segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

semana da família

foto arts & ghosts

Maria Carlota era rainha, mas como todas as coelhas tinha muitos filhos, príncipes coelhos, que um dia haviam partido pelo bosque, para viverem aventuras e governar outros reinos.
E mesmo sendo uma rainha ocupada, era mãe igual a todas as outras e preocupada com os seus filhos. Sempre que conseguia um tempo livre, seguia para o Bosque Verde que rodeava o seu palácio e enchia o coração saudoso de memórias antigas, invadido de coelhinhos aos pulos.
Passeando entre flores rasteiras, lembrava-se dos primeiros passos, saltos e corridos dos filhos, das brincadeiras com os habitantes do bosque, as borboletas, os escaravelhos, os ouriços e os ratos do campo, do jogo das escondidas atrás dos arbustos de alecrim perfumado e troncos ocos e das aulas de botânica, dadas pela professora raposa. Autênticas classes de sobrevivência no campo.
Iam e vinham imagens de quando os seus coelhinhos, crianças irrequietas, conheceram o nome das primeiras flores, aprenderam a distinguir os cogumelos bons dos venenosos, a identificar o som dos animais predadores e dos inofensivos e a ler as horas do dia, através do reflexo do sol na terra e do surgimento da lua lá no cimo.
A Rainha Maria Carlota, estava sempre atenta à educação dos seus filhos, pois mais tarde seriam eles os responsáveis por governar os outros reinos que a família possuía, para lá do Bosque Verde e manter a paz com os governantes dos impérios vizinhos: o Rei Ganso, a rainha Perdiz, o Príncipe Gafanhoto, o Príncipe Cavalo e a Princesa Amora Silvestre.
Mas chegou o dia em que os viu partir naquele mesmo bosque, um a um, todos os doze coelhos multicolores, todos homens feitos, apaixonados pelos segredos do campo e preparados para reinar.

Por isso, voltava ali sempre que os afazeres reais lhe permitiam e matava as saudades com as notícias que lhe traziam o pólen das flores, as abelhas viajantes e as construtoras de túneis, as toupeiras.
No último ano, haviam nascido mais umas dezenas de netos, dissera-lhe o vento, todos irrequietos como os seus filhos, mas alunos aplicados nas aulas de botânica e de sobrevivência com a velha professora raposa.
As netas, brancas e de olhos grandes e azuis com a avó rainha, davam todas pelo nome de Carlota.
O pelo macio e permeável, absorvia-lhe as lágrimas da saudade e ansiava pelo dia em que os veria surgir todos juntos, lá na linha ténue do horizonte, onde começava o Bosque Verde.

E hoje voltou lá de novo, à espera de ver a nuvem de pó que vai nascer muito ao fundo e que a avisa que a família vem aí, para perto de si.
Numerosa, barulhenta, alegre, cheia de novidades e caras novas, para passarem esta semana do Natal todos juntos mais uma vez, a comer sonhos e filhós de cenoura.

17 comentários:

salvoconduto disse...

Só espero que não se esqueçam da velha professora, é Natal...

SONY disse...

Patti,
simbolizas aqui a espera de todas as avós ou quase todas, engraçada a estória da coelha carlota branca. Eu tenho um coelho Bunny pretinho :-)

Era bom que todas as avós Carlota passassem a noite de consoada com os netos.

Jitos,
Sony

*olha que engraçado o que te vou dizer, todos nós associamos o coelho à cenoura.
O meu coelho detesta cenoura, nunca a veterinária conheceu um coelho que não adorasse cenouras :-)

Gosta de banana imagina lol

Feliz Natal hoje para ti:-)

Tiago Taron disse...

Assim (dito à Português do Brasil:) "dá vontade" de voltar a escrever uma história de príncipes, uma vez escrevi uma para os meus filhos, vou ver se me lembro, escrevê-la e postá-la lá no meu sítio. Também acaba em Natal.

littledragonblue disse...

E um Natal passado com alegria em família, é um momento para sempre recordar, mesmo para os coelhos...

Um beijinhomeu, e lancei-te um desafio...

littledragonblue

Patti disse...

Tiago:
Tente então lembrar-se, que agora fiquei curiosa e gostava de a ler.
E se acaba em Natal nada mais apropriado, para postar nesta altura no Escrita em Dia.

Gi disse...

Uma Professora Raposa a dar aulas a coelhinhos!!!! Vá lá que D.Rapossa era vegetariana e gostava de botânica.

Eu conheciu um Mr. Rabbit na 6ª feira, fará parte da prole?

paulofski disse...

Tava o peixinho, veio o gato e comeu!
Mas veio o cão e o gato teve de se esconder...
Depois, veio o coelhinho...

- Não, não! O coelhinho vai com o Pai Natal e os Palhaços no comboio ao circo!

De repente, lembrei-me desta pérola natalícia.

Ainda bem para os coelhinhos que a raposa é vegetariana e a Páscoa ainda demora!

Patti disse...

Gi e Paulo:
Pena que a vossa imaginação não tenha fluído e só se tenham lembrado que as raposas comem coelhos e não que são também muito inteligentes e por isso mesmo são muito requisitadas como professoras.
Foi a sangria que vos toldou a lembradura?

BlueVelvet disse...

Que história de encantar.
Guarda para contares aos teus netos.
Não sei porquê fez-me lembrar o tempo em que o meu pai fazia caça submarina, mas vinha sem peixes porque dizia que tinha visto a mãe peixe, o pai peixe e os filhotes.
Que o mais certo era irem para a missa.
E que portanto, os tinha deixado em paz:)

Si disse...

E a Maria Carlota não se cruzou nesse Bosque Verde com o Ratinho e a Tinita? Ainda são parentes afastados, talvez se juntem na consoada...

P.S. Quando eu regatear com a Disney, arranjo-lhe lá um lugarzito como argumentista, combinado??

Beijinhos!

(É escusado dizer que adorei mais uma história de encantar, não é???)

Pitanga Doce disse...

Ai que eu choro!!!

Ver os filhos regressarem a casa e sentarem-se à volta da mesa, não há nada mais feliz! Ainda pra mais quando a geração anterior também se faz presente.

Agora diz-me o segredo desta cinturinhha da Carlota. Foi lipoaspiração???? heheh

beijos Natalinos

luzdeluma disse...

Patti, um dia quero ser uma mamãe coelha, ter muitos filhos e quando velhinha, na noite de natal, quero olhar para todos e lembrar da juventude, do tempo passado, contar histórias, melhor, resumir a vida num instante de felicidade!!
Acho que falo isto porque nestas datas, estando eu a morar longe da familia, sinto muita saudades!
Feliz natal!! Beijus

Rosa dos Ventos disse...

Bela história de encantar miúdos e graúdos!
Claro que terão que ser de cenoura...a pedido da família.

Abraço natalício

Filoxera disse...

E a torcerem o nariz, como qualquer coelho que se preze, mas sem que isso seja sinónimo de desagrado.
Beijos.

O2 disse...

:)

Lindo, só tu... n sei como raio vais buscar tanta prosa mulher!

Espirito natalicio no seu melhor tens tu aqui...

Olha, só te digo, agora comia uma filhós, aqui em casa n são de cenoura, mas que lás há las ha!

:)

Beijo

cristina ribeiro disse...

Esta família e a vizinhança poderão ter escapado ao dom de observação de Beatrix Potter, mas ficaram muitíssimo bem no retrato traçado pela pena da Patti.

Luísa disse...

Querida Patti, também lhe desejo, e à sua família, um excelente Natal, comendo sonhos e filhós… sem cenoura.
Um beijinho e Boas Festas. :-)