quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

politicamente incorrecto

foto tea for purple

'Bora lá falar da tertúlia do D. José Policarpo. Sarilhos, disse o senhor? E disse muito bem! Sarilhos até é pouco, muito pouco.
Penso, é que depois das suas palavras estarem já publicadas na imprensa mundial, tem de se pôr a pau com as perseguições e atentados que podem vir por aí.
A pior crítica que lhe fazem, é ter sido o líder de uma religião, que proclama valores cristãos como amor ao próximo, ter proferido frases 'intolerantes' como: “Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam.”
Pois por ser líder, é que me satisfez aquilo que disse, pois não teve nenhuma intenção de fomentar qualquer quezília.
Devíamos estar fartos de ter medo de desenhar cartoons ou escrever livros sobre Maomé.

Eu falo daqui à vontade; já fui católica, apostólica e romana, sei a Bíblia de trás para a frente e de pernas para o ar, estudei o Alcorão, conheço pensamentos, discursos, lavagens, diálogos, imposições, ideias de amor, actos de misericórdia, filhaputice, padres, freiras, católicos extraordinários, católicos nojentos e católicos assim-assim. Fiz a minha opção em total e livre consciência, quando não gostei mais, afastei-me, pus de lado, apaguei, esqueci.
Conheço com os meus olhos e vivência pessoal, o trabalho de compaixão infinita que levam a cabo, membros e leigos da Igreja Católica, em países e locais deste mesmo Portugal, onde a pobreza é extrema, a miséria total. Sei da dedicação e do amor infinito que essa gente dedica a quem menos tem. Sei dos riscos que correm todos os dias, por só quererem ajudar e como colocam a sua vida em perigo a cada minuto, em troca de nada. Sei de crimes hediondos que a Igreja cometeu, sei dos seus pecados por atitudes cobardes de fechar os olhos à realidade, para proveito próprio, sei de casos de padres que cometeram atrocidades, que nem o Diabo se lembrou delas.
E como sei de tudo isto, como muitos de vocês também sabem, destesto generalismos, saídas de uma só porta ou cegos de olhos abertos.

Não concordo com a posição da igreja face a pontos fulcrais importantíssimos e vitais da nossa realidade, como a homossexualidade, medidas de prevenção da Sida, o papel secundário que concedem à mulher na Igreja e na sociedade, o uso de contraceptivos e muitas outras situações, faladas vezes sem conta em relação à não evolução da Igreja face aos dias que correm.

Onde os críticos de D. José Policarpo, uns racionais e outros falsos moralistas, viram intolerância eu vejo talvez imprudência, mas acima de tudo verdade, realidade e muita lucidez.
Não vejo racismo, preconceito e nada de
intransigência. É a minha opinião, tenho-a muito clara e nem crente, sequer já sou.
D. José Policarpo, que ainda no outro dia disse uma grande bacorada em relação à homossexualidade, que me fez ficar agoniada, a chá preto e bolachas de água e sal, na terça-feira não atirou esta frase da 'cautela' e dos 'sarilhos' para o ar. Não, a frase foi proferida num discurso onde também falou de respeito, diálogo, tolerância e onde prudentemente ainda disse: "Nós somos muito ignorantes, queremos dialogar com muçulmanos e não gastámos uma hora da nossa vida a perceber o que é que eles são. Quem é que em Portugal já leu o Alcorão? Se queremos dialogar com muçulmanos. temos de saber o bê-a- da sua compreensão da vida, da sua fé. Portanto, a primeira coisa é conhecer melhor, respeitar"
. A conversa durou mais de duas horas e foi muitíssimo esclarecedora, mas para variar a imprensa gosta é de parangonas, senão ninguém lhe pega e como o assunto Ronaldo já não estava a dar, toca-lhe de nos 'enfiar' com o patriarca, que sempre dá mais uma polémicazinha.
E o povo, que adora é falar de tudo e de nada, que ama uma boa peixeirada e tem uma varina dentro dele sempre à espera de berrar, engole uma frase e pimba. Eu li por aí, cada interpretação desta tertúlia, mais estúpida, ignorante, falsa e moralista que até nojo me meteu.
A mim, uma quase ateia - se é que isso existe.

Não me venham com discursos de mau exemplo de líder religioso, ideias pré-concebidas de esquerda, frases politicamente correctas ou generalismos de ocasião.
Não o ouvi em toda a entrevista falar em TODOS os muçulmanos, ouvi sim falar de um povo que em levando a sua religiosidade em todos os pormenores da vida, se torna muito difícil de dialogar. Porquê? É alguma mentira? Eu conheço vários, por razões que não vêm ao caso, que são pouco religiosos e que nem à estalada lá vão, tamanha é a tacanhez daqueles cérebros de papa.
Difícil de dialogar é muito leve, impossível é muito mais real.
Portugal não é um país onde se saiba de histórias trágicas de casamentos entre mulheres ocidentais e homens muçulmanos, mas noutros países europeus, como a França, Inglaterra e a Holanda, há em cada esquina histórias de verdadeiros infernos, raptos e até morte, de quem quis escapar e já não o pode fazer.
E muito fácil falar e arranjar argumentos bonitos e decorados, quando a realidade não nos toca minimamente.
Está a fazer-se uma tempestade num copo de água, de uma conversa que demorou horas e onde o respeito pela religião muçulmana nunca, mas nunca foi posto em causa. Este histerismo de algumas frases eloquentes contra o que ele disse, está muito próximo do exacerbo fanático de alguns muçulmanos, que até arrepia.
Os piores são os que aqui dão no cravo e em casa dão na ferradura.
Só faltou mesmo dizerem que o homem tem um jogo das cruzadas medievais na playstation e que tem cromos do El Cid, p' troca com o Papa, quando vai ao Vaticano!

E aqui vai um pouco de tolerância e amor ao próximo, nas palavras do Corão:
Ó vós que credes! Não tomeis os Judeus nem os Cristãos por amigos. Eles são amigos uns dos outros. Aquele de entre vós que os tomar por amigos é um deles. Alá não guia os que praticam o mal (...).
Ó vós que credes! Não escolhais para amigos esses que receberam a escritura antes de vós e os descrentes que fazem objecto de irrisão das vossa crenças (...).
E quanto a esses que dizem: "Olhai! Nós somos Cristãos". Nós fizemos uma aliança mas eles esqueceram a parte em que eram admoestados. Por isso fizemos despertar entre eles a inimizade e o ódio até ao Dia da Ressurreição quando Alá os informará dos seus trabalhos.

Mas quem é que de vocês não ficaria em pânico se a vossa filha lhes aparecesse com um muçulmano em casa a dizer, Mãe este é o Mustafá e vou viver para a Arábia Saudita, onde ele tem uma família imensa e muito unida e depois mudo o nome para Fátima como a mulher do profeta e não sei quando venho ver-vos de novo, porque o Mustafá diz que os voos são muito raros.
Diziam o quê? Inshala?
Por amor de Deus, Alá, Jeová, Buda ou lá quem é que vocês queiram rezar. Eu morria de susto, fazia-lhe uma lavagem ao cérebro com filmes, literatura e exemplos de vida real e não descansava enquanto não a pusesse a milhas do sujeito.
Ai o amor, o amor.. é tão lindo não é? Na ingenuidade da juventude então, até dá direito a ser-se estúpido, ingénuo, crédulo e tudo.

Não vamos também pensar que todas as mulheres muçulmanas são vítimas, ignorantes e desgraçadas. Muitas, são mulheres esclarecidas, que levam a sua religiosidade em consciência sem a imposição dos homens. Mas a grande maioria nem pensar pode! Aliás, pensar será um dos milhares de verbos que não existem no vocabulário feminino.
A comunidade muçulmana está magoada. Também eu estou, quando por exemplo sou testemunha de situações como noutro dia num supermercado, em que fiquei colada ao chão ao ver uma mulher muçulmana de burka, a escolher uns collants. Primeiro encostou-os ao buraco dos olhos para ver bem a cor e depois para verificar a elasticidade, teve de pedir ao marido se podia levantar a burka, para o fazer melhor. Foi revoltante a cena. Mas sorte a dela, que ainda pode andar à solta nos supermercados sem gps ou trela, a mostrar a cor dos olhos e a espessura dos tornozelos.

Chamem-me o que quiserem. Esta é a minha posição e lamento se se chocarem. De homens muçulmanos quero distância. Muita. Toda. Para todo o sempre!
Sou mulher não sou um objecto, como por exemplo pensa um país muçulmano riquíssimo e supostamente evoluído, como a Arábia Saudita, aqui.

D. José Policarpo foi o Bob Geldof de 2009.
O que o meu antigo líder religioso disse, é tudo tão verdade...


para mais esclarecimentos, ler aqui, do jornalista Carlos Narciso.

39 comentários:

salvoconduto disse...

Entre umareligião e outra fica o diabo no meio...Ao vermos o trajecto histórico de uma de outra, eu, que não sou crente, digo, "meu deus" quanta semelhança! Pena é que Policarpo não tenha essa "coragem" todos os dias.
O mais certo é vê-lo a falar amanhã com Abdool Magid Vakil sobre o papel da mulher no mundo e haverá de certeza um ponto que unirá os dois, a mulher como animal reprodutor.

Patti disse...

Salvo:
A Igreja Católica não é de todo um exemplo de modernidade em relação à mulher, mas fica muitos séculos à frente do Islão.

O Pinoka disse...

Clap!clap!clap!
Muitas palminhas para o texto e para a autora. Como sabes estou completamente de acordo. Gostei da comparação com Bob Geldof.
Beijocas

pedro oliveira disse...

Em relação ás palavras do Patriarca deixo cópia do meu comentário deixado ontem no Delito:

Confesso que as palvaras não me causaram indiferença, se alguém quer casar com outra pessoa deve no minimo saber ao que vai, o mulçumano concerteza não vai esconder a sua religião,nem se é praticante ou não, portanto há tempo na fase antes do casamento, para perceber estas coisas e muitas outras. Posso estar a ser romântico,mas é o que penso.

Patti disse...

Pinoka:
Parece que anda tudo cego! E o politicamente correcto numa situação destas, revolta-me. É grave.

Pedro:
Com romantismo é que o tema terá muitíssimo pouco a ver. Isso será outro filme.
Não basta saber se o homem é árabe muçulmano ou não.
É preciso saber se o é, como é que ele e a família levam a sua religião, coisa que nunca será mostrada a nenhuma ocidental, com a devida clareza.
Tudo na vida deles é religião, vivem com base do que está escrito, sem arredar pé e pior, levando as palavras do profeta ao extremo.
É mais que óbvio que uma ocidental, por mais esclarecida que seja, não saberá nunca no que se mete, se for viver com uma família muçulmana.

Não serão todos, obviamente, falo daqueles que engoliram um chip medieval à nascença e que cada vez mais actos fanáticos lhes conhecemos.

Nisto, há tudo menos romantismo, Pedro.

Pitx disse...

(tenho um passado religioso parecido com o teu.)

o teu texto merece uma chapelada. é por essas e por outras que me rio com as opiniões dos moralistas, esquerdistas e outros istas da nossa praça.

(eu queria escrever este post. parva, roubaste-me a ideia toda. vai à merda)

(parabéns!)

Álex disse...

Patti, estou de acordo com o que dizes:
- o nojo de jornalismo que na maioria das vezes impera no nosso país, sempre a precisar de polémica, tirando de contexto... em vez de haver uma investigação séria e esclarecedora dos dois lados da questão (viste a reportagem da SIC ao casalinho portuguesa/marroquino cabeleireiros do Montijo? iacccc)
- a Igreja Católica Romana Apostólica não ser um exemplo fantástico no que toca ao papel da mulher nem estar isenta de muita asneira ao longo dos séculos
- mas só quem não está mínimamente informado neste mundo é que não sabe da quantidade de histórias (que até já viraram filmes e livros) de mulheres casadas com musulmanos que, uma vez a viver num desses países, perdeu o direito ao estatuto que tinha de indivíduo independente, com opinião, direitos, etc, etc
Enfim, muito bem escrito!

Gi disse...

Ontem fiz um comentário num blogue;
Hoje ia escrever um post semelhante na sua essência ao teu.
Somos, de facto, siamesas.
Acho que as palavras do Cardeal Patriarca foram religiosamente, politicamente e socialmente correctas.
Quem quiser casar com um muçulmano tem que ser única e exclusivamente muçulmano.
É uma religião 100% dogmática.
Casa-se com o marido e com toda a família.
Nada se pode fazer sem a autorização do marido.
Tenho conhecimento de causa do que isto é; tendo vivido e continuando a viver de perto com esta realidade.
O Sr. Cardeal Patriarca fez muito bem em alertar; é essa a sua função;
Tenho dito.

PDuarte disse...

o texto está compridito mas refelecte na exatidão a minha opinião.

Ka disse...

Muitissimo bom este teu post Patti!

Como sabes sou católica por educação e também por opção mas sou muito contestatária em relação a alguns pontos da Igreja e não assino por baixo tudo o que é dito pela mesma (nem de perto nem de longe).
Tirando essa diferença de ti tudo o resto é precisamente o que penso.

Obrigada por sintetizares bem a opinião que também é a minha :)

Patti disse...

Pitx:
Ena, ena, tantos elogios! Obrigada. Como disse ao Pedro, é por o tema ser demasiado sério e ainda para mais tocar as mulheres tão de perto, que os falsos moralismos, politicamente correctos me dão conta da cabeça.

Álex:
Uma questão tão séria como esta, não devia nunca ser tratada com o alarido próprio de um 24 Horas. Obrigada pela tua participação.

Gi:
“O Sr. Cardeal Patriarca fez muito bem em alertar; é essa a sua função”. Absolutamente de acordo. Ele não fez mais do que o seu papel, chamar a atenção para um problema futuro, que cada vez mais se torna real com a abertura de fronteiras a todas as raças, credos e sexos.

Pd:
Quando aqui opto por falar de temas fundamentais da sociedade, não o faço a pensar se é um texto mas sim uma conversa longa, muito longa.
Este tema é demasiado grave para ser resumido. Muito, mas muito mais tenho eu para dizer.

Ka:
Não tínhamos falado ainda deste tema as duas, mas calculei que fosse esta a tua posição.
E se não fosse, amigas na mesma. Felizmente o credo ou falta dele não nos separa ou rege a nossa vida e mente, ao contrário da religião muçulmana.

Rita disse...

Eu acho que no fundo no fundo todas as religiões têm o seu calcanhar de Aquiles mas há as que têm calcanhares maiores do que outras e a Muçulmana é uma dessas. É muito facciosismo e muito muito extremismo e muita pála nos olhos como os burros, só vêm para a frente e não conseguem pensar pelas suas próprias cabeças se é que elas conseguem pensar. Eu acho que o conselho do Cardeal Patriarca foi isso mesmo, um conselho. Um conselho que um pai dá a uma filha e não é ele considerado como um pai dentro da Igreja Católica???
Jokas

LORENZO MONSANTO disse...

A Igreja ensina tudo menos o perdão. O perdão da Igreja é um "não perdão". Dizem-nos: Tu nasces impuro, tens de ser purificado. E lá vamos nós ao baptismo. Depois seguimos as nossas vidas e cada vez que cometemos um "pecado" (não existem pecados) lá temos de ir nós ao perdão. Confissão e absolvição. Quem está em perdão, está sempre em perdão. O perdão não é algo de pontual, é um estado. Como estar em Amor. E há uma coisa que podemos sempre lembrar; independentemente da religião ou da doutrina que seguimos, todas elas resumem-se ao mesmo e têm o mesmo princípio: O Amor ao próximo.
E o que mais custa, é reparar que as maiores atrocidades da história foram cometidas em nome da religião.

Eu não sigo qualquer doutrina, mas acredito em Deus. Mas Deus não é essa identidade que pune. O meu Deus não é o Deus proclamado na Igreja católica.

"Não me procures em edifícios de pedra ou de madeira. Levanta uma pedra e eu estou lá, parte uma tábua e lá estarei. O reino de Deus está dentro de ti e em toda à tua volta." (São Tomé)

E sim. Muito se poderia aqui dizer. Muito. E claro, gerar bastante polémica.

Rosa dos Ventos disse...

A verdade venha de quem vier e referente, neste caso, a um aspecto tão relevante da vida dos povos, a Religião, nem sempre é fácil de entender e de aceitar.


Abraço

Tité disse...

Patti querida,

Como eu gostaria de escrever assim...
No entanto, como pudeste apreciar escrevi o que o sentimento me ditou.
Sou crente, tenho fé em Deus e estou permanentemente em conflito com a minha religião católica-cristã. Os exemplos nem sempre são os melhores.

Neste caso não poderia estar mais de acordo com D. Policarpo.

Até assusta só de pensar os riscos que correm as ocidentais que se apaixonam por um muçulmano qualquer que encontram por essas estradas da vida.

Moçoilas casadoiras estejam atentas. Não corram riscos. Não se metam em "sarilhos". O amor cada vez dura menos, como tenho apreciado últimamente, e se o desencanto for com um muçulmano estejam certas que tão cedo não se livram de uma paixão tão tortuosa e enganadora.

D. Policarpo avisa. Quem avisa amigo é.

Parabéns Patti pelo teu texto profundo sobre um tema que toca a todas as sociedades, culturas e religiões.

Jokas

Si disse...

Concordo com tudo o que é aqui dito, excepto no que toca à frase em si. Considero que a altura em que vivemos fanatismos tão exarcebados, exige ponderação e esta frase, retirada do seu contexto ou não, terá sido no mínimo infeliz, já que contradiz a afirmação anterior de sermos ignorantes e termos de aprender a conhecer e respeitar. Pela sua posição e condição na hierarquia religiosa de um país, onde, precisamente, a comunidade muçulmana até tem tido uma postura serena, não me parece necessário que esse 'esclarecimento' fosse dado, pelo menos em público.
E note-se, repito, falo apenas e só da frase, tal como foi noticiada e divulgada, sem fazer qualquer juízo de valor sobre a religião muçulmana, nem a católica nem nenhuma delas.
Todo o resto, 100% de acordo.

once disse...

a única coisa de que podemos acusar o Cardeal é de alguma coragem em verbalizar o que muitos pensam. Porque não há um laivo de mentira em tudo o que li da intervenção do senhor.

Este seu post Patti - verdadeiramente cru e elucidativo. Parabéns por isso.

(chego via Cristina Ribeiro - ES)
:)

Teresa Durães disse...

e antes uma ida para um convento? ou entrada no OPUS DEI? não vejo diferença nenhuma

f@ disse...

Tchi Patti... Coisinha pouca este post... tão canininho...
As nuvens pesam mto hoje, e tu já escreves-te tudo...

Beijinhos das nuvens

LeniB disse...

Há muitos anos que deixei de acreditar em instituições demasiado organizadas. Creio cada vez mais que os padres e corjas afins velam mais pelo seu bem-estar do que pelo do seu "rebanho".
Conheço razoavelmente a Bíblia para considerar que é uma verdadeira obra literária, onde abundam parábolas, nunca a encarando como um símbolo dogmático do que quer que fosse.
Conheço muito mal o Alcorão,mas nem preciso: basta ver o fanatismo cego dos que o subscrevem.
Resumindo, defendo acima de tudo a liberdade de pensamento e de escolha. Acrescentando, defendo a liberdade de expressão.
Não sendo católica e nada tendo a temer, concordo com as palavras do D. José e com as tuas. Distância...muita mesmo...

1/4 de Fada disse...

Só ouvi a notícia na rádio, completamente fora do seu contexto, agora estou a qui a ler o que tu dizes e a compreender melhor todo o assunto. Concordo com tudo o que tu escreves e o esclarecimento que fazes em relação à tua posição no que se refere à Igreja Católica, no início do post, encheu-me as medidas. Sublinho o que respondes num comentário - no que diz respeito às mulheres, a posição dos católicos pode ser má, mas está a anos luz dos muçulmanos.
Magnífico post, Patti.

paulofski disse...

Pertenço à maioria dos católicos portugueses, os que não são praticantes, e para mim tudo o que tenha a ver com religião me passa completamente ao lado, embora de vez em quando lá me saia um "ai meu deus" ou um "ai jesus", como se fosse um "carago" ou um "fogo"! Assim como não tenho compreensão para os tabus, crenças, leis e dogmas da igreja católica, embora tendo crescido num meio cristão, não as defendo e muito menos as pratico, isto é, vivo pleno de liberdade em ser assim, não me sinto obrigado a ser crente o que me permite adoptar um estilo próprio e um pensamento livre. Em todas as outras religiões, tanto no islamismo como em outras mais ou menos fundamentalistas, isso não se verifica e impõem uns "escritos" sobre todo o modo de vida, de sociedade de muitos povos deste mundo.

A tendência nos casamentos inter-religiosos é a da consumação de práticas da religião "dominante" da obrigação pela tradição, pelo pecado, pelo medo. Seja qual for, a religião tende sempre a converter os dois elementos do casal, e neste caso a convertida será sempre o elemento de menor convicção religiosa. A partir daí a vida conjugal estará sempre posta em causa, não aos olhos da igreja mas aos olhos da família, da vizinhança, da sociedade. Quero dizer com isto dizer que a mulher não só se casa com o homem mas casa-se com a religião e isso para eles é fundamental.

Concordo em absoluto com o que aqui li escrito pela Patti, em parte com o pensamento do Cardeal, e mais uma vez me choca que o chamado sobrenatural, o divino, o sagrado seja usado para justificar o horror e a morte.

JC disse...

Li o seu texto e quero dizer-lhe que comungo de tudo quanto nele está escrito.
Sou católico, não praticante, mas extremamente crente.
Não praticante porqe não me revejo em algumas posições da Igreja, e que estão bem espelhadas no seu texto.
Quanto às declarações do Cardeal D.José é preciso ter coragem para as proferir e ele teve-a. É extremamente difícil dialogar com muçulmanos, não são tolerantes e querem sempre fazer prevalecer a opinião deles. Além disso é vermos e fazermos uma reflexão sobre o que acontec nos países Asiátcos.
O que pudesse dizer mais neste comentário era repetir o que tão bem escreveu no seu texto.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Patti: Fiz esta manhã um longo comentário sobre este assunto que, provavelmente devido à sua extensão não entrou.
Vou agora ser breve. Apenas para dizer que esta é a análise mais lúcida e estimulante que li na blogoesfera sobre este assunto ( e li muita coisa)
Concordo consigo em substância. Na verdade, D. José Policarpo limitou-se a dizer uma verdade que muitos interpretaram ( erradamente) como reaccionarismo.
A única ressalva que faço, é que penso que deveria ter sido mais abrangente e fazer as mesmas acusações a outro tipo de religiões fundamentalistas que proliferam como cogumelos,principalmente nos Estados Unidos.

Patti disse...

Rita:
Concordo contigo no ponto em que os muçulmanos são extremamente irredutíveis nas suas crenças, é quase impossível cederem um milímetro.

Lorenzo:
Apesar de eu me ter afastado da Igreja Católica, não fiquei com essa visão negra que aqui expõe, aliás só tenho a dizer o melhor em muitos campos e noutros nem tanto.
A polémica aqui era muçulmana.

Rosa:
E os muçulmanos muito menos ainda. A Igreja Católica já está habituada a ser o bode espiatório dos males do mundo e é em certa medida injusto que pague toda a vida pelo seu comportamento na Idade Média.

Tité:
O que escreveu no seu blog, foi exactamente o que eu penso, mas nas suas palavras, muito bem pensadas e sentidas.

Si:
Como está escrito a frase não foi dita à toa, foi expressa num contexto muito amplo. E não concordo com o privado da frase, alguém tem de ter coragem de proferir o que a maioria tem medo de falar.

Once:
Olá, muito bem vinda ao Ares. Muito obrigada pela visita e pelas suas palavras. Foi coragem sim e muita!

Teresa:
Se estás a comparar uma forma de vida muçulmana com uma ida para o convento ou com um ramo mais restrito da Igreja como a Opus Dei, não podia estar em mais total e completo desacordo contigo. Conheço ambos e não se pode comparar o incomparável, nem sequer há a mais ténue relação.

F@:
E que nuvens pesadas estas, querida F@.

Lena:
Pela minha vivência nem tudo será corja, nem pouco mais o menos e mal seria. Mas que existe muita porcaria, não duvido, aliás como em todas as outras religiões. Quanto aos muçulmanos homens, tenho pena mas nem vê-los.

Fada:
Deixo-te aqui um link onde te podes esclarecer mais um pouco. Do que eu conheço, que acredito ainda ser muito pouco, é no mínimo um inferno, mas todos sabemos da condição da mulher no Islão, ou não? Palavras para quê?

Paulofski:
Disseste uma coisa muito verdadeira, as mulheres casam-se não só com o homem, mas com a família inteira, a religião e o modo de viver. Aliás aquilo não é uma religião, é um modo de vida, pois está presente em cada segundo da vida deles.

JC:
É isso mesmo. Coragem do Cardeal e intolerância do mundo muçulmano. Aliás o resultado está à vista de todos.

Carlos:
Pois olhe que realmente não entrou nenhum comentário seu além deste. Quanto às seitas, se calhar não falou nelas porque é o mundo muçulmano que está na ordem do dia e que representa neste momento maior perigo, visto existirem em grande número na Europa.
Quanto às outras, chamar-lhe-ia antes de seitas em vez de religiões e são mutiladoras, lavadoras de cérebros, pré-históricas e criminosas. Um perigo, sem dúvida Carlos. Obrigada pelas palavras.

Luísa disse...

Concordo com tudo o que diz, Patti, sem reservas, e até mesmo quando nos acusa de um fraquinho por «boas peixeiradas». Só a referência às varinas acho um tudo nada insultuosa… para as varinas. ;-)

Mike disse...

Via Cristina Ribeiro, apenas para lhe dizer que o texto magnífico faz jus ao título.

BlueVelvet disse...

Patti,
deixei ontem um longo comentário a este post que provavelmente não entrou.
Resumidamente o que eu dizia é que embora seja católica praticante a minha Fé não tem nada a ver com a Igreja.
Sempre tive o cuidado de separar uma coisa da outra. A igreja foi feita pelos homens, bem como as suas regras.
Quanto à afirmação de D. José Policarpo, ainda por cima retirada do contexto, como sempre quando os jornais querem fazer manchete de qualquer coisa: ele disse e disse muito bem.
Aliás até já há livros escritos, não interessa se têm qualidade ou não mas sim o que relatam.
E relatam casos de mulheres ocidentais que casaram com muçulmanos a quem aconteceram as maiores tragédias, por causa disso.
Um post nada politicamente incorrecto, mas sim muito oportuno.
Bjs

joana disse...

Esta muito bem redigido este teu post.
Não tenho religião,nem me acredito em nada,mas respeito as pessoas que o fazem.
E se José Policarpo disse o que disse alguma razão deve ter.
Não me gosto de meter em assuntos que digam respeito com a religião porque não percebo mesmo,mas há certos assuntos que não tem haver só com a religião,mas com a felicidade das pessoas.
Beijos

mariam disse...

Patti,

sou católica, meus filhotes frequentam a catequese,,,

... e o teu texto é soberbo.

um abraço
mariam

Filoxera disse...

Comenterei mais "acordada".
Beijos.

ematejoca disse...

Patti,
Ontem postei no "ematejoca azul" sobre este tema. Foi pena, que a Patti nao deixasse comentário.
Vou indicar no "ematejoca azul" se nao se importa, para também lerem este artigo.
Quanto à afirmação de D. José Policarpo, ele disse pura e simplesmente a verdade. Aqui na Alemanha sabemos melhor do que aí em Portugal o que significa a mentalidade muçulmana.
Este artigo é politicamente correcto, muito oportuno e muitíssimo verdadeiro.

O primo do desaparecido nao me respondeu ao @-mail.

E a Patti nao me disse, se aceitou o Blog de Ouro.

Boa noite ou bom dia! Sao 4 horas da manha!

salvoconduto disse...

Porque comentaste o meu último post, e apenas por isso, informo-te que o mesmo foi aumentado. Penso que em nada belisca com o teu comentário.

Justine disse...

Chocada contigo não estou, mas que isto era conversa para muitas, muitas horas, lá isso era!
O que eu sei é que todas as religiões dão origem a intolerâncias, guerras e crimes, quando deveriam fomentar a paz entre os crentes.
Ah, se os homems conseguissem viver sem necessidade de metafísica...

bacouca disse...

Só digo que concordo em pleno com D.Policarpo e também com as suas observações. Não me alongo mais pois já muito foi dito sobre este tema.
Fanatismos são sinónimo de estupidez.

susana catarino disse...

estou totalmente de acordo em relação à análise que fez das palavras de D. Policarpo. A imprensa, como já é hábito, quis criar mais uma polémica para encher jornais e minutos de discussões na televisão... para isso, pegou em uma ou duas frases e expôs como se fosse uma atitude de preconceito... quando na realidade as palavras dele pretendiam transmitir aceitação e respeito entre as várias religiões...

Paula Crespo disse...

E quem fala assim não é gago!! :)
E fala muito bem, pois tudo o que disse é verdade e faz sentido. O politicamente correcto que impera no nosso dia-a-dia ameaça esconder a verdade, seja ela de cariz religioso, político ou outro. Já não se podem chamar os bois pelos nomes sem que caia o Carmo e a Trindade!! Isso não é sinal de tolerância mas sim de hipocrisia.

Patti disse...

Luísa:
 Mas eu pedi às varinas se lhes podia fazer referência, aqui nos Ares.

Mike:
Olá, seja bem-vindo ao Ares e obrigada pelo comentário.

Blue:
Parece que neste post falhou a entrada de comentários de várias pessoas … e muito oportuno foi também o Patriarca.

Joana:
Cada um pensa e diz o que quer desde que respeite os outros e foi o que ele fez.

Mariam:
Se todos se sentem felizes assim, ainda bem. O mais importante é que possam sempre ter a liberdade de escolher.

Filoxera:
Cá te espero, então.

Ematejoca:
A Alemanha será com certeza um país onde estes exemplos de ‘sarilhos’ devem acontecer com muito mais frequência do que em Portugal.
Quanto ao prémio já lá fui de novo.

Salvo:
Já lá fui de novo.

Justine:
A guerra que tem por detrás religiões, tem sempre por base intolerância.

Bacouca:
E ignorância.

Susana:
A imprensa hoje em dia é causadora de muitos ‘sarilhos’!

Paula:
Olá, acho que já a tinha visto por aqui uma vez, se não me engano.
Na nossa sociedade é-se preso por ter cão e por não ter. Se ele falou, devia estar calado, se está calado, devia ter falado. É sempre o mesmo.
Os portugueses no entanto, gostam mesmo é falar de tudo e de gagos também não têm nada, então no disparate …

Guidinha Pinto disse...

Bem, está tudo dito. Faço minhas as suas palavras.