E não era?
quarta-feira, 29 de abril de 2009
,e (com vírgula antes)
E não era?
terça-feira, 28 de abril de 2009
biografias # 3
Viúva de um português rico, aventureiro e mulherengo, que numa das suas viagens ao Canadá, visitando as famosas cataratas do Niagára, se arriscou demais no passeio para impressionar a sua então amante e caiu, partindo para sempre deste mundo, junto com a queda da água para nunca mais ser encontrado.
Maria Leocádia, que o aguardava na sua fazenda em El Paso, recebeu a notícia do seu desaparecimento e pior ainda, que toda a suposta fortuna fora desbastada pelas inúmeras amantes do marido.
Vendeu tudo o que tinha, pagou dívidas, calotes e hipotecas do estupor com quem fora casada e abriu no centro da cidade, o Salão Social e Recreativo: Leocadia Falls.
E da esquerda para a direita temos ...
1ª- Filha adoptiva de fazendeiros do Mississipi, mortos por escravos revoltos, escapou por um triz à chacina, por andar nesse momento a cantarolar perdida no meio dos campos de algodão.
Arranjou trabalho na cidade, cantando em velórios, casamentos e baptizados. As músicas que saíam de dentro dela chegaram aos ouvidos de Leocádia, que logo tratou de lhe oferecer salário dobrado e protecção.
Os clientes mais sensíveis e refinados, perdiam-se de amores por aquela voz rouca e sensual, que aquecia os seus corações, entoando melodias aprendidas entre os negros das plantações, com letras cheias de conotações amorosas e sexuais.
Era ver os homens de Pulquéria Blueswoman, a suplicarem-lhe uma breve nota musical, uma simples frase mal cantada ou mesmo um som vago e mal definido e já os deixava em êxtase total. Nos seus aposentos vivia-se um ambiente de pré Rhytm and Blues.
'Açoites Cantados no Tronco' era o serviço que prestava, com mais sucesso entre os seus clientes.
2ª- Descendente de índios, mendigava esfarrapada pela cidade e em troca de comida, previa o futuro aos habitantes fazendo leituras em pêlo de búfalo.
Leocádia apanhou-a uma noite a vasculhar no lixo do salão, no beco das traseiras. O seu olho para o negócio, viu naquele rosto exótico um excelente investimento. Recolheu-a, amparou-a ofereceu-lhe protecção e decidiu chamar-lhe Hedviges Arizona.
A índia encantava os clientes, entoando cânticos em dialecto indígena, bamboleando o corpo com danças tribais e contando histórias sobre as antigas crenças do seu povo.
Envolvidos naquele ambiente pagão, mas ao mesmo tempo ignorantes e receosos do poder de toda aquela mística, que não sabiam ser muito bem encenada por Hedviges Arizona, era vê-los agora, pobres colonizadores, prestarem-lhe vassalagem e esquecendo guerras territoriais reduziam-se a meros objectos sexuais.
O fetiche mais requisitado pelos clientes era a 'Escalada ao Totem'.
3ª- Fora criada no coração de uma seita religiosa semi-secreta, no Utah. Fugiu, no mesmo dia em que soube ter sido escolhida para ser a 16ª mulher, do octogenário líder religioso e chefe da sua pequena comunidade.
Entrou no salão de Leocádia, altiva e dominadora, disposta a que jamais algum homem lhe desse ordens.
As exigências que fazia a todos aqueles que requisitassem os seus serviços, eram extremamente rigorosas. Os clientes teriam de jejuar durante quatro dias, construir-lhe um pequeno altar, chamá-la de Zita a Nova Luz e prostrarem-se sempre de joelhos diante de si.
Só assim poderiam subir aos seus aposentos, onde todos os serviços prestados eram realizados num ambiente negro e pesado, carregado de cheiro a incenso e iluminado aqui e ali por uma vela de luz ténue.
O fetiche eleito era 'Ao Encontro do Apocalipse'.
4ª- Descendente directa dos primeiros colonos ingleses do Massachusetts, exibia um sotaque britânico perfeito. O seu nível cultural era tão alto, que não conseguiu arranjar trabalho em nenhum lado e só Leocádia lhe estendera a mão, alcançando de imediato que ela seria a perdição total, do pequeno grupo de clientes masoquistas do salão.
Aquele restrito número de clientes cowboys e perversos, encontrava-se desejoso de sofrer nas suas mãos todas as injúrias, humilhações e punições, ao som de ordens pronunciadas no inglês mais puro e arcaico, soletrado pela voz de Gertrudes New England.
Gritos irados de stupid cowboys, you smell like a fucking cow, God save our king and not your president e british boys do it better, vinham do seu quarto, satisfazendo as delícias e os desejos dos clientes vaqueiros sado-maso.
A depravação eleita por aqueles genuínos cowboys era, 'Please, send me an Apple Pie'
5ª- Trazia uma única e minúscula pepita de ouro nos bolsos rotos do vestido, quando bateu à porta do salão de Leocádia, pedindo guarida. Viúva de um antigo garimpeiro de Sacramento, foi abandonada à sua sorte sem nada de seu, quando lhe assassinaram o marido numa rixa de ganância provocada pelo mineral brilhante.
Saturada de rios e correntes de água, peneiras e gravilha, escavações e dinamites, que lhe tiraram anos de vida e a obrigaram a uma existência de quase escravatura, Bonifácia Golden Stone era a perita do salão de Leocádia, em extorquir aos clientes pequenas fortunas.
Elaborava jogos eróticos sismológicos, brincadeiras sexuais tectónicas e galhofas de aluvião, que apimentava com um vocabulário técnico da mais pura geologia, deixando-os literalmente petrificados e duros como uma rocha.
'A Grande Corrida ao Minério' era o serviço mais pedido.
Publicada por
Patti
à(s)
02:24
28
Ares
tags leocadia falls
quinta-feira, 23 de abril de 2009
dia internacional do livro e dos direitos de autor
Da fotografia de cima, só iniciei agora o prémio Leya, "O Rastro do Jaguar", do Murilo Carvalho e o "Leite Derramado", do Chico, como sabem acabadinho de chegar do Rio. Todos os outros livros estão praticamente no final e já outra pilha ainda maior, se encontra a postos. E se vocês vissem as minhas listas de livros para comprar ...
Sim, sim é isso mesmo o que estão a pensar, invisto fortunas em livros. Não gasto dinheiro, invisto-o. Opções.
Ah e sapatos. Também invisto muito em sapatos.
E vocês? O que estão a ler?
Estes cinco livros de cima, são os fixos, os meus companheiros eternos, rotineiros e nostálgicos de mesinha de cabeceira. Pobres folhas, odeiam-me de morte. A mim e à minha lapiseira em riste.Não sou apologista de que o importante é ler e que para isso, qualquer coisa serve. Assim como defendo, que há boa e má literatura, independentemente de se gostar ou não dela e não ao contrário, como muitos afirmam. A qualidade literária de um livro, nada tem a ver com o nosso gosto pessoal. Ela existirá sempre, mesmo que só haja uma única pessoa a gostar desse livro e o resto do mundo a detestá-lo.
Que não se confunda excelência com desfrute.
A Literatura é o principal veículo de qualidade, para a expansão de uma língua. Não a fala, a televisão, a rádio, a imprensa ou os computadores.
Se não fosse a Literatura, a língua por si só não teria qualquer valor, tornar-se-ia numa série de letras moribundas e acabaria por morrer esquecida, sem direito a funeral.
É a Literatura que perpétua a língua e lhe dá reputação.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
nos meus textos
- escrever uma ',' (vírgula) antes e depois de um 'e'; *
- abusar dos 'que';
- colocar a torto e a direito ',' (vírgulas);
- utilizar '!' a não ser unicamente como excepção;
Preconceito meu? Talvez.
E vocês? Quando escrevem um texto, qual é o 'erro' (exemplo concreto) que têm sempre atenção de não cometer?
* exemplo: 'sentei-me, comi um bife grelhado e, enquanto olhava...
segunda-feira, 20 de abril de 2009
sabor a sossego
A nostalgia da velha loja do senhor João, depressa foi substituída pela curiosidade de admirarmos a inusitada montra da semana.
A harmonia era perfeita, nada morria ou murchava, tudo se renovava naquela loja. Quem passava por lá todos os dias, depressa se apercebeu que não existia qualquer tipo de rivalidade entre as várias espécies ou desdém entre as flores.
Todas as semanas eu lá entrava e não resistia em trazer um ramo novo.
Não havia disputa entre os gladíolos e as estrelícias, nem picardias de imagem com as margaridas e as calêndulas, ou altivez e olhares de cima abaixo das rosas, para as flores rasteiras.
Quando lhe perguntei o que tinha feito com o castiço quintal das traseiras, respondeu-me, para o mês que vem já vais saber.
E foi o que aconteceu, em Fevereiro começou a vender na loja pequenos vasos de produtos hortícolas e tudo quanto era hortaliça, convivia ali de forma pacífica.
Nunca as alfaces, os feijões, os tomates-cereja ou as favas-anãs, pretenderam distinguir-se das demais parceiras de cultivo. E até as abóboras, sempre com aquela mania de nobre superioridade, só porque se transformam em carruagens para princesas, jamais tiveram qualquer tipo de peneiras.
Diz quem ali mora paredes meias, que ouve de noite muitas vozes sussurradas, timbres distintos e até risadas dissimuladas. E minha senhora, o barulho vem todo do quintal das traseiras!
E eu acredito, claro.
Não sei que tipo de fenómeno se passa na loja dela, o que é facto é que a venda dos legumes foi também um sucesso. E até eu, que em minha casa nem a salsa mais vulgar se aguenta, me vi a braços com vasos de alecrim, coentros, hortelã e uma ervilheira, imagine-se!
Já somos amigas há muito tempo e noutro dia avisou-me, temos surpresa para meados de Abril.
E na segunda-feira, apareceram por lá os chás de violeta contra a enxaqueca, o bolo de limão com sementes de papoila, para dar brilho à pele do rosto, as beringelas-bebé gratinadas, salpicadas de raspa de toranja para limpar o intestino, tisana de jacinto com duas gotas de uva branca, para sorrirmos mais vezes, tarte de rosa com calda de espinhos, anti-arrelias, queques de orquídea branca, servidos em folha de mandioca para despertar a paixão e pãezinhos de hibisco com doce de calêndula, para realizar pequenos desejos.
Fiquei embasbacada, oh meu Deus, mas o que é que andaste a fazer todo o fim-de-semana?
Fiz mais um bocado da minha tranquilidade, respondeu e voltando-me as costas, ainda a vi de lado a piscar o olho a uma camélia branca.
Juro que vi!
sexta-feira, 17 de abril de 2009
vírus* num blog sério e familiar #3
Esclarece-se também, que não foi encontrado nos manuais de atendimento, qualquer item contra:
cabelo comprido;
olhar mortífero;
tom de pele com muita saúde;
barba de quatro dias.
(agradeço que não arranhem ninguém, enquanto permanecerem neste blog)
Publicada por
Patti
à(s)
00:01
39
Ares
tags vírus-hugh jackman
quinta-feira, 16 de abril de 2009
incumbências
Mas não nasceu assim, resistente. Fez-se desta forma por opção.
Tudo o queria era ser diferente das outras, daquelas que em tempos sonharam ... e muito.
Mas a razão porque sonhavam, foi a mesma que as impediu de o fazer; o precisar, numa dada altura da vida permanecerem mais presas ao chão.
E com os anos, a desilusão de não viverem os seus sonhos fez com que parassem de os sonhar.
Faltou-lhes a inconsciência dos loucos, o atrevimento dos ousados, a agonia dos génios e a bravura dos intrépidos.
A vida, que as continuou a enredar com baraços de açoites e insistia em vigiá-las de longe, foram-na elas logrando com atitudes terrenas de delírio consciente, tresvarios, exaltações e vibrares de coração.
E disfarçavam para os outros e para si próprias, momentos de felicidade.
Tudo menos sonhar.
Poucas vezes souberam, que há instantes onde da troca de palavras, do cruzar de olhares, da descoberta de cumplicidades, de apertos de mão com um estranho, de encontros breves de almas gémeas e de se fazer o que se diz, se lucram os dias da vida toda!
E que esses dias podem marcar anos. E esses minutos durar horas. E serem únicos. E os melhores de todos.
Momentos que se guardam em segredo e se colocam numa pausa sem limites e sem medidas. E que se pode começar outra vez. Muitas vezes. Tantas. As que se quiser.
Assustadora sina aquela, de terem ido contra o que mais desejaram, contra aquilo que lhes gritou para irem.
Para irem ...
quarta-feira, 15 de abril de 2009
amor é ...
Chamava-se Rufino, trabalhava como caixa do restaurante desde que este abrira e era o único funcionário com contrato efectivo, pois nem num bife untado, aquela alminha jamais havia tocado e o gerente levara aquilo como uma verdadeira atitude com vista ao lucro.
O que não sabiam é que Rufino era vegan e por isso, incapaz de tocar em qualquer produto de origem animal. Ficava-se pelas insípidas saladinhas, bebia um copo de água e voltava para a registadora. Impoluto, aquele espírito.
Nunca houve explicação para a paixão súbita e visceral que nasceu imediatamente ali, entre a troca do nervoso talão da despesa e a consistente nota de vinte euros.
Facto é, que aqueles dois jovens foram atraídos como ímanes de tal maneira, que nem Newton saberia explicar. E nunca mais se largaram.
Namoraram intensamente durante um ano, recheado de trocas e juras, versos, sms's e emails de amor, passeios no shopping e refeições no fast food encarnado.
O problema da comida nunca chegou a sê-lo, verdade seja dita, visto que Dora comia sempre tudo e de tudo e Rufino, nada de nada.
Quando decidiram casar, Rufino fez-lhe a surpresa de convidar o seu amigo sueco, Jan-Olov um conhecido criador de moda, para que desenhasse o enorme e difícil vestido de noiva, para a sua superabundante-amada Dora.
Ela ficou delirante, pois sentia-se perfeitamente à vontade com Jan-Olov, o que lhe permitia fazer todo o tipo de pedidos exuberantes, muito próprios do seu carácter efusivo.
Mas... eis que tudo se desmoronou nas vésperas da boda. Depois das análises e exames da praxe, a que todos os nubentes responsáveis devem ser sujeitos, Dora ficou a saber que sofria de uma doença rara e fatal, não para si, mas sim mas para Rufino. Tinha o enorme e científico nome de: mantimentus.contra.vegan.bacchteris.phatalis.mortis. Resumindo, se a Dora lhe tocasse com um dedo que fosse, o rapaz ia desta para melhor.
Ela chorava desesperada por perder o amor da sua vida, mas não havia mais nada a fazer senão terminar aquela relação; o médico fora irredutível quanto à inevitabilidade das consequências e Rufino apercebendo-se do sentimento de desonra da sua amada, aguentou-se firme e hirto e decidiu resolver a situação à sua maneira.
Depois de colocado um anúncio no jornal, onde vendiam o vestido de noiva por estrear, Dora partiu para parte incerta.
Rufino reuniu toda a família e os amigos mais chegados no seu apartamento, recebendo-os demasiado excitado para o seu temperamento e em trajes desapropriados: havaianas coloridas, short de licra brilhante e camisola de alças justinha, a vincar-lhe a magreza do tórax pobremente desenvolvido do veganismo.
Ria nervosamente, enquanto a melena loura, trabalhada várias horas para dar credibilidade à sua explicação, lhe caía brincalhona para os olhos.
Acompanhado de alguns trejeitos exagerados, mas convincentemente ensaiados, despejou a notícia de um golpe só, enquanto limava uma unha falhada que insistia em deixar puxões na licra inusitada da sua vestimenta.
"Durante as várias provas do vestido de noiva da Dora, eu e o Jan-Olov descobrimos que nos amávamos loucamente e já não há mais casamento para ninguém".
E assim termina mais um documentário do Canal Relíquias Históricas, apresentado-vos aquele que se julga ter sido, o primeiro cavalheiro conhecido do século XXI.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
corín tellado
Agora que já consegues ler melhor, Maria dos Anjos, vamos à papelaria comprar uma revista e escolhes o que quiseres para ti. A sério, menina?
Claro que é a sério, Maria dos Anjos.
Eu trouxe a minha revista do Mandrake, a minha irmã a Burda, o meu pai o maço de tabaco Porto e o jornal e a Maria dos Anjos, apaixonou-se pela prateleira onde estavam dispostos e impecavelmente alinhados, os pequenos livros de romances de amor a cordel, da Corín Tellado.
Depois desse dia, Maria dos Anjos gastava o que lhe sobrava do ordenado, do qual enviava uma parte para a mãe que vivia ainda na 'terra', em Corín Tellado Já sabíamos que tinha terminado de ler o último dos seus livrinhos, quando vagueava pela casa de olhar perdido, sorriso disfarçado e se esquecia de nos pregar raspanetes e fazer queixas à nossa mãezinha.
Escrevia cartas de amor ao noivo, de fazer inveja a qualquer heroína dos seus romances melados, dizia-nos a minha irmã depois de fazer a revisão, a pedido da Maria dos Anjos.
Ah conta lá, conta lá o que ela escreve ao Alfredo. Nem pensem!
E nunca nos contou.
Numa das nossas visitas a Badajoz, o meu pai viu que estava no cinema um filme da Corín Tellado, "Tengo que Abandonarte". Comprou dois bilhetes, um para a Maria dos Anjos e outro para a minha mãe, que lá fez o sacrifício de lhe servir como tradutora. A minha irmã bem que pediu para ir também, mas o filme era para maiores de dezoito.
Quando duas horas depoise, a Maria dos Anjos entrou nas Galerias Preciados, vinha lavada em lágrimas, de braço dado com a minha mãe, que a muito custo punha um semblante bastante sério, ouvindo-a a repetir sem parar, 'aisenhoravalhameDeusquecoisamaisboniaoamordaquelesdois'.
Uns anos mais tarde, partiu de novo para a 'terra' para se casar com o Alfredo. Oferecemos-lhe uma caixa cheia de Corín Tellado e ainda hoje tenho dúvidas, se em Santa Apolónia ela chorou mais com pena de nos deixar ou da emoção, quando viu o presente das patroinhas.
A escritora espanhola Corín Tellado morreu no sábado. Escreveu mais de quatro mil livros e vendeu mais de quatrocentos milhões de exemplares. Em Espanha, só Cervantes terá sido mais lido do que ela.
E eu lembrei-me de imediato da nossa querida Maria dos Anjos. Que será feito dela?
quinta-feira, 9 de abril de 2009
[16] ´tou no ir...de fim de semana
Lá pela hora do almoço, parto para aqui.
Feliz Páscoa para todos.
Publicada por
Patti
à(s)
00:20
29
Ares
tags páscoa-lagos
quarta-feira, 8 de abril de 2009
leite derramado
E em Portugal, quando será editado? Ah, talvez no fim do ano. Credo, mas ainda faltam nove meses, isso é quase uma gravidez!
É que o Chico, não tem só uma voz maravilhosa, não tem só um timbre de fazer estremecer as pedras do calçadão, não escreve só letras de sonho, não compõe só músicas eternas, não é só dono de uns olhos sem definição de azul. Não.
O Chico escreve, canta e compõe, com uma delicadeza e com uma sensibilidade sobre nós mulheres, que não é para qualquer um.
E o mulherio apaixona-se, o que é bastante compreensível.
Eis que, no meio da minha angústia sem tamanho, a minha querida sobrinha Babá, me comunica que vai de férias para o Rio, com regresso a Portugal dois dias depois do lançamento do livro nas livrarias.
sobre o livro, aquiPronto vá lá, eu sou simpática e até vos dou a ouvir um bocadinho do meu Chico, lendo as preliminares do "Leite Derramado", aqui.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
escrever com morfeu
Trazia-a depois do esconderijo que a protegera durante a noite, passava-a a limpo para o bloco de notas breves e ali ficaria impressa e segura, até que algo me fizesse pensar nela para a reescrever, mas desta vez já acordada.
Acontece, que há noites de ventura em que a minha cabeça adormecida escreve sem parar; cria personagens, baptiza-as com nomes inusitados, cria-lhes biografias, dá-lhes vida e imagina-lhes enredos.
Como se não bastasse, assenta datas, toma notas, sublinha, desenha setas e asteriscos e ordena a paginação em folhas imaginárias, que nada têm de palpável.
É no entanto um facto incontestável, que eu folheio estas páginas de manhã em pensamento, disso não tenho dúvida. Mas é também verdade que quando acordo, perante a falta de um registo físico, perco-me no enredo sonhado, esqueço-me dos nomes escolhidos, não encontro os apontamentos e as notas, deixados durante o sono no canto da folha e com muita pena minha a história perde-se.
Então, numa destas noites decidi durante o meu sonho, criar ao lado da minha cama uma mesa branca bem iluminada, onde apoiei o meu pc portátil imune a vírus, passwords e sonambulismos.
Adormecida, deslizo agora da altura do meu colchão, apoio a ponta dos pés no quente do tapete e despejo as histórias sonhadas, que me aparecem escritas na cabeça que segue desta vez mais descansada.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
vírus* num blog sério e familiar #2
quarta-feira, 1 de abril de 2009
arriscar
Quando a cabeleireira distraída, lhes cortou a ténue ligação capilar, perderam-se uma da outra. E ambas de toda a gente. Nunca mais ninguém as viu.
Reza a lenda, que se fartaram de inverter o sentido, mudaram constantemente de direcção, contrariaram linhas perpendiculares e paralelas, encurvaram rectas, desistiram de alinhamentos, desviaram-se de vias com saídas fáceis e em várias ocasiões, apagaram as luzes ao fim dos túneis, mas chegaram onde queriam, de todas as vezes que se fizeram à vida.
Agradeceram sempre o corte de cabelo, que lhes inibira a ousadia, impedira a aventura e lhes castrara a surpresa da viagem. Se bem que por caminhos rectos, sem obstáculos ou imprevistos, chegariam sempre intactas, amparadas pela certeza, ao fim de qualquer trajecto.
Mas a verdade é que no risco do incerto, em algum sacrifício e na luta contra as adversidades, os objectivos alcançados souberam-lhes sempre muito melhor.
Souberam a si.
terça-feira, 31 de março de 2009
palitar
Perfeitamente compreensível este estado de consolação, que se obtém com o prazer do palitar e não, nada tem de repulsivo, pois a procura exaustiva de defuntos fragmentos em cavidades íntimas, mais não é, que uma tentativa puramente cultural de aproximação a ancestrais rituais indígenas, isto é, o ensaio de tornar a dar vida ao que já se foi.
A fracção de comida putrefacta presa entre dois molares cariados, emite uma mensagem de angústia claustrofóbica, e é então que o proprietário da cavidade bocal, perante a agonia da prisão e o desejo de liberdade daqueles restos mortais de bife, desespera.
A sua coerência é rapidamente toldada e a ele qualquer frágil lima de unhas, encerra em si a capacidade de serrar o ferro das barras da cela. Entrega-se ao momento numa dedicação única e torna-se um expert no manejo do simplório palito de madeira, acreditando ser capaz de um eficaz e complexo tratamento de higienização, desvitalização e quiçá ortodontia, à laia de pé de cabra.
Ahhhhh, rumoreja satisfeito.
O protagonista deste espectáculo descai agora da cadeira, encosta-se em jeito de sesta domingueira e de palito ao canto da boca que dança mais calmo, para baixo e para cima, arrota fundo e finalmente realizado.
Publicada por
Patti
à(s)
00:27
22
Ares
tags coisas dos outros
sexta-feira, 27 de março de 2009
jovens decisões
Afinal, era aquela a primeira vez que se iria declarar.
quarta-feira, 25 de março de 2009
dois amores
O pompom perfeito, enrolado pacientemente numa rede fina, quase tecida por dotadas aranhas, é desfeito sem dó e da cabeça, assustados com o repentino do gesto, soltam-se mil ganchos, antes sabiamente dissimulados entre as melenas.
De imediato, o cabelo comprido é negligentemente apanhado com o primeiro elástico que surgir à mão, num insípido rabo-de-cavalo e toda a cabeça se protege e esconde sob um salvador e clássico toque de veludo.
As linhas elegantes do jovem corpo, que no espaço de dois ou três anos serão chamadas de curvilíneas, não se perdem entre a passagem do maillot para as estreitas calças de montar, vulgo breeches.
Agora, o som dos cascos da égua Nur, substitui com nobreza rural, a anterior melodia cortesã das leves teclas do piano afagadas por Miss Caroline e a imensurável força do corpo, que era obrigatoriamente ocultada, no rigor de movimentos falsamente leves e subtis como plumas, é neste momento brutalmente evidente na pujança de uma cedência à perna, que se quer executada na perfeição que um Lusitano merece, sob o comando de uma voz austera inspiradora na confiança e no saber.
Já não se ouve Mozart, Chopin ou jazz, mas sim a dor do fado e o orgulhoso flamenco.
E assim se passam anos, onde comungam em harmonia splits, hops, amalgamations, kicks e tendus por entre trabalhos em encurvação, mudanças de mão, trotes médios, encostos à rédea de fora, cabeças ao muro, passos largos e galopes contra o vento.
segunda-feira, 23 de março de 2009
porcos, feios e maus
Poucas coisas me repugnam mais em Portugal, do que o mundo do futebol. Não há quase nada, ou quase ninguém que escape.
Para já é um 'desporto' para maricas, pieguinhas e meninos da mamã mimados e malcriados. Fiteiros de primeira, passam a vida no chão aos gritos, agarrados ao tornozelo, a escarrar para o ar, a berrar palavrões, a pregar rasteiras ao adversário e a crescer para cima do árbitro.
Dão socos nos árbitros nos mundiais, cospem na cara do adversários em frente às câmaras, insultam os adeptos com as mãos, atiram medalhas e taças para o chão, racham cabeças, provocam lesões graves intencionalmente, espetam murros aos seleccionadores se não os convocam e depois como castigo, ficam sem jogar dois ou três joguinhos, vão para a comunicação social mandar bocas e são os heróis dos seus adeptos mentecaptos.
Têm um óbvio problema com disciplina, formação básica e profissionalismo. São o exemplo perfeito para mostrarmos aos nossos filhos e daí eu ser apologista o mais possível, de que se leve cada vez mais as criancinhas ao futebol. Não existe ecossistema melhor, para a formação do Homem.
Burgessos ao mais alto nível, não há como eles para saber como misturar em harmonia a enorme fivela do cinto Dolce e Gabbana, com um cap Gucci, uns jeans Armani e um polo Ralph Lauren.
Os treinadores idem. Na maioria são uns incompetentes com o rei na barriga, incitadores a desavenças, antipáticos, com um nível de formação no mesmo patamar dos seus pupilos, quase nenhum tem um penteado que se aproveite e falam um dialecto estranho, quase incompreensível.
São sempre os primeiros a falar do árbitro, mesmo que o jogo ainda não tenha sido realizado.
Depois a subclasse de presidentes de clubes, dirigentes de federações, de ligas e ligas e ligas e mais ligas.
Cambada de corruptos, mentirosos e impostores, novos ricos, histéricos, palhaços de passado suspeito, com pretensões campónias de governarem uma mini-nação, só porque na escola básica nunca foram escolhidos para delegados de turma e não faziam parte da equipa de futebol, lá do campo de terra.
Passam a vida a ser investigados pela judiciária, fogem do país porque têm informadores no local e na hora certa, passeiam no estrangeiro à vontade, confiscam-lhes bens, vão a tribunal e escapam sempre, mais uma vez ganhando o papel de heróis exemplares perante a obcecada tropa de adeptos.
Os árbitros têm um ar de infelizes que até metem dó. Têm medo dos jogadores, medo dos treinadores, medo dos jantares pagos com os dirigentes dos clubes, ou com os seus mandantes, medo de apitar, medo dos cartões, medo de pisar a relva, medo das 'luvas', medo dos outros árbitros, medo dos adeptos, medo de voltar aos balneários, medo de ir para casa, medo de atenderem o telemóvel, medo de receberem uma sms. Medo, muito medo.
E os jornalistas que entrevistam os jogadores logo a seguir ao jogo? E o comportamento primata dos adeptos, quando após um jogo vêem uma câmara de televisão ou alguém de microfone em riste? E a violência das claques, digna de qualquer guerra de ódio mortal e cego? E os seus cânticos, de fazer inveja ao PNR? E as gordas dos jornais desportivos? E as mortes nos estádios? E quando o início de um telejornal nacional, é uma vulgar notícia sobre futebol?
E finalmente, a creme de la creme: os comentadores desportivos. Mas haverá programa mais desprezível, abjecto, qual varinas na praça, do que aqueles que falam horas a fim, sobre os jogos de futebol?
E gritam, e insultam-se, e zangam-se a sério, e vêem imagens que mais ninguém vê, e sonham, e deliram, e acreditam no que estão a vociferar e são pagos! E são ouvidos! E têm audiências!
E usam gravatas da cor do seu clube! Meus Deus, gravatas da cor do clube!
Oh eruditos colóquios de taberna, nas tardes de domingo, voltem que estão perdoados.
Publicada por
Patti
à(s)
11:18
34
Ares
tags coisas dos outros
sexta-feira, 20 de março de 2009
vírus* num blog sério e familiar #1
(agradeço que limpem as dedadas do ecrã antes de se retirarem)
Publicada por
Patti
à(s)
09:53
28
Ares
tags vírus-michael vartan
quinta-feira, 19 de março de 2009
biografias #2
Maria Apolónia tinha somente a instrução primária, mas como dominava a língua inglesa, arranjou facilmente emprego como mulher a dias na casa de um poeta, que vivera muitos anos na África do Sul e que engraçou com o sotaque dela.
Gostava muito do seu novo trabalho, o patrão pouco mais lhe exigia do que manter a casa limpa e a roupa devidamente tratada. Com as refeições não se preocupasse, pois ele comia quase sempre fora de casa. Só lhe impunha uma rigorosa e única condição; que não tocasse nunca nas centenas de papéis que tinha espalhados pela casa. Era uma espécie de biografia dele, e de um tal de Bernardo e não podia perder nem uma folha.
Credo Sr. Pessoa, Deus que me livre tocar nessa papelada toda cheia de letrinhas inclinadas! Nem eu saberia dar ordem a tanta folha e depois, ainda ficava para aqui com o coração num Desassossego!
Maria Apolónia tinha o patrão como um homem muito educado e calado, tímido até, mas quando recebia os amigos e se fechavam todos no escritório, aquilo eram discussões de meia-noite, vozes alteradas, discursos inflamados, declamações poéticas, enfim, um ror de conversas exaltadas. Como é que um homem tão pacato, se identificava com amigos tão barulhentos e contraditórios?
Muitas vezes diziam palavras e frases que ela não entendia, pois nunca as tinha ouvido na vida, como metafísica, filosofia, engrenagem, via láctea, infausta esfinge, embalsamar ou subjectividade objectiva. Mas noutras alturas, Maria Apolónia compreendia tudinho e até apontava na lista de compras de tão bonitas que eram as expressões que escutava; querer mais é perder isto, Tejo e tudo, todos os sonhos do mundo, verdes campos, os paquetes que entram de manhã na barra, coroai-me de rosas e de folhas breves, a natureza é partes sem um todo e o menino Jesus adormece nos meus braços.
Nunca vira os amigos do senhor Pessoa, quando ela pegava ao serviço eles já lá estavam trancados no escritório com o patrão. Mas sabia identificar cada um deles com todos os pormenores, como se lhes tivesse posto a vista em cima, com os dois que a terra haveria de lhe comer.
O senhor Álvaro era o mais exaltado e parecia-lhe que nunca se sentia bem em lado nenhum, tanta era a refilice. No entanto, achava-lhe alguma piada porque ele dizia muitas palavras em inglês que mexiam com as suas memórias. Passeava-se bastante pela capital, Lisboa Revisited, como ele gostava de repetir sem se cansar e fregueses como ele, também devia haver muito poucos, pois gastava sempre, sempre na mesma Tabacaria.
Era um pouco cínico e até houve aquela vez, que troçou das cartas de amor que o senhor Pessoa escrevia à sua amada, a menina Ofélia, chamando-lhes de Ridículas! Mas se o patrão não se ralava, também não era ela que se ia incomodar com o assunto.
Ao médico, o senhor Ricardo, achava-o muito gentil e tinha a certeza que ele sentia uma enorme paixão pela botânica, pois falava muito de flores, grinaldas, folhas, primavera, magnólias e a sua voz enchia-se sempre que falava de rosas. Ou se calhar, arranjara um namorico com alguma vendedeira da ribeira. Fosse o que fosse, os outros chamavam-lhe de bucólico e quem era ela para os contradizer.
Mudou-se para o Brasil, que aquilo de repúblicas não era nada com ele. Nunca, mas nunca mais soube nada do senhor doutor, nem sequer quando morreu.
E o senhor Alberto?
Ai o senhor Alberto... que criatura encantadora! O que Maria Apolónia o venerava.
Via-se logo que era um homem simples, mas todos lhe tinham grande respeito, ah pois! Mal ele começava com aquelas poesias sobre os pastorinhos e os rebanhos, fazia-se um silêncio profundo naquela casa e as suas palavras ecoavam por todo o bairro. Maria Apolónia é que não era mulher dada a ocultismos e astrologias como o senhor Pessoa, senão, até podia jurar que aqueles versos iriam voar através dos tempos.
Conseguia imaginar a cara de espanto daqueles amigos, fechados no escritório e deliciados a escutar tamanha beleza.
Era um Mestre o senhor Alberto, oh se era!
terça-feira, 17 de março de 2009
rosa
Esta minha negação assumida, de impedir que a realidade me entre pela vida adentro a toda a hora e sempre que lhe apetece, faz-me recordar a Rosa das saias de folhos.
Era uma 'maluquinha' que durante muitos anos passava à porta da nossa casa, rindo sempre alto, tinha conversas desconexas consigo mesma, criava vozes, respondia-se, dançava à volta das crianças, abraçava os animais, nunca fez mal a uma mosca.
Vestia sempre compridas e rodadas saias de folhos, lenços no cabelo, colares de mil voltas e pulseiras barulhentas. Toda ela era uma festa.
Nunca ninguém a evitou, teve medo dela, enxotou ou sequer lamentou. Rosa era quase igual a todos que morávamos naquela rua, com a única diferença de que era mais feliz que nós. Mas pouco ou nada a entendíamos.
Um dia regressou de um dos seus habituais períodos de internamento, totalmente diferente.
Depois de uma crise mais forte que o habitual, teve de ser medicada com uma dose de peso. Passeava agora na nossa rua de cabeça sempre baixa, roupa discreta e sem folhos, rezava baixinho, não nos conhecia, não brincava com as crianças e fugia dos cães.
Às vezes levantava a cabeça para o céu, andava à roda sem parar e dizia a chorar, ai mundo que não gosto nada de ti desta maneira.
Foi essa a única vez que a percebemos e tivemos pena dela.
E penso que de nós também.
Publicada por
Patti
à(s)
00:05
26
Ares
tags coisas dos outros
quinta-feira, 12 de março de 2009
a lírica
Sonhara com Lianor, a donzela do pote equilibrado na cabeça, que seguia formosa e desta vez muito segura e confiante, direita à fonte onde combinara encontrar-se com ele.
O poeta saiu de casa a correr e numa alegria exultante, cumprimentou de forma efusiva todos os vizinhos, todas as crianças, todos os animais...as pedras da calçada. Ria de tudo e de nada, o amor viera finalmente fazer as pazes consigo sem sofrimentos, sem cativeiros e sem coisa alguma de fatalismos ou desgraças.
E mil versos perfeitos já lhe desciam ao pensamento, definidos nas rimas emparelhadas, interpoladas e cruzadas, para jogarem com mestria em composições líricas de erotismo comedido.
Eis que distinguiu Lianor junto da fontana fria, que de cabelo de ouro entrançado mas totalmente encharcado, se encontrava estatelada no chão segurando nas mãos de prata, a fita de cor de encarnado.
E rodeada dos cacos do pote, gritava furiosa: ai malditas abelhas que não largais nunca a fresca água da fonte; pragas demoníacas que já me fustigastes a manhã; oh maldito poeta, que não soubestes escolher outra estrofe menos escorregadia deste poema, para vos encontrardes comigo!
E Luís, perante o estrondo que aquelas palavras provocaram na sua alma, ainda há minutos em pleno júbilo, pegou entristecido na pena e no papel e em agonia principiou a escrever...
cheia toda de mágoa e piedade
...
...
quarta-feira, 11 de março de 2009
percepções II
Sigo, questionando-me em diversas ocasiões e nem sempre me consigo responder, mas cada vez menos me engano a mim própria.
E a moral da história nem sequer pretende ser muito sabedora ou pretensiosa, simplesmente sei que comigo estou segura.
terça-feira, 10 de março de 2009
por dentro
ilustração de matthew woodsonA preocupação estará nas qualidades que desconhecemos possuir, porque ainda não buscámos uma oportunidade de as demonstrar.
domingo, 8 de março de 2009
solar cooking (dia internacional da mulher)
Os fogões solares foram introduzidos nos campos, num esforço de reduzir a dependência da lenha e melhorar a segurança destas mulheres. Têm ainda a capacidade de pasteurizar a água potável, reduzindo o risco de doenças, principalmente nas crianças, evitam os incêndios e reduzem os danos que o fumo provoca na saúde.
Este projecto, da responsabilidade da Jewish World Watch com sede na Holanda, protege as mulheres dos ataques fora dos campos e fornece-lhes outras oportunidades, como produzirem elas próprias os fogões solares, que têm de ser substituídos cada seis meses, ajudar outros a aprender a cozinhar desta maneira inovadora e tornarem-se assim formadoras.
Dois fogões solares são o equivalente à poupança de uma tonelada de lenha por ano.
Neste campo de Iridimi, vivem mais de 17.000 mulheres e crianças e enquanto houver uma só mulher discriminada, este dia faz todo o sentido para mim, não devia ser questionado e tenho arrumada a questão.
Publicada por
Patti
à(s)
00:01
21
Ares
tags 8 de Março
sexta-feira, 6 de março de 2009
sorrisos desde Darfur
Tudo isto, perante uma comunidade internacional que não só não soube reagir a tempo, como, no caso da China e da Rússia, forneceram armamento, violando o embargo de armas decretado pela ONU.
Durante estes anos, a Amnistia Internacional colocou todos os seus esforços na tentativa de mobilização de todos os cidadãos possíveis, para exigir a protecção da população civil, o cessar fogo, o embargo de armas, através de campanhas de pressão política que levaram a sua secretária geral, Irene Khan, a missões de alto nível na zona, em várias ocasiões.
A Amnistia espera que Omar el-Bashir se entregue imediatamente para ser julgado. Se assim não for, as autoridades sudanesas devem assegurar que seja detido e entregue de imediato perante o Tribunal Penal Internacional.
E garante que seguirá este assunto de perto, porque não só afecta o Sudão, como todos os habitantes do planeta".
Mais novidades da Amnistia sobre Darfur, aqui.
quinta-feira, 5 de março de 2009
biografias #1
Jessica Soraia, nasceu prematura na húmida aldeia de Nadrupe, na freguesia da Lourinhã e nem houve cá tempo para berços, cueiros ou choros, que a mãe tinha a lida do campo nas costas e precisava de sustentar a família.
Aconchegou-a ali no momento, dentro do cabaz de vime, com as mesmas mantas que tinham servido para os irmãos e pôs-se a mexer, direita aos seus pomares de Pêra Rocha, a fruta rainha que exportava para Inglaterra.
Jessica Soraia, que desde nova demonstrou mão para a terra, para o negócio e para o cabo da enxada, sonhava ir atrás das camionetas que levavam as pêras e inscreveu-se num curso intensivo de inglês, onde aprendeu a dizer entre outras palavras, jam, land, pound, my dear, princess Diana, Cristiano Ronaldo e mind the gap.
Quando tinha dezoito anos, foi pedida em casamento pelo 'Toino José que estava de visita à terra em Agosto, altura das festas em honra de Nossa Senhora da Graça.
Era rapaz com poses, filho de emigrantes no Reino Unido que tinham investido as suas economias na indústria panificadora.
Vivem hoje em Lincoln, numa grande propriedade rural, estão plenamente integrados na comunidade e os filhos Samantha Raquel e William Augusto, frequentam colégios privados.
Na foto, podemos ver Jessica Soraia com a sogra, Maria Adozinda com quem criou recentemente uma forte parceria, exibindo a sua nova e revolucionária aposta; pêra rocha em conserva para uso exclusivo em tartes macias.
Com este novo produto, Jessica Soraia pretende destronar a ancestral e poderosa apple pie.
-.-.-.-.-.-.-.-.
Digo eu, sei lá...
quarta-feira, 4 de março de 2009
de comer com os olhos
Arregalo os olhos e esfrego as mãos.
Nunca sei por onde começar e muito menos terminar.
Na distância entre o corante e o conservante, tudo me pertence.
E vocês? Não resistem a quê?
Publicada por
Patti
à(s)
00:21
35
Ares
tags só meu-doces
terça-feira, 3 de março de 2009
os descompensados
Desfile antecipado de corpos incautos passeando pela esplanada, que sofismados pela chegada do verão em fevereiro, patenteavam pernas desbotadas, cambiadas aqui e ali com manchas avermelhadas de uma depilação histérica, executada com uma urgência caseira no duche daquela manhã.
Rabos descaídos de semblante triste, que pouco tonificados das escassas horas de ginásio, se lamentavam desconsolados por não caberem ainda na tanga brasileira do agosto decorrido. Bochechas flácidas, ainda ontem reprimidas, contudo protegidas pelo vigor da ganga, eram agora apanhadas de surpresa pelas picadas da areia e gritavam suplicantes, porquê, porquê; oh meu Deus porquê?
Infelizmente, também eu apavorada por me encontrar presente na primeira fila de um espectáculo para o qual não comprei bilhete, não lhes soube responder.
O estrado de madeira onde assenta esta minha esplanada favorita, foi sadicamente arranhado e marcado sem remorso, por calcanhares de escama grossa, que maturados e conservados durante mais ou menos cinco meses, dentro do calçado fungíco de inverno, se assemelhavam em cor e textura ao popular queijo parmesão.
Tops, vestidos de alças e biquínis nitidamente amarfanhados e com uma familiar fragrância, própria de quem esteve muitos meses em clausura no fundo de um qualquer armário, mal conseguiam dissimular o cruel castigo infligido às axilas, sofrivelmente depenadas.
Eu também vesti roupa mais fresca nesse sábado, usei chapéu, peguei no carrego de livros, no lápis e no bloco de linhas e saí de casa mais cedo, para aproveitar ao máximo o presente do bom tempo e esplanar até fartar. Mas toda a vida janeiro foi janeiro, fevereiro foi fevereiro e março foi março, mesmo que houvesse neles belíssimos dias de sol.
Há qualquer coisa de pré-histerismo, um início de propensão ao desequilíbrio, um desarranjo que começa a ser notório neste meu país.
As pessoas gritam por socorro, só que não se ouve.
Ou será que não? Que não gritam e que se estão nas tintas e que venha o que vier?
Publicada por
Patti
à(s)
00:14
30
Ares
tags só meu-esplanada



























