quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

vetusto


Órfão triste, de faqueiro de prata antigo, ficara de repente sozinho, depois da última colher de sobremesa se perder e no entanto, conseguia destacar-se ainda no seu posto, pela luz que só os objectos nobres possuem.
Sempre de cabeça erguida, vivia das lembranças dos reais jantares de cerimónia, em que era exibido com orgulho, limpo com cuidado e guardado sobre um estojo de couro perfumado e assento fofo, depois de dignamente alisado o lustro.
Um pouco torto no dente do meio, riscado do tempo nas costas e amolgado das pancadas da vida no cabo amarelecido, não se abatia porém com a velhice e exibia com grande soberba e jactância, a marca contrastante que o diferenciava de todos os outros metais.

(música surripiada, um dia destes na Luísa)

25 comentários:

once disse...

poetisa Patti .. :)

Teresa Durães disse...

Coitado do faqueiro, já quase não conta histórias antigas

annie hall disse...

Poesia ....? sim poesia , mas os velhos garfos ecolheres ( a de molhos especialmente) ficaram sensibilisadas por se ter lembrado delas ....

ines disse...

A minha querida mãezinha tem histórias com o faqueiro, engraçadissimas. Foi logo o que me "saltou" á cabeça! Há sempre uma aventura extra, quando se usa! Despejar os sacos do lixo, no meio do chão da cozinha, afastar cadeiras, sofás, almofadas, uns ditos "cus para o ar", enfim aventuras!

f@ disse...

Olá Patti,


Paladar doce aqui mesmo com falta da minha colher preferida…
Não sabes que o garfo do meio anda a pensar no diabinho… mto mais do que num jantar de cerimónia… e nem te digo em que diabinho ele pensa…

Beijinhos das nuvens

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Lembro-me de uns primos destes que de vez em quando aparecem lá por casa de fugida. Apresentam-se aos ilustres comensais, logo a seguir tomam banho e regressam às suas caixas fortes. sempre achei triste a vida destes faqueiros.

Gi disse...

Quase que aposto que está com a garra torta por se ter posto à biqueirada às facas; vetusto como é gostava que a fancaria se chamasse garfeiro.

paulofski disse...

Já sei o que posso fazer aos garfos de prata que as madrinhas me deram e continuam como relíquias nos estojos que os guardam. Posts

LeniB disse...

O do meio mais parece o tridente do Neptuno!!!
Tenho uma bela colecção de garfos e facas antigos, centenários mesmo, de cabo de osso...heranças!!

Borboleta disse...

Fizeste ir ao passado!
Adorava ver o faqueiro que a minha avó tinha de família. Nunca era usado, pois já não estava completo, mas era uma relíquia que passou de geração para geração!

Boas memórias!!

cristina ribeiro disse...

" Sempre de cabeça erguida ", mas com cara de desiludido, porque a imaginação da Patti lhe foge, como se tivesse asas...

Si disse...

Ó meu Deus!
Mas o que é feito deste pátio, destas molas de roupa, desta imagem fantástica que eu tanto gosto de ver quando abro a janela da minha casa??
Terá sido levado pelo vento??
Não o vejo, está tudo cinzento, no seu lugar!!
Primeiro deixa-nos em sobressalto, depois rouba-nos a vista?
Ai, sra. PresidentA, que apesar dos nossos pontos de vista gestacionais (relativos à gestão financeira do bairro, portanto)serem diferentes, não nos pode deixar pendurados e pregar destes sustos, credo, que o coração não aguenta!
Vá lá, vá lá, que hoje compensou com mais um texto de ganhar água na boca, a salivar por mais uma garfada de letras, senão......

P.S. Não vejo MESMO a imagem do Ares....

pedro oliveira disse...

Também lá tenho destes em casa.
Há pessoas que não podem ficar sem net!
bjs

1/4 de Fada disse...

Regressaste, que bom! Usaste o faqueiro na luta com os homens da net? É o qie se chama matar dois coelhos de uma cajadada - arranjaste post e net ao mesmo tempo.

liamaral disse...

Que ricas armas brancas!! :):) Não servem só para comer ou apreciar!!!
:) Beijinho

Violeta disse...

e que histórias esse faqueiro teria para contar...

Pitanga Doce disse...

Ó carago que já pensava que só eu tinha perdido o teu varal e as molas mas vejo que a outra Portista (aliás, estamos a perder)também não vê nada.

Deixa-me perguntar: este garfo não sofre de solidão, coitado?

Casa da Árvore disse...

Precisamos de ti.

Para dar ar a esses garfos, pares trinchantes, colheres desaparecidas e conchas de calda.

Lá pela Casa.

Rosa dos Ventos disse...

Fizeste-me lembrar algumas peças de faqueiro em prata que deram aos meus filhos quando eles se baptizaram...
Lá terei que ir limpá-los, mas construir uma história como tua será difícil!
Também me lembrei que os nossos rapazes nos deram, quando fizemos 25 anos de casados,uma espátula de prata...
Tenho que procurá-la também!
Não costumo fazer bolos...

Abraço

Justine disse...

Prosa sedutora, adequada à sedução de um objecto de prata antiga!

Patti disse...

Pitanga:
A Si já consegue ver. Não sei o que se passa, pois por aqui está tudo ok.

bacouca disse...

Eu juro que também se hoje não visse as "molas" quando abrisse os ares iria mandar um S.O.S. a saber se estaria tudo bem.
Que boa surpresa!
A prata como o cobre demora e custa a limpar. É por isso que esses objectos, bonitos e com história ficam guardados. Mas como tudo o que temos é emprestado dos nossos filhos, eles que se quizerem façam uso deles ou pelo menos saibam contar a sua história, como os nossos pais fizeram!

Luísa disse...

Um faqueiro de prata é um faqueiro de prata, Patti, e dá muita dignidade a uma mesa. Infelizmente, nem os faqueiros de prata, pelos cuidados que exigem, se compadecem com as realidades práticas do presente, nem, pelas mesmas razões, a muita dignidade das mesas. Preserve-se, isso sim – e aí não se poupem cuidados! - a dignidade dos comensais. ;-D
P.S.: Que prazer reencontrar a «Harsh Mistress»! :-)

BlueVelvet disse...

Como diria a minha mãe: Quem já foi rainha nunca perde a majestade!

PS: Ai vizinha, que já estava com os nérvos com a tua ausência. Além do mais o bairro andava desatinado.Tu vai-te ós tipos da net e dá-lhes, mas não com poesia.
Welcome back.

O2 disse...

È por causa destas e de outras que gosto de ti, pessoa linda, com tudo dentro... bolas, já estou a parecer um anuncio chato!

:)

Abraço era isso que te dava e pq não?? Iap, sorria meio alucinada e dava-te um grande abraço!!...e tu perguntavas, mas quem é esta maluca para me estar a apertar assim!! E sabes que mais? ...depois de ler o texto, com esta musica de fundo apeteceu-me chorar! Olha como eu ando... tudo normal, eu no meu melhor, á flor da pele, hormonas.