terça-feira, 11 de maio de 2010

quando a hora avança I

Há qualquer coisa de presença mansa, mas ao mesmo tempo inquietante, surgida no Verão com a mudança dos ponteiros.
Perdemos uma hora por meio de uma soberana entidade, que sem aviso, aniquila instantes à vida que corre.
Acontece que nesse furo do tempo, há um bebé que já não nasce, um amor que jamais se apaixonará, um encontro protelado, um ilustre feito por realizar, um poema por escrever.
É uma essência madrugadora, com corpo de luz que tarda em ser noite, disfarçada de perfume do mar das férias; uma espécie de estação fantasiosa, saqueadora de um tempo que não lhe pertence.
Diz quem sabe, que é essa entidade que habita a fonte da juventude; fabuladora da idade.
Despojadora estival de um interminável número de badaladas, usurpadas pela noite a todos nós, quando a hora avança no tempo quente.
Deram-lhe o nome de eternidade.

12 comentários:

Pitanga Doce disse...

Sabes? Nunca gostei do horário de Verão. Não aqui! As ruas nunca se calam, o sol e o calor nunca se deitam. Mas aí, onde à noite o vento que sopra da serra é sempre fresco, onde o sol faz descanso atrás do monte e deixa tudo mais verde claro ou mais escuro? Ah aí eu adoro porque sei que está só chegando a hora de ser mais feliz.

beijos Patti. Aqui sol de Outono.

Rosa dos Ventos disse...

Adorei este texto!
Muito inspirado e inspirador...
Eu ainda ando um pouco fora deste novo tempo!

Abraço

Gi disse...

E o que chamarás tu à meia-hora adicional que Chavez instalou? :D

Paula disse...

Isto sim é uma "entidade"!!!!
Gostei na altura e gosto ainda mais! "Um amor que nunca se apaixonará" é uma delícia de imagem! E pronto escolheste o magnífico Gravity como banda sonora que é a cereja em cima do bolo!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Não gosto da dança das horas, preferia que se mantivesse sempre esta hora de Verão, apesar da sua artificialidade. Não devia haver era hora de Inverno, porque detesto quando a noite cai às cinco ou seis da tarde.

Luísa disse...

Gostei muito de ler, Patti.
No tocante a dias e noites, voto pelo meio-termo, 12 horas contra 12 horas, num perfeito equilíbrio de tempos de luz e sombra. Porque aprecio - e preciso! - igualmente da alegria activa do dia e do aconchego criativo da noite. :-)

Justine disse...

O tempo é um brincalhão e os homens, coniventes, gostam de brincar com ele...
Tu brincaste de um modo muito belo!

Tite disse...

Com essa da eternidade é que me serenaste.

Fiquei a perceber, finalmente, porque gosto tanto do horário de Verão. Sinto-me rejuvenescer.

Pena termos a contrária, né?

claudia disse...

Querida Patti, nao há duvida, NASCESTE PARA ISTO!!!! Texto, musica...sabes envolver. Parabens.

Filoxera disse...

Gosto do horário de Verão.
do seu calor, de tudo.
Beijos.

CNS disse...

Gosto do correr quase-lânguido do tempo de Verão.

paulofski disse...

E agora que as horas me parecem avançar a uma velocidade vertiginosa gostaria tanto de fazer atrasar o tempo.