Mas tanto a alegria como a dor da escrita, me parecem deixá-lo só.Dou-me com muito poucas pessoas. Até porque este tipo de vida é um bocado incompatível com uma vida social. preciso de dez, doze horas para escrever. Não vou ao cinema, a não ser com as minhas filhas, não vou a cocktails, não faço vida social.
(entrevista a ana sousa dias, 1992)
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(...) Estou todo o tempo com o livro.
Sou uma pessoa muito fechada, tímida, com poucos amigos, não sou muito sociável, não vou a bares, nem a lançamentos. Nunca tive grandes relações com pessoas do meio literário e, normalmente, não vou nessas excursões.
(entrevista a sara bello luís, 2001)
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Eu sempre fui assim, a minha mãe diz que eu sempre brinquei sozinho e , no entanto, tenho a felicidade de ter bons amigos. Eu gosto de estar sozinho.
O sol dá-me uma alegria muito grande, mas depois vou acumulando culpabilidade, a sensação de que ... sei lá, de que fui acumulando erros ao longo da vida. (...) E isso é complicado para mim. É a primeira vez que estou a falar nisto, nestes períodos entre os livros... Quando estou com um livro, estou tão ocupado com o livro, mas quando fico sozinho comigo mesmo, às vezes é complicado.
(uma longa viagem com ala, de joão céu e silva, 2008)
A sua obra estabeleceu rupturas com o romanesco do século XIX, renovando-o, impondo-lhe um novo género; a sua técnica narrativa, é um dos seus maiores encantos e consiste num desafio constante às nossas expectativas e à literatura actual: as micro-narrativas, as vozes, o exercício constante da memória. O kitsch; o seu apurado kitsch. Esse silêncio que tenta trazer para a escrita, a sua obsessão na procura de uma obra perfeita...
E ainda assim insatisfeito, António?Porque quero sempre um bocadinho mais. Ir mais longe. Perceber como é que se pode fazer melhor. Eu não quero fazer pior.
(entrevista a luísa jeremias, 2001)
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(...) mas o problema já não é escrever melhor do que os outros, é escrever melhor do que nós, ir mais fundo, tentar aproximar-me do livro ideal - o que trazemos cá dentro - e isso é difícil.
Já justifiquei a minha vida por ter escrito meia dúzia de livros assim e devia sentir-me satisfeito com isso, mas penso que poderia ter feito mais...
(uma longa viagem com ala, de joão céu e silva, 2007)
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Vamos lá a ver se ainda sou capaz de fazer alguma coisa de jeito.
É um medo. É um medo, João.
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Mas queria ir mais fundo neste livro (Arquipélago da Insónia). Isso quero sempre, aproximar-me, sabendo que nunca vou chegar.
(uma longa viagem com ala, de joão céu e silva, 2008)
Sabe António, vejo a sua obra como um tratado de Portugal, dos portugueses, da nossa forma de ser, viver e sentir. Penso sempre que se um estrangeiro quiser entender esta gente lusa, deveria pegar nos seus livros. Como outros pegaram em Camões, Eça e Pessoa.Escreve-nos por dentro, sabe-nos da alma. Conhece-nos os silêncios.Na última vez que estive fora, na Finlândia, dei por mim a ter enormes saudades de Portugal. (...) Para um homem como eu, meio-brasileiro, meio-alemão, é o país onde quase não venho e onde sempre estou.
(entrevista a baptista-bastos, 1985)
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(...) penso que não seria capaz de viver sem a língua portuguesa, sem ouvir falar português. A minha escrita está muito enraizada aqui, nestas gentes, neste país.
Percebo muito bem que os emigrantes só pensem em regressar, mesmo que seja para fazer casas de azulejo: há um charme lento neste país que é irresistível.
(entrevista a miguel sousa tavares, 1988)
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Das pessoas, da língua, da cor do ar. A gente só se lembra disto quando está no estrangeiro. Pensamos que não temos sentimentos patrióticos, mas temos. E são muitos claros no estrangeiro.
(entrevista a luísa jeremias, 2001)
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Eu tenho muito orgulho do meu país, muito, e cada vez gosto mais do meu país, cada vez gosto mais dos portugueses e cada vez mais sinto que é para os portugueses que eu escrevo. Gosto de Portugal, gosto dos seres da minha terra, gosto do clima, gosto da luz da nossa terra e cada vez mais sinto que é aqui que eu pertenço. Tenho este orgulho! E quando dizem que Portugal é um país pequeno e periférico, fico furioso, porque para mim é grande e chega-me perfeitamente, não preciso de mais terra.
(uma longa viagem com ala, de joão céu e silva, 2007)
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(...), isto é a minha terra e cada vez estou mais preso a ela.
(uma longa viagem com ala, de joão céu e silva, 2009)
São 21 livros publicados. Três livros de crónicas e centenas de crónicas (já sei que não gosta muito delas). É o autor português mais traduzido. O mais premiado. Letras de músicas.
Desde criança que são horas infinitas de escrita e contudo, receia perder a mão.Mas entre dois livros sinto-me sempre mal: receio não ter ideias ou não conseguir concretizá-los...
(entrevista a luís almeida martins, 1988)
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(...) medo que tenho de não ser capaz de escrever de novo, um problema que aparece a cada livro que acabo. Será que eu serei capaz de fazer um próximo livro? Ninguém que escreva a sério vai ser capaz de o dizer. Também é uma espécie de negociação com a morte, deixa-me escrever mais um, mais dois, mais três...
( uma longa viagem com ala, de joão céu e silva, 2007)
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(...) porque cada vez mais penso que - às vezes passa-me isto pela cabeça - uma pessoa nasceu com um determinado número de livros e, acabando isso, a sensação é de medo de estar a rapar o fundo do tacho. De não ter mais nada, ou de começar a imitar-me. A fazer uma espécie de paródia de mim mesmo.
( uma longa viagem com ala, de joão céu e silva, 2008)