sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

não ser


No almoço de domingo, a duas mesas da minha, sentava-se um casal de 45-46 anos, não mais. Conversa...pouca ou nenhuma. Telemóvel...muito, bastante até. Dele, que falou com o colega da bola, com outro amigo, sobre um tal de "gajo fdp" e ainda com outro chamado "meu ganda sacana". E alto, bem alto.
Passados vinte minutos chega um filho adolescente, acabadinho de sair da cama. Os olhos de uma mãe rejeitada por um telemóvel nokia e um prato de queijo de Niza, brilharam quando ele se deu ao trabalho de grunhir uma espécie de cumprimento, sem olhar para ela, que estava mesmo em frente, à distância de um beijo que não foi dado. Ofereceu imediatamente ao filhinho um pedacinho de pão com a manteiga já espalhada, deu-lhe a água dela e disse-lhe, a sopinha é canjinha.
O mostrengo fez um esgar com a boca e ela rejubilou mais uma vez com a comunicação estabelecida. O pai, esse estava outra vez ao telemóvel a falar com o "ganda sacana" e nem reparou que tinha um filho a almoçar com ele.
Depois aparece o outro, a besta-mor, acabadinho de vir, sinceramente não consegui imaginar donde seria
No entanto, durante o almoço deu para reparar que era mais falador que o irmão, principalmente nos sons nasais e guturais que emitiu e ainda pelo, deixa-me em paz caraças, quando a mãe orgulhosa da prole, lhe disse baixinho e a medo, tens de fazer o pedido filho, que o empregado está à espera.
Oh querido, não estejas assim, só queríamos que viessem para nos fazerem um bocadinho de companhia, disse ela triste à laia de satisfação, mendigando por uma caridadezinha.
Companhia, companhia? Porra e limpou o nariz com a manga, juntando-lhe mais um estridente som nasal.
O mais novo bazou. Já tinha acabado de comer a canjinha e ainda conseguiu levar o cartão multibanco da mãe, apesar dos protestos dela e do silêncio conivente do pai, que estava mais entretido a enfardar a cabidela.

Estes dois monstros já foram bebés, andaram ao colo, receberam beijinhos, mimos, festas e fizeram gracinhas parvas. Usaram fraldas, passearam de mão dada, curaram dói-dóis, deram xi-corações e disseram papá e mamã.
Qual foi o momento exacto, o instante breve, o segundo, em que a vida desta família lhes terá fugido? Viram-na passar, repararam no aviso, deu sinal da sua presença?
Aposto que sim, por muito subtil que seja o toque, há sempre a intuição, pequena que seja, que descodifica algo que se tornou diferente do habitual.

E eu, que tenho esta angústia do tempo e do finito, fico a pensar como será possível haver quem opte levianamente por não ver, não viver, não ser.
Desliguei os olhos dali, como faço sempre com o que me faz mal e quando na minha mesa me perguntaram, tens estado a olhar para quem, eu ainda concentrada na cena respondi, ninguém!

38 comentários:

Anónimo disse...

Alguém criou esses grunhos, eles não nasceram assim...

SONY disse...

Bem ainda não é desta que te venho ler.
Ando praqui sempre a saltitar e nada de leituras e comentários.Isto (o meu lado) anda caótico :-)

Deixo um beijo, obrigada pela visita ao meu canto.

Sony

Pitanga Doce disse...

Provavelmente o próximo encontro da familia será quando os pais forem buscá-los à Esquadra, depois de uma briga na Discoteca.
Isto não acontece da noite para o dia mas quem está de fora, porém próximo, bem que avisa mas eles não ouvem principalmente se não faltar carteira cheia. Ela compra TUDO!!!
É uma pena.

beijos Patti. Estou voltando aos poucos.
O que aconteceu com Dezembro que está quase a acabar e eu não vi? Nem à árvore de Natal que ainda está na caixa?

Alecrim disse...

Que horror, Patti, o meu coração doeu-me, aqui.

De dentro pra fora disse...

A cenas que o melhor é nem as ver...

SONY disse...

Patti,
agora sim vim ler-te finalmente.

Quanto ao que comentas e viste infelizmente é a realidade de muitas pessoas. Não vou imaginar sequer que um dia a criança que tenho em casa e que não chega nem sai para lado nenhum sem dar beijos a todos.
Nem me vou alargar aqui neste campo, mas sim apenas vou dizer o que realmente penso...ao que já vi com os meus olhos, e com o que ainda vejo, sinceramente até me custa dizer algo sobre essa dita familia, porque sem dúvida eles não nasceram assim, nasceram como todos nós, agora também ninguém sabe onde a corrente quebrou, qual foi o elo, como, quando, porquê? E como não se pode apenas julgar o que se vê, a mim sempre me disseram, no melhor pano cai a nódoa. Por falar em melhor pano, ainda hoje chegaram mais dois excelentes a casa da mão do jovem.

Não cuspo para o ar...

Nem quero pensar se um desses dois fosse o meu sobrinho...ou alguém que me rodeie.
Sou muito rígida com a educação de crianças, tem que ser certinho direitinho, mas também já vi muita coisa...por isso...

Jito,
Sony

Gi disse...

Educar dá imenso trabalho; muitas vezes as crianças não nascem nas famílias certas e, os seus próprios feitios ajudam a fazer o resto; se tiverem pózinhos de bom feitio, eles próprios se encarregam de serem melhores que os pais, se não, vão pelo cano abaixo.

Quanto a ti, enquanto estiveste a observar a família alheia, a tua família também ficou abandonada por ti, mas de ti pendente e atenta em ti.
A mim também me acontece isso.

Carlota disse...

A minha experiência diz-me que os filhos tratam as mães da forma que vêem os pais tratá-las. E vive-versa.
Esse marido/pai é uma verdadeira besta.

Si disse...

São cenas destas e a incredulidade das mesmas que me fazem continuar a colocar questões sobre a educação dos nossos filhos, todas as semanas. Nunca podemos deixar de educar, nunca podemos deixar de aprender, nunca podemos deixar escapar momentos que não se repetem e que podem ser os tais em que a corrente se quebra. Conheço muitos exemplos destes, conheço outros que são o oposto, e, cada vez mais me convenço que para além do esforço descomunal e exercido 24 sobre 24 horas, haverá sempre o factor sorte, ou acaso, como aquele que pôs aquela família no seu caminho.

Anónimo disse...

Patti,

Aquilo não foi mudança de um minuto, ou uma hora, ou até um mês...

Esse é que é o problema. São anos os miudos a cultivar aquele comportamento, e os pais a adubar!...

Tretices grandes para ti

Teresa Durães disse...

Bom, a adolescência não é fácil. Lembro-me da minha e vejo agora a do meu filho. Pouco o vejo e almoços fora de casa nem pensar. Mas sei que ele está a construir a vida e em breve voltará a regressar. Grunhos não que não permito

Álex disse...

parafraseando-te: e eu que tenho esta angustia ... no meu caso, da adolescência que se aproxima pela proa, só tenho no pensamento a ideia de estar a semear e a plantar o correcto para depois não colher todas estas cenas desagradáveis com que nos deparamos no dia-a-dia. eu temo o quadro que vi num rest. na Trafaria há pouco: mãe, pai e filho de 12 anos, os 3 em silêncio a acabar o jantar e a cria a puxar da psp logo a seguir e o silêncio presente até ao pagar e sair. brrr que frio!

Filoxera disse...

Há quem esperdice totalente a vida, infelizmente...
Beijos.

Anónimo disse...

Também concordo...

Houve um ponto onde tudo virou...

JC disse...

Estamos a atravessar uma fase em que a sociedade está cada vez mais desumanizada. Exemplo disso é o texto que escreveu.
Em muitas famílias, penso que não a maioria, mas aem muitas a relação pais filhos é exactamente aquela descreveu.
Penso que quando são crianças não lhes sõ transmitidos os valores da família, a boa educação, o saber estar, o saber viver em sociedade, entre outros, mas essencialmente o respeitos. O respeito pela família e pelos outros.
Não sei até quando isto vai durar, mas espero que a sociedade evolua para os valores que se foram perdendo.
O seu texto devia ser lido por muitos desses jovens para reflectire sobre como tratam os pais, eles que fazem tantos sacrfícios para lhes dar o melhor, muitas em pejuízo deles próprios.

Ka disse...

Um filho quando nasce é uma folha em branco onde os pais vão escrevendo. O grande problema é que se erram não dá para apagar!

Muito provavelmente o casal sem filhos jé não comunicaria muito. Os pais são o exemplo mais próximo e são os grandes responsáveis, quer pelo exemplo quer pela forma como ensinam (ou não ensinamm).

O angustiante é mesmo um almoço como o que tu assististe ser visto como normal por aquela família...

Beijinho

ps - é por isso que quando me dizem que estou a ser exigente com a miniatura eu prefiro ser exigente a ser desleixada

Brunorix disse...

Tudo certo se lermos só este capítulo. E todos os outros que estão para trás e completam a história?

Cada vez mais sinto que somos o resultado das somas da vida.

Culpas?! Temos todos. Filhos já todos fomos, pais nem todos seremos, mas faremos sempre parte integrante do equilibrio de forças!

anniehall disse...

Numa daquelas muitas decisões parvas que os politicos têm , ouve um dia em que resolveram que as "crianças" até aos 18 anos iam ao serviço de pediatria e não ao dos adultos.
Vi monstros desses , cabeludos, peludos,borbolhudos , feios e muito mal educados respingar com as mães. Muitas delas deitavam-me um olhar de "desculpe lá, ele ainda é uma criança", outras olhavam com a alma vazia , longe , muito longe dali e outras pediam ajuda, mas pediam ajuda assim com as palavras todas ,com o coração nas mãos e os olhos perdidos:- não sei que lhe fazer, pode ajudar?dar uma orientação?
Mas que raio aconteceu com os pais e com estes filhos ??? de onde aparecem ?, porquê tanta aberração?
p.s. este seu tema hoje arrasou:(

Anónimo disse...

Com um pai como o que descreve, os filhos não poderiam sair muito melhor...
Há tempos, não sei se recorda, escrevi uma cena de almoço entre uma mãezinha e um filho que pensava horrorosa, antes de ler esta, porque fora um almoço de silêncios.
Dou muitas vezes comigo a fazer essas observações de silêncios entre casais em esplanadas e restaurantes. Pergunto-me sempre: se tiveram coragem para se juntar, porque não têm agora a mesma coragem para se separar, acabando com a angústia? Não compreendo estas vidas feitas de nada, que se prolongam até à morte...

Rita disse...

Isso para mim era o fim. Eu que sou tão ciosa de beijos e abraços e miminhos não consigo sequer imaginar-me a viver uma situação dessas, deve ser doloroso de mais.
Jokas

Tiago Taron disse...

Mas deve existir uma espécie de calo que vem da dor enorme, tão grande que se deixa de sentir e tornou essa mãe a repetir movimentos autistas de amor, rodeados de desamor. Há um estranho poder nessa figura aparentemente resignada e submissa, uma serena infelicidade Zen conseguida a pulso da dor que por estar sempre já não é.

paulofski disse...

E como hoje estou virado prós provérbios, porque para a preguiça estou sempre pronto, aqui te deixo alguns que resumem o meu pensamento sobre esse assunto:

"Casa de pais, escola de filhos"
"Filho és, pai serás"
"Pelo fruto se conhece a árvore"

Bora para casa ver como está o meu "doentinho".

Beijo

Su. disse...

Dasssss, que cena macabra, infelizmente ha mto disso, e por todo o lado, não só em Portugal, é triste... acho que a unica coisa a fazer é sermos diferentes, muito diferentes... ás vezes tenho algum receio de enfrentar a adolescencia da Carolina, porque as vezes por mais que a educação em casa seja uma eles tem muitas influencias de fora, veremos! Acho mesmo que o importante é haver habitos e regras mto bem definidas, no meio de tudo é dar-mos mimo, atenção e muito muito amor, ás vezes essa é a principal falta! Sei lá, tb ando a aprender!
:)
Bjo

Borboleta disse...

Infelizmente doi quando assistismos a uma situação destas!

Acho que nunca podemos avaliar o porquê real ou a altura certa em que tudo despoletou...tudo depende de tudo...as pessoas, o convivio em casa, a atenção, a educação (ou a definição dela), as vivencias e as companhias...mas por norma um vazio assim desta maneira de certeza que magoa também no coração dessa mãe...

BlueVelvet disse...

Pungente este teu texto.
Lamentavelmente, sei de casos em que os pais não têm culpa nenhuma.
Incutiram-lhes todos os valores, deram-lhes amor, tudo.
E depois eles simplesmente tornam-se "nisto".
Às vezes a culpa é dos pais, e neste caso, se calhar foi. Basta ver o comportamento do pai.
Mas às vezes não é.
Lamentavelmente...

LeniB disse...

Convivo, mal mas convivo, com grunhos desses todos os dias. Cada vez mais me convenço, e daí concordar com "o outro", que eles não nascem assim: a educação dos filhos tem sido descurada, relegada para segundo plano ou terceiro até, porque o quotidiano, a azáfama da vida, não permite passar o tempo necessário com os filhos. Assim, o que prevalece é a lei da compensação: compram-se muitas coisas, compra-se um tempo permanentemente adiado. Não é de estranhar que depois nos apareçam à frente, seja onde for, adolescentes embrutecidos. O problema é que estes serão os buçais adultos de amanhã. Isto é assustador.

Patti disse...

Tiago:
Essa sua visão da mãe é tão verdadeira como arrepiante.

mariam [Maria Martins] disse...

Patti,
que GRANDE post este! não p'lo tamanho mas p'la mensagem!
e ... triste ... é que é o que mais se vê... famílias assim, parecendo estruturadas na essência (casais com filhos, a dita família tradicional portuguesa) mas depois é isso ... grunhos, falta de diálogo coerente, falta de "olhos-nos-olhos" em resumo, falta de afectos, mas aos olhos de muitos, continuam a ser a tal família, a que está junta!
pobre país este, o seu amanhã, com tantos jovens a proliferarem assim....
recebi um mail assim: "Problema actual :
Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos e, esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta."

quanto ao post infra, ADOREI! logo eu, a mariadasestaçõe rsrs parabéns.

bom fim-de-semana
um sorriso :)
mariam

ah! amanhã às 21:30 Gala de Ópera na Aula Magna, entrada livre, (o ano passado foi fantástico!)a Beatriz já aprecia?

Anónimo disse...

Se calhar, não receberam beijinhos e mimos e festas, obviamente não receberam regras, ou se receberam já foram tarde, ficaram sem efeito.
Vou-te contar uma história.

A minha irmã é uma enfermeira pediatra com uma larga experiência, e bastante interessada em tudo o que diga respeito a crianças.

Eu, antes de ser pai, apesar de já saber que o ia ser, optei por Daniel Sampaio em vez dos habituais manuais de pré-parto, também era lógico, não era eu que ia parir, apesar de ter assistido aos dois partos e ter participado activamente em toda a preparação.
Simultaneamente a minha irmã ia-me dando algumas dicas, muitas retiradas de estudos que tinha tido acesso nos inúmeros trabalhos que tinha feito e congressos onde participou.

Das imensas coisas que me disse, houve uma que me surpreendeu. Segundo ela, havia uma pergunta muito frequente nas consultas de psicologia do serviço dela, dizia respeito aos adolescentes que apareciam com problemas vários (quse todos bastante graves), fundamentalmente com os pais e professores, e a causa era quase sempre a mesma, esse adolescente não tinha tido contacto com ‘regras’ na altura adequada. E surgia então a sacramental pergunta: então qual é a idade adequada para se transmitir regras a uma criança?

Resposta: ali pelos 4/5 meses, altura em que o bebé começa a fazer chantagem com a mãe.

Sinceramente, deu-me vontade de lhe chamar maluca. Apesar de toda a fundamentação, apesar de me bombardear com os mais recentes e mais completos estudos mundiais, com todas as sumidades da área, eu não queria acreditar.

Como é que eu ia chegar junto da minha mulher e dizer-lhe que o filho a iria chantagear, ali pelos 4/5 meses e que lhe teríamos de impor regras de imediato

O que vale, é que o crédito da minha irmã era (e ainda é) bastante elevado, também para a minha mulher, e também tínhamos alguns testes muito simples que podíamos fazer, e a aplicação das regras não era assim tão restritiva ou penalizante como habitualmente associamos ao conceito.

Então, a chantagem diz respeito à única arma que o bebé tem à disposição, e que depressa se apercebe dela: o choro. O bebé depressa associa que ao chorar, depressa terá alguém junto dele. Claro que ele chora por tudo, chora quando tem fome, quando está desconfortável com a fralda suja, etc., é a única forma que tem de comunicar, por isso, era necessário perceber o tipo de choro, é que na verdade o choro da fome é diferente do choro do pedido de atenção, ou da birra. Porém, se não se tivesse a sensibilidade para distinguir os diferentes tipos de choro, bastava funcionar pela lógica: fralda mudada, barriga cheia, o choro só pode ser de birra ou de chamada de atenção (havia pelo meio uns choros resultantes de cólicas e respectivo mal-estar, mas também esse era diferente).

Parece difícil, a princípio talvez, com o lidar dia-a-dia a coisa vai-se dando naturalmente.

E as regras?
Bem, para fugir aos bebés a tomar o lugar dos pais na cama, adormecer acompanhado, etc., a primeira regra era precisamente ficar sozinho, ainda acordado, para adormecer. A princípio claro que custa, também para nós pais, há que manter a vigilância, mesmo que dissimulada atrás da porta, e tem de sair uma frase mais ríspida, um “ai, ai, o menino, é para dormir”, sem gritarias nem violência, mais um beijinho e afago e sair.

Os meus filhos passaram para o quarto por volta dos seis meses, nunca tiveram terrores nocturnos nem birras de sono. Também tiveram direito à cama dos pais, normalmente, à sexta-feira era a vez dum, no sábado o outro.

T. Brazelton dizia que se devia dar às crianças advertências (fossem elas no intuito de zelar pela sua segurança, fossem em forma de correctivo), e carinhos na mesma proporção, também aqui devia haver equilíbrio. Este senhor tem dois livros perfeitamente admiráveis, “A relação mais precoce” e “Profissão: bebé”, que deviam ser manuais obrigatórios para quem se prepara para ter um filho (tipo vacina obrigatória), em vez disso prefere-se os jornais desportivos e as revistas cor-de-rosa

Essa família configura-se como o tipo de família moderna, pais independentes bem sucedidos profissionalmente, filhos autónomos e independentes (teoricamente), mas com um grande défice de valores, os verdadeiros valores. Não são os moços que são monstros, enfim, já são, porém, reflexo dos pais que tiveram, ou não tiveram, depende do ponto de vista

Esses moços vão ser os futuros maridos e pais, vão fazer aquilo que aprenderam, ou não, e depois admiramo-nos dos números vergonhosos de violência doméstica e mulheres mortas. Está aí configurado o quadro. Percebes a relação?

:|

Desculpa lá a extensão, não consigo fazer por menos

:)

beijocas

ana v. disse...

Um pai troglodita e uma mãe demissionária e vitimizada (sim, a culpa também é da mãe, e é estranho ninguém salientar isso...) só podem dar filhos assim. O pior é que é muito comum.

Susana disse...

como é que há jovens que não aproveitam o facto de terem uma FAMILIA?
ainda bem que a minha família não é assim... ainda bem que muitas vezes me comporto como uma criança junto aos meus pais, eles dão mimos, rimos juntos, brincámos, somos saudáveis... e no entanto souberam-me educar...

Patti disse...

Jotabê:
Antes de falares no choro, já sabia que era isso que ias referir. Todas as mães sabem, mas nem todas conseguem resistir. Bons conselhos e experientes os da tua irmã.
Também tenho os 'Brazeltons', mas achei mais de acordo com a nossa realidade o Daniel Sampaio.
Qt ao comprimento dos teus posts, estás à vontade, esta caixa é vossa, não minha e por isso poucas vezes respondo e tb pela falta de tempo, mas fica tudo registado.

Ana:
Tal e qual, encerra nela aquele falso papel de vítima-culpada.

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Patti,
claro que os Pais têm culpas e então esse pretenso "chefe de família" não parece flor que se cheire. Mas há a considerar a insegurança de muitas adolescências masculinas, as quais confundem a ternura e a sensibilidade, por vezes até a urbanidade, com ser menos o homem, que, irremediáveis fedelhos, querem, desesperadamente, ser. E isso fá-los sentir espírito gregário unicamente dirigido para os amigalhaços dos semi-gangs em que se divertem. Antes a Família Adams.
Beijinho
Beijinho

Sorrisos em Alta disse...

Foste almoçar ao bairro onde vive o pessoal do feios, porcos e maus???
;o)

sonia disse...

Infelizmente às vezes é preciso acontecer uma desgraça bem feia no meio dessa família, para darem valor a tudo aquilo que hoje jogam fora como se estivessem desprezando a felicidade que têm às mãos e preferem não enxergar. A mim dá até engulho pensar em tal cena. Não tenho estômago para tanto presenciar isso... :-(

Andre Frazao disse...

Ai mulher que já se me está aqui a dar uma paranóia, será que o instante já passou lá por casa e ninguém deu por isso ? Querem-me lá ver que o processo grunho é irreversível. Ai que desgraça e agora !!! E agora ?? Acudam-me ... quero os meus bebés de volta. Onde é que se faz reset àquilo?

Anónimo disse...

Tive o prazer de conhecer seu blog a partir deste parágrafo. O encontrei em um profile do orkut de uma garota. E fiquei super curioso por saber de quem era a autoria...

Pois gostaria de colocar no meu blog, adoro trechos de obras literárias e parágrafos sobre o ser...

Pensei que era de algum escritor famoso tipo Fernando Pessoa. E o coloquei no google para descobrir de quem era.

E o google me levou a este belo blog. Parabéns por um olhar tão idiossincrático sobre "o ser". Seu parágrafo suscita muitas indagações existenciais. Mais uma vez Parabéns :)

E eu, que tenho esta angústia do tempo e do finito, fico a pensar como será possível haver quem opte levianamente por não ver, não viver, não ser.

Guidinha Pinto disse...

Vou linká-la.
Gosto das suas estórias.