terça-feira, 31 de março de 2009

palitar

foto toothpicks cube

É um esmiuçar a fundo, um esgravatar com rigor na busca de pedaços moribundos, que quando se alcançam por fim, atinge-se uma sensação de vitória, de missão cumprida. Alívio.
Perfeitamente compreensível este estado de consolação, que se obtém com o prazer do palitar e não, nada tem de repulsivo, pois a procura exaustiva de defuntos fragmentos em cavidades íntimas, mais não é, que uma tentativa puramente cultural de aproximação a ancestrais rituais indígenas, isto é, o ensaio de tornar a dar vida ao que já se foi.
A fracção de comida putrefacta presa entre dois molares cariados, emite uma mensagem de angústia claustrofóbica, e é então que o proprietário da cavidade bocal, perante a agonia da prisão e o desejo de liberdade daqueles restos mortais de bife, desespera.
A sua coerência é rapidamente toldada e a ele qualquer frágil lima de unhas, encerra em si a capacidade de serrar o ferro das barras da cela. Entrega-se ao momento numa dedicação única e torna-se um expert no manejo do simplório palito de madeira, acreditando ser capaz de um eficaz e complexo tratamento de higienização, desvitalização e quiçá ortodontia, à laia de pé de cabra.

Ahhhhh, rumoreja satisfeito.
O protagonista deste espectáculo descai agora da cadeira, encosta-se em jeito de sesta domingueira e de palito ao canto da boca que dança mais calmo, para baixo e para cima, arrota fundo e finalmente realizado.

sexta-feira, 27 de março de 2009

jovens decisões


Seleccionou-as com rigor, favorecido pela primeira luz da manhã.
Optou pelas que nasceram com o botão mais perfeito e ainda aconchegado, entre finas fatias de jovens pétalas por desabrochar.
Preferiu as pálidas de tom, como que hesitantes na escolha da cor com que se pintariam para o resto da vida.
Cortou-lhes o caule, com a convicção de que os espinhos lhe golpeavam a ansiedade e elegeu aquelas, onde a transparência das lágrimas de orvalho lhe reflectiam sem nenhuma espécie de engano, a enorme importância do acto que estava prestes a arriscar.
Afinal, era aquela a primeira vez que se iria declarar.

quarta-feira, 25 de março de 2009

dois amores

foto terillo

Já lá vão oito anos de dança e a convivência com o ritmo, que lhe vibra os movimentos em todos os instantes onde exista melodia.
Sendo cada vez mais evidente esta afeição pela dança, seguimos por uma escola séria: cinco anos intensos, logo para começar, programa de acordo com a RAD, método, rigor, trabalho sério. E quanto mais sério mais ela gosta, definindo-se logo um amor para a vida.
Mas a menina revelou ambivalência nas paixões e mal as delicadas sapatilhas de pele lhe deslizam e se soltam do pé, este vai até ao fundo de um cano alto de cabedal, rude e másculo, onde brilha uma espora prateada que o remata no final.
O pompom perfeito, enrolado pacientemente numa rede fina, quase tecida por dotadas aranhas, é desfeito sem dó e da cabeça,
assustados com o repentino do gesto, soltam-se mil ganchos, antes sabiamente dissimulados entre as melenas.
De imediato, o cabelo comprido é negligentemente apanhado com o primeiro elástico que surgir à mão, num insípido rabo-de-cavalo e toda a cabeça se protege e esconde sob um salvador e clássico toque de veludo.
As linhas elegantes do jovem corpo, que no espaço de dois ou três anos serão chamadas de curvilíneas, não se perdem entre a passagem do maillot para as estreitas calças de montar, vulgo breeches.
Agora, o som dos cascos da égua Nur, substitui com nobreza rural, a anterior melodia cortesã das leves teclas do piano afagadas por Miss Caroline e a imensurável força do corpo, que era obrigatoriamente ocultada, no rigor de movimentos falsamente leves e subtis como plumas, é neste momento brutalmente evidente na pujança de uma cedência à perna, que se quer executada na perfeição que um Lusitano merece, sob o comando de uma voz austera inspiradora na confiança e no saber.
Já não se ouve Mozart, Chopin ou jazz, mas sim a dor do fado e o orgulhoso flamenco.
E assim se passam anos, onde comungam em harmonia splits, hops, amalgamations, kicks e tendus por entre trabalhos em encurvação, mudanças de mão, trotes médios, encostos à rédea de fora, cabeças ao muro, passos largos e galopes contra o vento.

segunda-feira, 23 de março de 2009

porcos, feios e maus


Na disciplina de História, aprendíamos as características das várias classes sociais: povo, burguesia, clero e nobreza. Hoje em dia muitas mais existem; a classe dos condutores, dos políticos, dos fãs de hipermercados, das toupeiras dos centros comerciais, dos consumidores de junk food, dos pais demissionários, a malta do futebol e venha o Diabo e escolha.
Poucas coisas me repugnam mais em Portugal, do que o mundo do futebol. Não há quase nada, ou quase ninguém que escape.
Para já é um 'desporto' para maricas, pieguinhas e meninos da mamã mimados e malcriados. Fiteiros de primeira, passam a vida no chão aos gritos, agarrados ao tornozelo, a escarrar para o ar, a berrar palavrões, a pregar rasteiras ao adversário e a crescer para cima do árbitro.
Dão socos nos árbitros nos mundiais, cospem na cara do adversários em frente às câmaras, insultam os adeptos com as mãos, atiram medalhas e taças para o chão, racham cabeças, provocam lesões graves intencionalmente, espetam murros aos seleccionadores se não os convocam e depois como castigo, ficam sem jogar dois ou três joguinhos, vão para a comunicação social mandar bocas e são os heróis dos seus adeptos mentecaptos.
Têm um óbvio problema com disciplina, formação básica e profissionalismo. São o exemplo perfeito para mostrarmos aos nossos filhos e daí eu ser apologista o mais possível, de que se leve cada vez mais as criancinhas ao futebol. Não existe ecossistema melhor, para a formação do Homem.
Burgessos ao mais alto nível, não há como eles para saber como misturar em harmonia a enorme fivela do cinto Dolce e Gabbana, com um cap Gucci, uns jeans Armani e um polo Ralph Lauren.
Os treinadores idem. Na maioria são uns incompetentes com o rei na barriga, incitadores a desavenças, antipáticos, com um nível de formação no mesmo patamar dos seus pupilos, quase nenhum tem um penteado que se aproveite e falam um dialecto estranho, quase incompreensível.
São sempre os primeiros a falar do árbitro, mesmo que o jogo ainda não tenha sido realizado.
Depois a subclasse de presidentes de clubes, dirigentes de federações, de ligas e ligas e ligas e mais ligas.
Cambada de corruptos, mentirosos e impostores, novos ricos, histéricos, palhaços de passado suspeito, com pretensões campónias de governarem uma mini-nação, só porque na escola básica nunca foram escolhidos para delegados de turma e não faziam parte da equipa de futebol, lá do campo de terra.

Passam a vida a ser investigados pela judiciária, fogem do país porque têm informadores no local e na hora certa, passeiam no estrangeiro à vontade, confiscam-lhes bens, vão a tribunal e escapam sempre, mais uma vez ganhando o papel de heróis exemplares perante a obcecada tropa de adeptos.
Os árbitros têm um ar de infelizes que até metem dó. Têm medo dos jogadores, medo dos treinadores, medo dos jantares pagos com os dirigentes dos clubes, ou com os seus mandantes, medo de apitar, medo dos cartões, medo de pisar a relva, medo das 'luvas', medo dos outros árbitros, medo dos adeptos, medo de voltar aos balneários, medo de ir para casa, medo de atenderem o telemóvel, medo de receberem uma sms. Medo, muito medo.
E os jornalistas que entrevistam os jogadores logo a seguir ao jogo? E o comportamento primata dos adeptos, quando após um jogo vêem uma câmara de televisão ou alguém de microfone em riste? E a violência das claques, digna de qualquer guerra de ódio mortal e cego? E os seus cânticos, de fazer inveja ao PNR? E as gordas dos jornais desportivos? E as mortes nos estádios? E quando o início de um telejornal nacional, é uma vulgar notícia sobre futebol?
E finalmente, a creme de la creme: os comentadores desportivos. Mas haverá programa mais desprezível, abjecto, qual varinas na praça, do que aqueles que falam horas a fim, sobre os jogos de futebol?
E gritam, e insultam-se, e zangam-se a sério, e vêem imagens que mais ninguém vê, e sonham, e deliram, e acreditam no que estão a vociferar e são pagos! E são ouvidos! E têm audiências!
E usam gravatas da cor do seu clube! Meus Deus, gravatas da cor do clube!

Oh eruditos colóquios de taberna, nas tardes de domingo, voltem que estão perdoados.

sexta-feira, 20 de março de 2009

vírus* num blog sério e familiar #1

michael vartan

Bom fim-de-semana!
(agradeço que limpem as dedadas do ecrã antes de se retirarem)


*atéquinfim

quinta-feira, 19 de março de 2009

biografias #2


Maria Apolónia nasceu do outro lado do mundo, em Melbourne. Filha de emigrantes portugueses na Austrália que para lá partiram atrás da vã fortuna, mas deixando em Lisboa o coração.
Quando o marido morreu, a mãe resolveu pegar na trouxa e nos filhos, regressando à pátria no primeiro barco.
Maria Apolónia tinha somente a instrução primária, mas como dominava a língua inglesa, arranjou facilmente emprego como mulher a dias na casa de um poeta, que vivera muitos anos na África do Sul e que engraçou com o sotaque dela.
Gostava muito do seu novo trabalho, o patrão pouco mais lhe exigia do que manter a casa limpa e a roupa devidamente tratada. Com as refeições não se preocupasse, pois ele comia quase sempre fora de casa. Só lhe impunha uma rigorosa e única condição; que não tocasse nunca nas centenas de papéis que tinha espalhados pela casa. Era uma espécie de biografia dele, e de um tal de Bernardo e não podia perder nem uma folha.
Credo Sr. Pessoa, Deus que me livre tocar nessa papelada toda cheia de letrinhas inclinadas! Nem eu saberia dar ordem a tanta folha e depois, ainda ficava para aqui com o coração num Desassossego!
Maria Apolónia tinha o patrão como um homem muito educado e calado, tímido até, mas quando recebia os amigos e se fechavam todos no escritório, aquilo eram discussões de meia-noite, vozes alteradas, discursos inflamados, declamações poéticas, enfim, um ror de conversas exaltadas. Como é que um homem tão pacato, se identificava com amigos tão barulhentos e contraditórios?
Muitas vezes diziam palavras e frases que ela não entendia, pois nunca as tinha ouvido na vida, como metafísica, filosofia, engrenagem, via láctea, infausta esfinge, embalsamar ou subjectividade objectiva. Mas noutras alturas, Maria Apolónia compreendia tudinho e até apontava na lista de compras de tão bonitas que eram as expressões que escutava; querer mais é perder isto, Tejo e tudo, todos os sonhos do mundo, verdes campos, os paquetes que entram de manhã na barra, coroai-me de rosas e de folhas breves, a natureza é partes sem um todo e o menino Jesus adormece nos meus braços.
Nunca vira os amigos do senhor Pessoa, quando ela pegava ao serviço eles já lá estavam trancados no escritório com o patrão. Mas sabia identificar cada um deles com todos os pormenores, como se lhes tivesse posto a vista em cima, com os dois que a terra haveria de lhe comer.
O senhor Álvaro era o mais exaltado e parecia-lhe que nunca se sentia bem em lado nenhum, tanta era a refilice. No entanto, achava-lhe alguma piada porque ele dizia muitas palavras em inglês que mexiam com as suas memórias. Passeava-se bastante pela capital, Lisboa Revisited, como ele gostava de repetir sem se cansar e fregueses como ele, também devia haver muito poucos, pois gastava sempre, sempre na mesma Tabacaria.
Era um pouco cínico e até houve aquela vez, que troçou das cartas de amor que o senhor Pessoa escrevia à sua amada, a menina Ofélia, chamando-lhes de Ridículas! Mas se o patrão não se ralava, também não era ela que se ia incomodar com o assunto.
Ao médico, o senhor Ricardo, achava-o muito gentil e tinha a certeza que ele sentia uma enorme paixão pela botânica, pois falava muito de flores, grinaldas, folhas, primavera, magnólias e a sua voz enchia-se sempre que falava de rosas. Ou se calhar, arranjara um namorico com alguma vendedeira da ribeira. Fosse o que fosse, os outros chamavam-lhe de bucólico e quem era ela para os contradizer.
Mudou-se para o Brasil, que aquilo de repúblicas não era nada com ele. Nunca, mas nunca mais soube nada do senhor doutor, nem sequer quando morreu.
E o senhor Alberto?
Ai o senhor Alberto... que criatura encantadora! O que Maria Apolónia o venerava.
Via-se logo que era um homem simples, mas todos lhe tinham grande respeito, ah pois! Mal ele começava com aquelas poesias sobre os pastorinhos e os rebanhos, fazia-se um silêncio profundo naquela casa e as suas palavras ecoavam por todo o bairro. Maria Apolónia é que não era mulher dada a ocultismos e astrologias como o senhor Pessoa, senão, até podia jurar que aqueles versos iriam voar através dos tempos.
Conseguia imaginar a cara de espanto daqueles amigos, fechados no escritório e deliciados a escutar tamanha beleza.
Era um Mestre o senhor Alberto, oh se era!


terça-feira, 17 de março de 2009

rosa

foto fanciful twist

Há muitos anos que não vejo telejornais e se eles, matreiros, me apanham distraída e se intrometem no meu caminho, troco-lhes as voltas, tiro-lhes o som, ponho alto um cd, mudo de canal, desligo a televisão.
Esta minha negação assumida, de impedir que a realidade me entre pela vida adentro a toda a hora e sempre que lhe apetece, faz-me recordar a Rosa das saias de folhos.
Era uma 'maluquinha' que durante muitos anos passava à porta da nossa casa, rindo sempre alto, tinha conversas desconexas consigo mesma, criava vozes, respondia-se, dançava à volta das crianças, abraçava os animais, nunca fez mal a uma mosca.
Vestia sempre compridas e rodadas saias de folhos, lenços no cabelo, colares de mil voltas e pulseiras barulhentas. Toda ela era uma festa.
Nunca ninguém a evitou, teve medo dela, enxotou ou sequer lamentou. Rosa era quase igual a todos que morávamos naquela rua, com a única diferença de que era mais feliz que nós. Mas pouco ou nada a entendíamos.
Um dia regressou de um dos seus habituais períodos de internamento, totalmente diferente.
Depois de uma crise mais forte que o habitual, teve de ser medicada com uma dose de peso. Passeava agora na nossa rua de cabeça sempre baixa, roupa discreta e sem folhos, rezava baixinho, não nos conhecia, não brincava com as crianças e fugia dos cães.
Às vezes levantava a cabeça para o céu, andava à roda sem parar e dizia a chorar, ai mundo que não gosto nada de ti desta maneira.
Foi essa a única vez que a percebemos e tivemos pena dela.
E penso que de nós também.

quinta-feira, 12 de março de 2009

a lírica


Naquela manhã, o poeta acordou entusiasmado pela primeira vez em muitos anos; vivo e inspirado.
Sonhara com Lianor, a donzela do pote equilibrado na cabeça, que seguia formosa e desta vez muito segura e confiante, direita à fonte onde combinara encontrar-se com ele.

Lianor, a linda e bucólica Lianor, que se passeia descalça pela verdura; Lianor de olhos cândidos, onde aliviado lê o amor que ela lhe tem, Lianor que o aguarda a meio dos seus versos.
O poeta saiu de casa a correr e numa alegria exultante, cumprimentou de forma efusiva todos os vizinhos, todas as crianças, todos os animais...as pedras da calçada. Ria de tudo e de nada, o amor viera finalmente fazer as pazes consigo sem sofrimentos, sem cativeiros e sem coisa alguma de fatalismos ou desgraças.
E mil versos perfeitos já lhe desciam ao pensamento, definidos nas rimas emparelhadas, interpoladas e cruzadas, para jogarem com mestria em composições líricas de erotismo comedido.
Eis que distinguiu Lianor junto da fontana fria, que de cabelo de ouro entrançado mas totalmente encharcado, se encontrava estatelada no chão segurando nas mãos de prata, a fita de cor de encarnado.
E rodeada dos cacos do pote, gritava furiosa: ai malditas abelhas que não largais nunca a fresca água da fonte; pragas demoníacas que já me fustigastes a manhã; oh maldito poeta, que não soubestes escolher outra estrofe menos escorregadia deste poema, para vos encontrardes comigo!

E Luís, perante o estrondo que aquelas palavras provocaram na sua alma, ainda há minutos em pleno júbilo, pegou entristecido na pena e no papel e em agonia principiou a escrever...

Aquela triste e leda madrugada
cheia toda de mágoa e piedade
...
...

quarta-feira, 11 de março de 2009

percepções II

foto style files

Tem sido nas dúvidas e nas hesitações, no inusitado de inesperadas circunstâncias e até no receio de cometer um equívoco, que dou por bem empregue o tempo em que venho fazendo companhia a mim mesma.
Sigo, questionando-me em diversas ocasiões e nem sempre me consigo responder, mas cada vez menos me engano a mim própria.
E a moral da história nem sequer pretende ser muito sabedora ou pretensiosa, simplesmente sei que comigo estou segura.

terça-feira, 10 de março de 2009

por dentro

ilustração de matthew woodson

Carregamos muitos defeitos, o que não deve ser um problema se os trouxermos devidamente identificados.
A preocupação estará nas qualidades que desconhecemos possuir, porque ainda não buscámos uma oportunidade de as demonstrar.

domingo, 8 de março de 2009

solar cooking (dia internacional da mulher)



A necessidade vital de sair dos campos de refugiados, para procurar lenha para cozinhar, será dos maiores perigos que as mulheres que estão no Darfur, ou nos campos do vizinho Chade, enfrentam diariamente.
Tornam-se presas fáceis e vulneráveis perante os constantes ataques, espancamentos, raptos e violações das milícias rebeldes. Assim, o simples acto de aprovisionamento de um bem primário e primordial à sobrevivência da família, torna-se no maior dos riscos.
Os fogões solares foram introduzidos nos campos, num esforço de reduzir a dependência da lenha e melhorar a segurança destas mulheres. Têm ainda a capacidade de pasteurizar a água potável, reduzindo o risco de doenças, principalmente nas crianças, evitam os incêndios e reduzem os danos que o fumo provoca na saúde.
Este projecto, da responsabilidade da Jewish World Watch com sede na Holanda, protege as mulheres dos ataques fora dos campos e fornece-lhes outras oportunidades, como produzirem elas próprias os fogões solares, que têm de ser substituídos cada seis meses, ajudar outros a aprender a cozinhar desta maneira inovadora e tornarem-se assim formadoras.
Dois fogões solares são o equivalente à poupança de uma tonelada de lenha por ano.

A cozinha solar salva vidas!


Hoje não quero caixas de bombons, ramos de flores, jantares especiais, cartões com pieguices; não preciso.
Neste campo de Iridimi, vivem mais de 17.000 mulheres e crianças e enquanto houver uma só
mulher discriminada, este dia faz todo o sentido para mim, não devia ser questionado e tenho arrumada a questão.

sexta-feira, 6 de março de 2009

sorrisos desde Darfur


"O Tribunal Penal Internacional de Haia, deu ordem de prisão contra Omar el-Bashir, presidente do Sudão, por crimes contra a humanidade e crimes de guerra em Darfur. Um feito sem precedentes na história deste conflito; é a primeira ordem de prisão do TPI contra um chefe de Estado, desde que o tribunal começou a funcionar em 2002.
Omar el-Bashir derrubou o governo democraticamente eleito de Sadek el-Mahdi num golpe de Estado em 30 de Junho de 1989, apoiado pelo Frente Islâmica Nacional.
Desde 2003 que a população do Sudão tem sofrido, indefesa e vulnerável, todo o tipo de crimes por parte das forças governamentais e das milícias yanyawid: contam-se 300.000 mortos e cerca de 2.5 milhões de desalojados, já para não falar na violência contra mulheres e meninas.
Tudo isto, perante uma comunidade internacional que não só não soube reagir a tempo, como, no caso da China e da Rússia, forneceram armamento, violando o embargo de armas decretado pela ONU.
Durante estes anos, a Amnistia Internacional colocou todos os seus esforços na tentativa de mobilização de todos os cidadãos possíveis, para exigir a protecção da população civil, o cessar fogo, o embargo de armas, através de campanhas de pressão política que levaram a sua secretária geral, Irene Khan, a missões de alto nível na zona, em várias ocasiões.
A Amnistia espera que Omar el-Bashir se entregue imediatamente para ser julgado. Se assim não for, as autoridades sudanesas devem assegurar que seja detido e entregue de imediato perante o Tribunal Penal Internacional.
E garante que seguirá este assunto de perto, porque não só afecta o Sudão, como todos os habitantes do planeta".

Mensagem recebida hoje do site da Amnistia, ao qual me associei há três anos.
Mais novidades da Amnistia sobre Darfur, aqui.

Eu queria muito acreditar que sim; que ainda é possível fazer-se alguma justiça neste mundo.

quinta-feira, 5 de março de 2009

biografias #1

foto apartment therapy

Jessica Soraia, portuguesa emigrada no Reino Unido em Lincolnshire, é uma empresária de sucesso no ramo das compotas e fundou a Pear Rocha Jam, sem rival em todo o condado.
Jessica Soraia, nasceu prematura na húmida aldeia de Nadrupe, na freguesia da Lourinhã e nem houve cá tempo para berços, cueiros ou choros, que a mãe tinha a lida do campo nas costas e precisava de sustentar a família.
Aconchegou-a ali no momento, dentro do cabaz de vime, com as mesmas mantas que tinham servido
para os irmãos e pôs-se a mexer, direita aos seus pomares de Pêra Rocha, a fruta rainha que exportava para Inglaterra.
Jessica Soraia, que desde nova demonstrou mão para a terra, para o negócio e para o cabo da enxada, sonhava ir atrás das camionetas que levavam as pêras e inscreveu-se num curso intensivo de inglês, onde aprendeu a dizer entre outras palavras, jam, land, pound, my dear, princess Diana, Cristiano Ronaldo e mind the gap.
Quando tinha dezoito anos, foi pedida em casamento pelo 'Toino José que estava de visita à terra em Agosto, altura das festas em honra de Nossa Senhora da Graça.
Era rapaz com poses, filho de emigrantes no Reino Unido que tinham investido as suas economias na indústria panificadora.
Vivem hoje em Lincoln
, numa grande propriedade rural, estão plenamente integrados na comunidade e os filhos Samantha Raquel e William Augusto, frequentam colégios privados.
Na foto, podemos ver Jessica Soraia com a sogra, Maria Adozinda com quem criou recentemente uma forte parceria, exibindo a sua nova e revolucionária aposta; pêra rocha em conserva para uso exclusivo em tartes macias.
Com este novo produto, Jessica Soraia pretende destronar a ancestral e poderosa apple pie.

-.-.-.-.-.-.-.-.
Digo eu, sei lá...

quarta-feira, 4 de março de 2009

de comer com os olhos


Há momentos em que pura e simplesmente estaco. Literalmente.
Arregalo os olhos e esfrego as mãos.
Nunca sei por onde começar e muito menos terminar.
Na distância entre o corante e o conservante, tudo me pertence.

E vocês? Não resistem a quê?

terça-feira, 3 de março de 2009

os descompensados

foto liberty blog

Até podia ter sido um dia perfeito, agasalhado de sol e de céu sem mancha, não fora a paisagem humana que resolveu toldar-me o mar.
Desfile antecipado de corpos incautos passeando pela esplanada, que sofismados pela chegada do verão em fevereiro, patenteavam pernas desbotadas, cambiadas aqui e ali com manchas avermelhadas de uma depilação histérica, executada com uma urgência caseira no duche daquela manhã.
Rabos descaídos de semblante triste, que pouco tonificados das escassas horas de ginásio, se lamentavam desconsolados por não caberem ainda na tanga brasileira do agosto decorrido. Bochechas flácidas, ainda ontem reprimidas, contudo protegidas pelo vigor da ganga, eram agora apanhadas de surpresa pelas picadas da areia e gritavam suplicantes, porquê, porquê; oh meu Deus porquê?
Infelizmente, também eu apavorada por me encontrar presente na primeira fila de um espectáculo para o qual não comprei bilhete, não lhes soube responder.
O estrado de madeira onde assenta esta minha esplanada favorita, foi sadicamente arranhado e marcado sem remorso, por calcanhares de escama grossa, que maturados e conservados durante mais ou menos cinco meses, dentro do calçado fungíco de inverno, se assemelhavam em cor e textura ao popular queijo parmesão.
Tops, vestidos de alças e biquínis nitidamente amarfanhados e com uma familiar fragrância, própria de quem esteve muitos meses em clausura no fundo de um qualquer armário, mal conseguiam dissimular o cruel castigo infligido às axilas, sofrivelmente depenadas.

Eu também vesti roupa mais fresca nesse sábado, usei chapéu, peguei no carrego de livros, no lápis e no bloco de linhas e saí de casa mais cedo, para aproveitar ao máximo o presente do bom tempo e esplanar até fartar. Mas toda a vida janeiro foi janeiro, fevereiro foi fevereiro e março foi março, mesmo que houvesse neles belíssimos dias de sol.
Há qualquer coisa de pré-histerismo, um início de propensão ao desequilíbrio, um desarranjo que começa a ser notório neste meu país.
As pessoas gritam por socorro, só que não se ouve.
Ou será que não? Que não gritam e que se estão nas tintas e que venha o que vier?

segunda-feira, 2 de março de 2009

depende

foto de su blackwell

Escrever será um quase tudo de muito esforço e um quase nada de talento.
Depois virão a imaginação e a criatividade, que apesar de já lá estarem, só entrarão mais tarde.
Ou antes de tudo.
Ou então ao mesmo tempo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

quem é amiga, quem é? #3


O site brasileiro Domínio Público, é uma biblioteca digital de software livre, isto é, tem disponível gratuitamente na internet e de uma forma legal, livros para download
, colocados à disposição de todos os utilizadores a nível mundial.
O Alessandro, no seu blog Livros e Afins, fez uma escolha dos 1.997 livros mais 'baixados' e vocês podem ir buscá-los aqui e imprimir.
São livros e livros que nunca mais terminam, cujos autores permitiram que chegassem a toda a gente, ou de autores que morreram há mais de 70 anos.
É facílimo. Vão .
Bom Carnaval e até Março.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

desafio


Tomei a decisão de não aceitar mais desafios ou correntes, mas tenho alguns em atraso e este é um deles. A simpática de dentro da fora, a quem se juntou a querida Luísa, pediram-me que do livro que eu tivesse à mão, transcrevesse a 6º frase da página 161.
Sempre tive o hábito de ler vários ao mesmo tempo, sem que histórias e personagens se metessem na vida uns dos outros e entre esses estão sempre os livros que gosto de reler. E então foi num desses que peguei, já pela terceira vez na minha vida e que faz parte da minha lista top 10: O Retrato de Dorian Gray.
E diz assim a 6ª linha (e já agora a 7ª e a 8ª) da página exigida: "Mas que importava? Que tinha Dorian Gray a ver com a morte de Sibyl Vane? Não havia nada a temer. Dorian Gray não a tinha assassinado".

À boa maneira de Wilde (onde ele próprio também se inclui), dos melhores a retratar a vaidade, a futilidade, a hipocrisia e o culto da falsa aparência, que o Homem tanto pratica no dia a dia, este livro terá sempre a capacidade de resistir ao tempo.
Podia ter sido escrito hoje.
Dorian Gray, será uma cópia de tantas pessoas que pensamos conhecer, mas que depois revelam ou deixam a descoberto os mais inusitados e até desagradáveis aspectos do seu interior, persistindo contudo em encapotá-los.
Este livro continua a ser extraordinário, porque a cada releitura de uma nova página, descubro sempre novas analogias, paralelos e imagens à vida e às pessoas de todos os dias.
Ainda bem que não sou nada de deslumbramentos ou de criar grandes expectativas salvo claro está, um bom prato de comida e os olhos dos animais.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

bestseller


Um brinco de pérola antigo, sem par; um alfinete-de-ama que já não prende fraldas de pano; uma fivela baça de um cinto que nunca serviu de castigo; um frasco de cristal com terra negra; o vinil quebrado daquela música pop; um molho de carta enamoradas, ainda perfumadas; uma chave ferrugenta de um coração fugitivo; um cadeado que trancava desgostos; um gancho que sustentava paixões; um botão sem casa própria; um pedaço de âncora com pouco fundo; um anel de compromisso que nunca foi assinado; um par de botões de punho por estrear; uma moeda de vinte centavos; um livro de poemas sublinhado; uma fita de cetim branca; duas fotografias sépia de uma casa colonial; uma roca de prata com cabo de marfim; um desbotado passaporte para São Tomé e um caracol louro bebé, guardado num medalhão.

Pequenos objectos sem valor dentro daquela caixa de charão, foi o que recebeu como herança e sem esperar, um homem simples que andava em busca de si.
Folheou peça a peça como se fossem páginas cheias de história, identificou cada nota musical que soava dos objectos e avistou no fundo de cada um, vidas guardadas pelo tempo.
Diz quem sabe das coisas, que é assim que nascem os grandes livros.
Aparentemente do nada.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

percepções I

Cada vez mais, penso que me vou conhecendo melhor, quando dou de frente com pedaços de mim pendurados e semeados pelo caminho. Olvidados.
Afinal não era pisar sem rumo. Pontas soltas, que apenas aguardavam em silêncio pelo momento da laçada certa.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

abstinências


Neste domingo, presenteado finalmente com um sol déspota, a menina do bar da praia colocou na minha frente, lá pelas três da tarde, uma taça redonda onde uma alma artista escondida na cozinha, desenhou com rara sensibilidade aquela nutritiva aguarela texturada de sabores.
A emoldurar a tela, finas meias luas de fibrosa manga laranja, minúsculas sementes, quase lágrimas que escorriam do tomate cherry e uma chuva miúda de uva engelhada, chamada de passa doce.

No centro da pintura, desmaiava levemente ébrio do banho de mel de rosmaninho, um generoso pedaço de cândido requeijão, aninhando no seu colo espevitadas nozes douradas, que preocupadas com a eminência de me secarem o prazer da refeição, aconselharam-me com urgência que estivesse devida e prudentemente amparada pela sempre saudosa caipirinha de verão.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

no paraíso


Briolanja Maria era mulher-a-dias, em casa de patroa fina com bastante requisito e trabalhava desde muito nova, para ajudar a levar o pão à boca da família pobre de seis irmãos.
Desembaraçada, lavava o chão à antiga, de joelhos; esfregava tectos trabalhados; areava pratas com história; raspava gordura entranhada das juntas dos azulejos; sacudia tapetes de tamanhos eternos; estendia quilómetros de varais, com roupa cheirosa e deixava para o final da tarde, aquilo que mais gostava de fazer: engomar.
E enquanto investia horas a fio em vincos impolutos, dobras simétricas, pregas desenhadas a preceito e colarinhos honrados, Briolanja Maria, sonhava com o romântico enredo da novela das nove.
Na sua cabeça vazia de novidades, mas plena de rotinas, idealizava o seu próprio argumento dando a si mesma o papel de rapariga protagonista, radical e temerária, numa história de arrojadas aventuras, cheia de desafios intrépidos na natureza.
Imaginava o galã Carlão José, moçoilo vigoroso e condiscípulo de Neptuno, a pegar-lhe ao colo com um só braço e a atirá-la para o meio das ondas, onde lhe ensinava as manobras básicas do surf, drops, cutbacks, duck-dives, off the lips e reentries.

Rebolavam abraçados na areia molhada, comiam peixe cru em folha de palma, sob um sol escaldante, Carlão trepava ágil ao coqueiro da praia e no fim do dia, colocava-lhe uma flor de hibisco no cabelo e segredava-lhe apaixonado, eu tchi amo bêleza!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

do belo


O valor do que se escreve, não está na escolha das palavras, mas sim naquilo que se vê.
E os olhos com que vemos a beleza das coisas, não nos diz respeito a nós, só a elas.
Assim, sem mais explicações.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

comércio tradicional


Olá Sr. João, bom dia, cumprimento-o eu todas as manhãs.
Bom dia menina, ora viva! Trata-me assim, há mais de trinta anos; menina.
Sempre foi velho, mesmo quando não o era.
Senta-se corcunda naquela eterna cadeira de taberna, que ruge guinchos estridentes no chão de pedra mal lavado e encaracola-se sobre a secretária antiga de carvalho gasto, dividida no tampo por uma racha profunda, já negra do tempo.
Diz-me que é a única peça de época; D. José, orgulha-se ele.
Lê fazendo caretas, de óculos empoleirados na ponta do nariz, a secção de obituário do jornal diário.
As velharias, a sucata e os cacos partidos que expõe na loja, são os mesmos de sempre, dispostos sem jeito ou método; amontoados uns sobre os outros, sem qualquer cuidado. Carregados de pó antigo.
Sabe menina, quando eu coloco a quinquilharia toda ao molho, é para espevitar a curiosidade da clientela. Pensam imediatamente que sou um velho tonto e que devo ter para aqui, debaixo deste lixo todo, alguma relíquia perdida sem saber.
E olhe, que acabam sempre por levar qualquer porcariazita, na ilusão que fizeram uma grande compra.
E eu, nem a boca abro.

O pó, soube também eu nessa manhã, faz parte da sua estratégia de marketing de vendas.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

hoje não escrevinho nada

Escrevinhem vocês.


"A humanidade leva-se demasiado a sério. É esse o problema original do mundo. Se o homem das cavernas soubesse rir, a História teria sido muito diferente".

Lord Henry, in O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

quem é amiga, quem é? #2

Descarreguem a neura, o stress, o chilique, o esgotamento, a síncope, o desânimo, o desvanecimento, a neurose e a apatia que se abate sobre vós, quando o Inverno se instala.
Para os mais controlados, piquem bolha a bolha. Aqueles que têm a mente mais desarranjada do clima, seleccionem Manic Mode e deslizem o rato.

Vá vizinhança, tudo a postos? É só clicar na imagem e bom fim-de-semana.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

há quem esteja só de passagem


Caminhou toda a existência de cabeça baixa, habituado a obedecer e servir sem reticências, nunca deu por nada, por coisa nenhuma, sequer deu por si.
Não soube que a vida é um momento breve, a felicidade um instante e a luz do dia um veloz clarão.
Quando o chamaram pelo nome que não sabia ter, nem ligou. Foi preciso insistir, para que acordasse os olhos das pálpebras e olhasse para quem lhe gritava.
Era a vida, que reparando finalmente nele, o vinha chamar para a cumprir.
Morreu de imediato, logo ali, em cinco ou seis segundos.
Chamava-se Efémero.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

vetusto


Órfão triste, de faqueiro de prata antigo, ficara de repente sozinho, depois da última colher de sobremesa se perder e no entanto, conseguia destacar-se ainda no seu posto, pela luz que só os objectos nobres possuem.
Sempre de cabeça erguida, vivia das lembranças dos reais jantares de cerimónia, em que era exibido com orgulho, limpo com cuidado e guardado sobre um estojo de couro perfumado e assento fofo, depois de dignamente alisado o lustro.
Um pouco torto no dente do meio, riscado do tempo nas costas e amolgado das pancadas da vida no cabo amarelecido, não se abatia porém com a velhice e exibia com grande soberba e jactância, a marca contrastante que o diferenciava de todos os outros metais.

(música surripiada, um dia destes na Luísa)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

quem é amiga, quem é? #1

Vá, suas alminhas citadinas, levem lá umas ervinhas para o tempero, plantadas tal qual um openfield.



E mais outras, na versão minifúndio.

É só clicar nas fotos, ver os vídeos de explicação e encomendar.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

hoje ia falar de doces, mas...

Afsaneh Nowrouzi, sete anos no corredor da morte

Há pelo menos três anos, que me associei ao site oficial da Amnistia Internacional, que na altura uma amiga me enviou de Espanha. Desta forma, através de petições absolutamente acreditadas e sérias, eu pude dar o meu nome, sempre que os direitos humanos estivessem em causa. Hoje chegou-me esta petição, para tentarmos impedir a morte de dez pessoas por apedrejamento, no Irão.
Crime bárbaro em pleno séc. XXI, que é infligido a homens e mulheres casados, acusados de cometerem adultério.

As pedras utilizadas não podem ser nem muito pequenas, para causarem dor, nem muito grandes, para não matarem de imediato o condenado. A intenção não é apenas a morte, mas sim o sofrimento até ela chegar.

Eu já assinei, como assino praticamente todas as petições que me chegam através da Amnistia. Quem quiser poderá fazê-lo aqui.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

tardes bem passadas

foto de christophe gilbert

Grandes comensais, gente exacerbada, convulsiva e barulhenta, que respira fritos, carnes vermelhas e bebidas gasosas pelos olhos. Gente que se move truculenta e pesada e gargalha sem parar, sempre que apalpa com o pensamento meninas do liceu, carregadas com tamanhos xs de berskas, pulles e stradivarius, que por muito que forcem o poliéster, jamais lhes caberá a preceito no corpo novo, mas já mole e indolente.
Entre a gordura das mesas, desfilam também balconistas engravatados em nós largos e de tonalidades recentes, cor-de-rosa menina e amarelo pintainho, bem ao jeito de um comercial que se preze. Abancam numa mesa já suja, por muitos outros alguéns e descansam os parcos minutos que o turno lhes concede, enquanto observam desgraças iguais às suas.
Depois do calórico repasto, lá vão as gentes vadiar em voltas circulares, lavando as vistas em vitrinas repetidas vezes sem fim e adiando por mais uns momentos, o declínio da tensão de um falso domingo, que também já se foi. Gente que há momentos atrás, gozava em convulsão física e hormonal o calor transpirado de outros milhares, mas que chora agora ao voltar a casa, com medo do silêncio mortal da família que há muito se instalou.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

post não aconselhável a pessoas impressionáveis

Sempre que aqui no meu esconso refúgio, reflicto sobre o meu papel na sociedade, chego à prosaica conclusão de que a vida para alguns de nós, reserva existências magníficas e sublimes, sem qualquer mácula ou queixa. Ao passo que para outros, por muito que se renovem, que estiquem o pescoço, que gritem por ajuda e atenção, tudo se mantém igual, na mesmíssima maneira, tal e qual o primeiro dia.
Claro está, que ideias negativas e sombrias como a minha, não passam nem de perto nem de longe pela cabeça dos quilates de um diamante Cartier, de um gordo e exclusivo sabonete Ach Brito, que se envolve em perfumado papel de seda ou até pela efémera vida de um perfeito bombom belga.
Não, nada disso. Trata-se de vidas mansas e discretas, ao cuidado de mãos atenciosas, escrupulosas, nobres até.

Mas comigo não acontece o mesmo e sinceramente, não me vejo com grande futuro ou perante uma revolução radical nos próximos séculos.
Nada na minha vida é digno. Nem o meu emprego, a minha casa, a esquina da minha rua, o meu nome, o meu corpo e nem sequer a minha cor alva e límpida me safa; o branco.
Mas porque é que não me fabricam outra vez preto como os meus antepassados? Agora branco! Meus senhores, onde foram buscar a ideia de um piaçaba branco?

Pronto, até aceito o castanho...vá lá! Sempre faria pendant com a tonalidade do meu serviço.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

rescaldo de um aniversário

Obrigada Carlos, pela amizade e generosidade dos seus posts no Rochedo e no Delito.



Obrigada Pedro, por este post e ainda pela escolha do Ares, como blog da semana.



E muito obrigada querida vizinhança do blogobairro, pelos presentes via mail e pelas dezenas de comentários que deixaram no Ares, no post abaixo. Bateram o record!

E agora acabou-se esta minha mariquice, pieguice e lamechice, que ainda ando a apanhar serpentinas e confettis, a arrumar taças de champagne, limpar nódoas de caviar do kilim e preciso de preparar um post para amanhã.
E siga o blog.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

ares da minha graça I

foto minha

O Ares faz um ano.
E pela primeira vez não sei do que vou falar, o que dizer, sobre o que escrever.
Uma vez li qualquer coisa como: só quem tem um blog entende o que lá se passa e quem não tem, nunca entenderá. Percebem-me todos, não é? E é tão rápido este entender ...
As razões que nos prendem aos textos, aos temas, aos amigos, às visitas, aos comentários, às trocas e emoções são muitas, imensas e tão diferentes para todos nós.
Mas uma é igual, a partilha. A partilha de algo muito nosso, que no 'papel' flui muito mais naturalmente do que no nosso dia-a-dia.
Já se deram conta, que colocam aqui o vosso pensamento; pensamento esse, que antes, poucas vezes era exteriorizado e apenas guardado cá dentro, em conversas só nossas antes de adormecer? Estranho, não é?
Dividimos partes de nós, algumas íntimas até, com pessoas que nunca vimos, não sabemos quem são, não conhecemos de parte nenhuma. E depois, surpresa das surpresas, entendem-nos, identificam-se, comovem-se, falam e riem connosco!
Eu que falava comigo e sempre me respondi...
De repente, passo de um comentário para dez, para vinte, trinta, quarenta, dezenas deles e fico estupefacta de todo. Mas sei que o sucesso de um blog, não depende em nada do número de comentários que tem, mas do prazer que dá a quem o lê.
Depois, elogiam-me, arrepiam-me, emocionam-me, já me comoveram e também fizeram rir e horror dos horrores, puseram-me muda um par de vezes!
Muda eu, logo eu que tenho a cabeça a alucinar a toda a brida e vapor, sem rédea nem espora e que não há lapiseira que me trave.

E agora? Eu que escrevi sempre tudo na minha cabeça e que só passei para o papel a primeira frase da minha vida há precisamente um ano, digo o quê, faço como, agradeço a quem?
A todos.
Aos primeiros que chegaram, aos do meio que ficaram e aos últimos que aqui passaram.
E que este blog é muito mais rico na sua caixa de comentários, que no "publicar mensagem," dos sonhos que eu invento e clico todos os dias.

E no final, explico-me, a mim e a vocês, com frases breves que vos deixo:

Escrever não será nada mais do que isto. A forma que sem saber, encontrei de estar mais tempo comigo.
Às vezes só me faltava eu.

Novo post na segunda-feira. Até lá vizinhança.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

pusilanimidades


Botim de tacão grosso, ali bem justinho ao tornozelo gordo de pézinho de coentrada, onde terminava um par de leggings pretas de licra. Destas da moda.
Da anca bojuda e aglutinada, saía um bolo de noiva com vários andares, isto é, uma saia de tule branco, disposta em camadas consecutivas e esvoaçantes, chamadas de folhos. Loucos folhos, pensei eu, alucinados até.
Dentro de um top justo e impudico, distingui três pregas de estômago sobrepostas, nascidas de muitas refeições ligeiras, carcaças mistas com manteiga e galões matutinos com dois pacotes de açúcar.
Um pescoço elefantino e um queixo triplo, eram enfeitados com uma espécie de coleira plástica às bolinhas pretas e brancas e os braços grossos de estivador, mas sem aquela parte dos músculos, terminavam em pulsos barulhentos e ataviados da mais fina quinquilharia rocaille, que chocalhavam à medida que ela andava de lá para cá e de cá para lá.
Do penteado, que embrulhava sem cuidado no alto da cabeça um cabelo amarelo cor-do-pôr-do-sol, só posso dizer que era alguma coisa que se assemelhava à clássica banana dos anos 70. Que se assemelhava, reparem bem, eu só disse que se assemelhava, pois o meu parco vocabulário não me permite descrever melhor tal arquitectura capilar.
Falava alto. Muito alto. Altíssimo. Era no fundo a versão feminina do mostrengo do Pessoa e eu o Bartolomeu, de visão toldada e assustada com tamanha imensidão de carnes, curvas, texturas, cores e fluídos. Fluídos sim, que dela escorriam rios de suor, lágrimas de rimel, saliva desenhada a batom rubro e um batido de banana, que ameaçava esguichar-se-lhe do alto da cabeça a qualquer momento.
E de repente ... então sente-se bem? Já pode abrir os olhos, sua piegas, diz-me a enfermeira mais querida, meiga, pequenina, discreta, doce e suave do mundo.
Deixe-se estar deitada cinco minutos e depois pode ir embora. Viu como correu tudo bem, sem dramas, histórias de terror, fantasmas e pesadelos?

Dizes tu, pensei eu.
Odeio tirar sangue.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

boas maneiras


O meu preferido é a gamba da costa, com sabor a sal e mar. Mas o melhor mesmo, é partir-lhe a cabeça e chupar tudo com barulhinhos, porque sem barulhinhos não tem o mesmo sabor, a mesma graça, o mesmo gozo, a mesma satisfação. Mas é feio, confesso. E a comer não se deve fazer barulho.
Além de minha casa onde faço os barulhos que quiser, há outro local onde posso comer as gambas e as respectivas cabeças à vontade.
Num restaurante caseiro e familiar ali na minha rua, os donos, uma família modesta e de uma simpatia que já não se usa, tratam-me na sua maior simplicidade e respeito por: olá vizinha, 'tá boa vizinha, o que vai ser hoje vizinha, já escolheu vizinha, é a continha vizinha, adeus vizinha!
Ao início estranhei, depois habituei-me pois eles são assim mesmo, genuínos e eu gosto disso.
Querem lá ver sítio mais indicado, onde eu me sinta mais à vontade para comer as minhas gambas e fazer todos os barulhinhos sem qualquer espécie de pudor?
Da naturalidade tira-se o maior proveito.

sábado, 17 de janeiro de 2009

prémio


Têm-me oferecido muitos e muitos prémios ao longo de quase um ano de Ares da Minha Graça, que recebo sempre com imensa alegria, como se fosse a primeira vez.
Uns, já existem há muito e andam por ai a circular nos blogs, outros são pessoais e intransmissíveis, criados com muito cuidado pelos bloggers.
A partir de uma certa altura começaram a sobrepor-se uns aos outros, a chegarem todos de seguida e como não tinha tempo de os encaminhar logo, quando os queria atribuir já toda a gente os tinha. O mesmo aconteceu com os desafios e ainda tenho uns a dever.
Continuei a recebê-los feliz da minha vida e a guardá-los no slideshow, como continuarei a fazer, mas deixou de ser viável escrever um post sobre o assunto de cada vez que mo atribuíam e optei por deixar somente um comentário sentido de agradecimento no blog respectivo.
Muitos me foram dados pela Gi, Blue Velvet, Fada, F@, Olá, Gasolina, Nina, Filoxera, De dentro, Carlos, Si.
Esta semana recebi este, da Ematejoca, da Fugi e da Cristina Ribeiro. Abri esta excepção e resolvi postá-lo, pois além de ser o primeiro de 2009, é um prémio especial, só para mulheres.
Fica já de lado a ideia de discriminação, pois não se trata disso. Há coisas que são de todos, outras que são só de homens e outras só de mulheres.

E agora vou passá-lo à autora de um blog, que existe há muitos anos e de quem sou fã desde o primeiro dia que o Ares existe: Annie Hall e o seu Athila.
Quase cinco anos no blogobairro são de premiar.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

encontrei finalmente ...

foto apartment therapy

... o meu ideal de repouso e inspiração, num só local.
Uma lareira na piscina e verde a toda a volta.


Bom fim-de-semana, vou saber onde a casa está à venda.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

politicamente incorrecto

foto tea for purple

'Bora lá falar da tertúlia do D. José Policarpo. Sarilhos, disse o senhor? E disse muito bem! Sarilhos até é pouco, muito pouco.
Penso, é que depois das suas palavras estarem já publicadas na imprensa mundial, tem de se pôr a pau com as perseguições e atentados que podem vir por aí.
A pior crítica que lhe fazem, é ter sido o líder de uma religião, que proclama valores cristãos como amor ao próximo, ter proferido frases 'intolerantes' como: “Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam.”
Pois por ser líder, é que me satisfez aquilo que disse, pois não teve nenhuma intenção de fomentar qualquer quezília.
Devíamos estar fartos de ter medo de desenhar cartoons ou escrever livros sobre Maomé.

Eu falo daqui à vontade; já fui católica, apostólica e romana, sei a Bíblia de trás para a frente e de pernas para o ar, estudei o Alcorão, conheço pensamentos, discursos, lavagens, diálogos, imposições, ideias de amor, actos de misericórdia, filhaputice, padres, freiras, católicos extraordinários, católicos nojentos e católicos assim-assim. Fiz a minha opção em total e livre consciência, quando não gostei mais, afastei-me, pus de lado, apaguei, esqueci.
Conheço com os meus olhos e vivência pessoal, o trabalho de compaixão infinita que levam a cabo, membros e leigos da Igreja Católica, em países e locais deste mesmo Portugal, onde a pobreza é extrema, a miséria total. Sei da dedicação e do amor infinito que essa gente dedica a quem menos tem. Sei dos riscos que correm todos os dias, por só quererem ajudar e como colocam a sua vida em perigo a cada minuto, em troca de nada. Sei de crimes hediondos que a Igreja cometeu, sei dos seus pecados por atitudes cobardes de fechar os olhos à realidade, para proveito próprio, sei de casos de padres que cometeram atrocidades, que nem o Diabo se lembrou delas.
E como sei de tudo isto, como muitos de vocês também sabem, destesto generalismos, saídas de uma só porta ou cegos de olhos abertos.

Não concordo com a posição da igreja face a pontos fulcrais importantíssimos e vitais da nossa realidade, como a homossexualidade, medidas de prevenção da Sida, o papel secundário que concedem à mulher na Igreja e na sociedade, o uso de contraceptivos e muitas outras situações, faladas vezes sem conta em relação à não evolução da Igreja face aos dias que correm.

Onde os críticos de D. José Policarpo, uns racionais e outros falsos moralistas, viram intolerância eu vejo talvez imprudência, mas acima de tudo verdade, realidade e muita lucidez.
Não vejo racismo, preconceito e nada de
intransigência. É a minha opinião, tenho-a muito clara e nem crente, sequer já sou.
D. José Policarpo, que ainda no outro dia disse uma grande bacorada em relação à homossexualidade, que me fez ficar agoniada, a chá preto e bolachas de água e sal, na terça-feira não atirou esta frase da 'cautela' e dos 'sarilhos' para o ar. Não, a frase foi proferida num discurso onde também falou de respeito, diálogo, tolerância e onde prudentemente ainda disse: "Nós somos muito ignorantes, queremos dialogar com muçulmanos e não gastámos uma hora da nossa vida a perceber o que é que eles são. Quem é que em Portugal já leu o Alcorão? Se queremos dialogar com muçulmanos. temos de saber o bê-a- da sua compreensão da vida, da sua fé. Portanto, a primeira coisa é conhecer melhor, respeitar"
. A conversa durou mais de duas horas e foi muitíssimo esclarecedora, mas para variar a imprensa gosta é de parangonas, senão ninguém lhe pega e como o assunto Ronaldo já não estava a dar, toca-lhe de nos 'enfiar' com o patriarca, que sempre dá mais uma polémicazinha.
E o povo, que adora é falar de tudo e de nada, que ama uma boa peixeirada e tem uma varina dentro dele sempre à espera de berrar, engole uma frase e pimba. Eu li por aí, cada interpretação desta tertúlia, mais estúpida, ignorante, falsa e moralista que até nojo me meteu.
A mim, uma quase ateia - se é que isso existe.

Não me venham com discursos de mau exemplo de líder religioso, ideias pré-concebidas de esquerda, frases politicamente correctas ou generalismos de ocasião.
Não o ouvi em toda a entrevista falar em TODOS os muçulmanos, ouvi sim falar de um povo que em levando a sua religiosidade em todos os pormenores da vida, se torna muito difícil de dialogar. Porquê? É alguma mentira? Eu conheço vários, por razões que não vêm ao caso, que são pouco religiosos e que nem à estalada lá vão, tamanha é a tacanhez daqueles cérebros de papa.
Difícil de dialogar é muito leve, impossível é muito mais real.
Portugal não é um país onde se saiba de histórias trágicas de casamentos entre mulheres ocidentais e homens muçulmanos, mas noutros países europeus, como a França, Inglaterra e a Holanda, há em cada esquina histórias de verdadeiros infernos, raptos e até morte, de quem quis escapar e já não o pode fazer.
E muito fácil falar e arranjar argumentos bonitos e decorados, quando a realidade não nos toca minimamente.
Está a fazer-se uma tempestade num copo de água, de uma conversa que demorou horas e onde o respeito pela religião muçulmana nunca, mas nunca foi posto em causa. Este histerismo de algumas frases eloquentes contra o que ele disse, está muito próximo do exacerbo fanático de alguns muçulmanos, que até arrepia.
Os piores são os que aqui dão no cravo e em casa dão na ferradura.
Só faltou mesmo dizerem que o homem tem um jogo das cruzadas medievais na playstation e que tem cromos do El Cid, p' troca com o Papa, quando vai ao Vaticano!

E aqui vai um pouco de tolerância e amor ao próximo, nas palavras do Corão:
Ó vós que credes! Não tomeis os Judeus nem os Cristãos por amigos. Eles são amigos uns dos outros. Aquele de entre vós que os tomar por amigos é um deles. Alá não guia os que praticam o mal (...).
Ó vós que credes! Não escolhais para amigos esses que receberam a escritura antes de vós e os descrentes que fazem objecto de irrisão das vossa crenças (...).
E quanto a esses que dizem: "Olhai! Nós somos Cristãos". Nós fizemos uma aliança mas eles esqueceram a parte em que eram admoestados. Por isso fizemos despertar entre eles a inimizade e o ódio até ao Dia da Ressurreição quando Alá os informará dos seus trabalhos.

Mas quem é que de vocês não ficaria em pânico se a vossa filha lhes aparecesse com um muçulmano em casa a dizer, Mãe este é o Mustafá e vou viver para a Arábia Saudita, onde ele tem uma família imensa e muito unida e depois mudo o nome para Fátima como a mulher do profeta e não sei quando venho ver-vos de novo, porque o Mustafá diz que os voos são muito raros.
Diziam o quê? Inshala?
Por amor de Deus, Alá, Jeová, Buda ou lá quem é que vocês queiram rezar. Eu morria de susto, fazia-lhe uma lavagem ao cérebro com filmes, literatura e exemplos de vida real e não descansava enquanto não a pusesse a milhas do sujeito.
Ai o amor, o amor.. é tão lindo não é? Na ingenuidade da juventude então, até dá direito a ser-se estúpido, ingénuo, crédulo e tudo.

Não vamos também pensar que todas as mulheres muçulmanas são vítimas, ignorantes e desgraçadas. Muitas, são mulheres esclarecidas, que levam a sua religiosidade em consciência sem a imposição dos homens. Mas a grande maioria nem pensar pode! Aliás, pensar será um dos milhares de verbos que não existem no vocabulário feminino.
A comunidade muçulmana está magoada. Também eu estou, quando por exemplo sou testemunha de situações como noutro dia num supermercado, em que fiquei colada ao chão ao ver uma mulher muçulmana de burka, a escolher uns collants. Primeiro encostou-os ao buraco dos olhos para ver bem a cor e depois para verificar a elasticidade, teve de pedir ao marido se podia levantar a burka, para o fazer melhor. Foi revoltante a cena. Mas sorte a dela, que ainda pode andar à solta nos supermercados sem gps ou trela, a mostrar a cor dos olhos e a espessura dos tornozelos.

Chamem-me o que quiserem. Esta é a minha posição e lamento se se chocarem. De homens muçulmanos quero distância. Muita. Toda. Para todo o sempre!
Sou mulher não sou um objecto, como por exemplo pensa um país muçulmano riquíssimo e supostamente evoluído, como a Arábia Saudita, aqui.

D. José Policarpo foi o Bob Geldof de 2009.
O que o meu antigo líder religioso disse, é tudo tão verdade...


para mais esclarecimentos, ler aqui, do jornalista Carlos Narciso.