castanho-chocolate e verde-azeitona.
Queria porque queria, que eu trabalhasse mais com ele nesta época do Outono e não adiantou explicar-lhe, que os climas e as estações do ano, influenciavam as opções estéticas das minhas clientes. Não era uma boa altura para ele ser escolhido para uma decoração, a não ser para quartos de raparigas ou de meninas-bebés.
Que cor mimada, desinquietou-me os catálogos de papel de parede, os mostruários de tintas, os cabides de algodão, das sedas e do chenille e até o pantone, vejam bem!
Farta de o aturar, agarrei no corante cor-de-rosa, enfiei-me na cozinha e fiz-lhe uma homenagem sob a forma de doçaria chic, para que com a atenção centrada em si próprio, me deixasse trabalhar em paz. E por fim lá sossegou.

Livra, que corzinha mais temperamental!
Bem mais difícil de lidar, do que as dúvidas eternas que eu tenho em conjugar o encarnado sangue-de-boi ou o azul-pavão.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

adornos da natureza

Num sonho que tive, uma fada já velha e sábia, contou-me que a luz dos pirilampos servia para iluminar os vestidos das fadas, que nasciam durante a noite.
Os vestidos? perguntei eu, espantada.
Claro, nós nascemos despidas como vocês, mas como não temos uma mãe individual que nos escolha o que vestir, pois surgimos das caudas incandescentes das estrelas cadentes, ficou tudo combinado desta maneira com a mãe-natureza.
Assim, sempre que uma estrela morre e nos liberta pelo céu, através do seu manto brilhante, a árvore do traje enche-se de prestáveis pirilampos, que nos iluminam os vestidos coloridos, pendurados nos ramos.
E os vestidos nascem nas árvores? tornei eu a perguntar.
Ai que tonta, obviamente que não!
São deixados todos os dias ali, pelos beija-flor e pelas garças-reais, que nos fazem o favor de os trazer do atelier dos bichos-da-seda.

Realmente, faz todo o sentido, pensei eu quando acordei. Nós humanos, é que mais uma vez complicamos tudo.