Viúva de um português rico, aventureiro e mulherengo, que numa das suas viagens ao Canadá, visitando as famosas cataratas do Niagára, se arriscou demais no passeio para impressionar a sua então amante e caiu, partindo para sempre deste mundo, junto com a queda da água para nunca mais ser encontrado.
Maria Leocádia, que o aguardava na sua fazenda em El Paso, recebeu a notícia do seu desaparecimento e pior ainda, que toda a suposta fortuna fora desbastada pelas inúmeras amantes do marido.
Vendeu tudo o que tinha, pagou dívidas, calotes e hipotecas do estupor com quem fora casada e abriu no centro da cidade, o Salão Social e Recreativo: Leocadia Falls.
E da esquerda para a direita temos ...
1ª- Filha adoptiva de fazendeiros do Mississipi, mortos por escravos revoltos, escapou por um triz à chacina, por andar nesse momento a cantarolar perdida no meio dos campos de algodão.
Arranjou trabalho na cidade, cantando em velórios, casamentos e baptizados. As músicas que saíam de dentro dela chegaram aos ouvidos de Leocádia, que logo tratou de lhe oferecer salário dobrado e protecção.
Os clientes mais sensíveis e refinados, perdiam-se de amores por aquela voz rouca e sensual, que aquecia os seus corações, entoando melodias aprendidas entre os negros das plantações, com letras cheias de conotações amorosas e sexuais.
Era ver os homens de Pulquéria Blueswoman, a suplicarem-lhe uma breve nota musical, uma simples frase mal cantada ou mesmo um som vago e mal definido e já os deixava em êxtase total. Nos seus aposentos vivia-se um ambiente de pré Rhytm and Blues.
'Açoites Cantados no Tronco' era o serviço que prestava, com mais sucesso entre os seus clientes.
2ª- Descendente de índios, mendigava esfarrapada pela cidade e em troca de comida, previa o futuro aos habitantes fazendo leituras em pêlo de búfalo.
Leocádia apanhou-a uma noite a vasculhar no lixo do salão, no beco das traseiras. O seu olho para o negócio, viu naquele rosto exótico um excelente investimento. Recolheu-a, amparou-a ofereceu-lhe protecção e decidiu chamar-lhe Hedviges Arizona.
A índia encantava os clientes, entoando cânticos em dialecto indígena, bamboleando o corpo com danças tribais e contando histórias sobre as antigas crenças do seu povo.
Envolvidos naquele ambiente pagão, mas ao mesmo tempo ignorantes e receosos do poder de toda aquela mística, que não sabiam ser muito bem encenada por Hedviges Arizona, era vê-los agora, pobres colonizadores, prestarem-lhe vassalagem e esquecendo guerras territoriais reduziam-se a meros objectos sexuais.
O fetiche mais requisitado pelos clientes era a 'Escalada ao Totem'.
3ª- Fora criada no coração de uma seita religiosa semi-secreta, no Utah. Fugiu, no mesmo dia em que soube ter sido escolhida para ser a 16ª mulher, do octogenário líder religioso e chefe da sua pequena comunidade.
Entrou no salão de Leocádia, altiva e dominadora, disposta a que jamais algum homem lhe desse ordens.
As exigências que fazia a todos aqueles que requisitassem os seus serviços, eram extremamente rigorosas. Os clientes teriam de jejuar durante quatro dias, construir-lhe um pequeno altar, chamá-la de Zita a Nova Luz e prostrarem-se sempre de joelhos diante de si.
Só assim poderiam subir aos seus aposentos, onde todos os serviços prestados eram realizados num ambiente negro e pesado, carregado de cheiro a incenso e iluminado aqui e ali por uma vela de luz ténue.
O fetiche eleito era 'Ao Encontro do Apocalipse'.
4ª- Descendente directa dos primeiros colonos ingleses do Massachusetts, exibia um sotaque britânico perfeito. O seu nível cultural era tão alto, que não conseguiu arranjar trabalho em nenhum lado e só Leocádia lhe estendera a mão, alcançando de imediato que ela seria a perdição total, do pequeno grupo de clientes masoquistas do salão.
Aquele restrito número de clientes cowboys e perversos, encontrava-se desejoso de sofrer nas suas mãos todas as injúrias, humilhações e punições, ao som de ordens pronunciadas no inglês mais puro e arcaico, soletrado pela voz de Gertrudes New England.
Gritos irados de stupid cowboys, you smell like a fucking cow, God save our king and not your president e british boys do it better, vinham do seu quarto, satisfazendo as delícias e os desejos dos clientes vaqueiros sado-maso.
A depravação eleita por aqueles genuínos cowboys era, 'Please, send me an Apple Pie'
5ª- Trazia uma única e minúscula pepita de ouro nos bolsos rotos do vestido, quando bateu à porta do salão de Leocádia, pedindo guarida. Viúva de um antigo garimpeiro de Sacramento, foi abandonada à sua sorte sem nada de seu, quando lhe assassinaram o marido numa rixa de ganância provocada pelo mineral brilhante.
Saturada de rios e correntes de água, peneiras e gravilha, escavações e dinamites, que lhe tiraram anos de vida e a obrigaram a uma existência de quase escravatura, Bonifácia Golden Stone era a perita do salão de Leocádia, em extorquir aos clientes pequenas fortunas.
Elaborava jogos eróticos sismológicos, brincadeiras sexuais tectónicas e galhofas de aluvião, que apimentava com um vocabulário técnico da mais pura geologia, deixando-os literalmente petrificados e duros como uma rocha.
'A Grande Corrida ao Minério' era o serviço mais pedido.






























