quarta-feira, 14 de outubro de 2009

no confessionário aos 40 #3


Aquela que de mim já é mulher, põe-se muitas vezes a reparar na outra eu que ficou criança. Recorda com desejo o jogo do elástico, o toca e foge, a mamã dá licença, o jogo das estátuas e o prego na praia. Dos oito saltos da macaca, desenhada a laranja tijolo no alcatrão da rua sem carros e dos concursos do festival da canção, onde a música vencedora era sempre qualquer uma dos greenwindows.
Refrescos de capilé e groselha, carcaças com açúcar e manteiga, papas de banana com bolacha maria e sumo de laranja, bigodes de leite.
Comida de mãe e colo de avós.
Bonecas e bebés-chorões, panelinhas de alumínio e jantarinhos com massa estrelinha, que obrigava o meu pai a comer. Os pais homens gostam muito de ser pais de filhas cor-de-rosa nuvem, amarelo pintainho, branco piquê e azul xadrezinho. São pais que lhes nascem punhos de renda, logo a seguir aos pulsos fortes.
A eu já adulta, agradece à eu criança a fortuna herdada. Que nunca terá preço.

20 comentários:

fugidia disse...

:-)
(o prego na praia, a macaca, a corda, os patins, o skate, a bicicleta, as papas de banana com bolacha maria e sumo de laranja, a "roupa velha" da minha avó, os festivais da canção, com todas as vencedoras sabidas de cor e salteado, o archie bunker visto em família religiosamente... também eu sou essa pequena que ainda me aquece o coração, todos os dias, com o seu sorriso amplo. Feliz)

Gi disse...

A eu adulta também agradece ter conhecido essa outra eu adulta e de compartilharmos momentos infantis e gargalhadas sem fim.

CPrice disse...

Patti querida, que delícia de memórias .. e mais umas para juntar que não vou por aqui mencionar agora :)
Os Pais de meninas cor-de-rosa sabem bem a sorte que têm ;)

Um beijo às "duas" ;)

Turmalina disse...

Tb sou grata à minha criança e sua herança...aqui tb tínhamos o jogo do elástico.Era a brincadeira preferida nos intervalos da escola.

annie hall disse...

Muito bonita e carinhosa esta sua cronica . Todas hoje nos vamos lembrar de "nós crianças " .

pedro oliveira disse...

quando assim é só podemos ser felizes connosco próprios.o principal na vida.
bjs

de dentro pra fora.... disse...

Podes crêr, não tem mesmo preço...
Hummm, pão(as tuas carcaças e os meus molétes)com manteiga e açucar...a minha filha descobriu essa delícia á pouco tempo e depois de fazer uma careta á ideia , provou e adorou...

Tantas coisas em comum nesta nossa infância que não foi esquecida

Deixas-te-me um sorriso bom no rosto
Beijo

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Só somos verdadeiramente adultos quando conseguimos valorizar as recordações do passado. As boas, mas também as más que nos ajudam a crescer.

Luísa disse...

No confessionário aos ... (inconfessáveis): eu também recordo e agradeço, Patti, vezes sem conta. :-)

Si disse...

E então, a adulta volta a ser criança, no momento em que essa fortuna segue o ciclo das heranças e a passamos para os nossos filhos, à espera que, assim, possam experimentar a felicidade que na altura sentimos.

BlueVelvet disse...

É tão bom ter estas recordações. Uma delas já nem me lembrava: a do pão com manteiga e açucar.Eu adorava. E tinha uma outra versão alentejana, que era fatias de pão barradas com a nata que se ia tirando do leite e guardando.
Mas o que torna este texto brilhante é a frase:os pais homens gostam muito de filhas cor-de-rosa...O meu também gostava.

f@ disse...

Olá Patti,

Tudo isso mas o que eu achava + giro era mesmo o toca e foge... ainda hoje gosto...
e as papas de banana com SUMO de laranja... não te leva a lado nenhum?... pensa um pouco... e vê se descobres o enigma....

!nfinitos beijinhos

Filoxera disse...

Infelizmente, não tive colo de avós :-(
Mas também recordo a infância como um tempo feliz.
Um beijo.

f@ disse...

Olá Patti,

Já me ri mto mesmo....
por causa do suco de frutas...

por enquanto sem bolacha.

!nfinito beijinho

Mike disse...

"Aquela que dentro de mim ainda é criança, põe-se muitas vezes a reparar na outra que já é mulher". Também li assim. E gostei (muito) de ler. Raios, Patti, que a menina que ficou criança escreve mesmo bem.

Rosa dos Ventos disse...

Uma ternurinha de post!

Abraço

cristina ribeiro disse...

Tantas vezes me lembro do prego personalizado que a minha mãe mandou fazer, em aço inox, para brincarmos na praia - a sensação que causamos no sector, com tal troféu :): aonde terá ido parar, interrogo-me muitas vezes :)

Laura disse...

Identifiquei-me. Muito.

papoila disse...

Ai que gostei tanto....cada linha uma recordação!
Revi o meu passado.
beijinho e obrigada

ZapporssoN_81 disse...

so deixar o apontamente... gostei da musica ambiente... da um ar completamente diferente e inesperado ao blog.
Bjinho e continua