quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

... um não sei quê, que nasce não sei onde, vem não sei como e ...

foto alex maclean obvious

Estranha, esta sensação de reler o que escrevi há uma semana atrás, ou ontem, ou agora mesmo, e ficar a pensar de que forma as palavras que estão ali, me vieram parar ao espírito num sopro ou num estalo.
De súbito, fico a ler outro eu que não sou, outro ser que já fui, há um minuto apenas.
Outra personagem, outra entidade, outra pessoa e depois outra e outra e mais outra ainda.
E apetece-me conhecer as demais, que virão por aí.
É ele que me diz, somos tantos, cada um de nós é tantos.
Frase que me serve como uma pele, como ainda nenhuma outra me serviu.


(Espero ter respondido a algumas dúvidas, observações e perguntas que me 'colocaram' nos últimos dois posts. É que por vezes, nem eu sei).

18 comentários:

Pitanga Doce disse...

Talvez quem sabe, porém, todavia portanto...

Quem escreve entende o que se passa. Nem sempre somos donas das palavras. Tudo se resume a sentir e deixar ficar no "papel". E é tão bom que seja assim, mas sem perguntas.
Quanto ao meu comentário abaixo não falava em particular e sim no geral.

Agora quanto as personagens ou entidades...quem sabe a dona do chapéu com aba de flores???

boa noite Patti e deixa fluir...

Si disse...

Penso que sei a que se refere, e por isso deixei os comentários infra. Suponho que isso se chama inspiração, essa mesma força que nos veste e despe peles diferentes, que nos faz ferver em cima do teclado ou hesitar e ponderar em cada palavra, escrever vários posts ao mesmo tempo ou ter um para escrever para o dia seguinte e sentir a pressão de não ter o que escrever, porque não sai, não liga, não identifica com nenhuma das peles que vestimos, ou porque nos sentimos 'nuas' ou vazias de qualquer pele. E suponho que a isso se chama também evolução, quando, cada pele, é vestida com mais rigor e exigência, ilimitada que será a sua flexibilidade para ir mais além.
Será isto??
Beijinhos

fugidia disse...

Patti, estou deliciada com a leitura destes ares. Gostei especialmente do post sobre o ALA.
Gosto de a ler :-)

BlueVelvet disse...

Quem escreve sabe muito bem o que sentes.
Deve ser o mesmo que os artistas de cinema quando vêem os seus primeiros filmes.
E até mesmo o Lobo Antunes, hoje, se calhar, não escreveria os mesmos livros que escreveu quando começou.
Ele próprio o diz:é preciso viver para escrever.
E para saber ler.

SONY disse...

Patti,
Ora está aqui uma boa resposta.
Por isso este blog que tenho agora é raro a Sony, a que era antes, a Sony que muitos conheceram, no primeiro Alguém Me Disse, escreva algo de jeito.
Infelizmente só sei escrever assim, como este senhor descreve, e infelizmente tive que deixar de escrever assim na blogosfera, porque aqui há muito de bom, mas tb há coisas inimagináveis. Logo concordo com ele em tudo, ou se escreve, deixando acontecer, sem planos ou então não se escreve ou não sai sentido. Quem pensa que escrever é fácil engana-se, e não é para qualquer um, tem que se ter sangue a correr nas veias e muito sentir, muito mesmo.
por isso te disse que estes posts me encheram!
Adoro ler assim!
Adoro escrever assim!
Mas nem sempre o que está à nossa volta nos "deixa".
Um beijo enorme Patti e escreve sempre,
Sony

*não sei se entenderás o que falo, mas quem sabe que a Sony gosta de escrever no virtual a realidade entenderá.

“Um bom livro, é um livro que foi escrito só para mim, com o qual eu tenho uma relação pessoal e afectiva. Escrever é a minha razão de viver, a minha alegria e também sofrimento, mas é a minha sina”.

Gi disse...

E a Sony a dizer-te no post anterior que estavas diferente e tu a dizer-lhe que não;
Tu és uma esquizofrénica literária.

Nina disse...

Isso é mesmo incrível Patti. Como as coisas surgem e fluem tao naturalmente, e a gente nao entende de onde vem a inspiracão. Ainda mais vc, que escreve textos que parecem sair de livros, como funciona isso nao sei,mas vcs tem razao quando afirmam: "somos tantos, cada um de nós é tantos".
e um beijo pra cada uma de você :)

Ka disse...

Ainda bem que és várias :) e que nos dás a conhecer esses teus "Eus"!

Beijosss e continua a deliciar-nos com a tua leitura

Precis Almana disse...

Pois, lá está: inspiração e partes do puzzle que forma o nosso "eu".

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Comigo acontece o mesmo. Creio que é uma situação comum a quem escreve mais com a alma do que com a "razão".
Quantas vezes, ao ler escritos antigos , depositados no meu baú, não me aconteceu pensar: mas como é que escrevi isto?

ines disse...

Nasceu contigo. Aprendes-te os passos da leitura, da escrita e da vida, sem nunca os teres explorado! Foste arisca, ousaste, devagar, devarinho, uns dias com mais emoção outros com carinho e aqui estás e nós ao teu lado, uns dias mais calmos, outros efusivos, outros ainda que sem comentar, te vamos lendo com carinho!

claudia disse...

...é essa a razao de se escrever bem e bonito, e conseguir transmitir sentimentos a quem lê.

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Patti,
acredito que cada eu que manifestamos em qualquer produção é o resultante de um Kairos, que não torna e se vai desvanecendo da ideia que fazemos de nós, por muita memória que tenhamos ou estabilidade que experimentemos. Nesse sentido, a descoberta do que fomos em outro momento é a exploração dos filões que fazemos por nos suspeitar, no fim de contas o que torna a nossa personalidade mais digna do Puro pensamento, assim liberto das aspirações e influências do instante Presente.
Beijinho

carlota disse...

...e doi não sei porque.

Eu tenho um caderninho onde escrevo o que me vai na alma, desde o meu tempo de adolescência, até hoje. Ao ler coisas que escrevi, por vezes sinto que aquela Carlota que escreveu aquilo, não é a mesma de hoje. Por vezes o que escrevi com sofrimento e lágrima no olho faz hoje aflorar no meu rosto um sorriso de ternura por quem já fui.

Neste momento e seguindo as palavras do mesmo escritor estou mais para:
"Queria puder mudar-me e estar quedo; Usar de liberdade e estar cativo"

SONY disse...

Ai Patti desculpa vir aqui dizer mas a Gi fez-me rir :-)

Gi, adorei lol
Esquizofrénica literária? lol

Só mesmo vindo da Gi.
Um beijo pras duas.
jito
Sony

ana v. disse...

Querida Patti, tenho andado sem tempo para ler quem gosto. E ler-te é sempre um prazer enorme.
Todos somos plural, é uma grande verdade. Alguns de nós têm consciência dessas peles várias, outros não. Eu tenho (como tu também) e às vezes é difícil conciliar todas essas peles, mas ao mesmo tempo todas elas nos enriquecem, não é?

Beijinho

Filoxera disse...

Claro, já me apercebi.
Mas tens o teu próprio espaço, és, tu mesma, uma autora.
Parabéns!

Patti disse...

Ana:
Eu sei que tens tido pouco tempo, passas por aqui noutra altura, mais calma.
Até no tempo somos muitas, como imenso por fazer.
Beijinho