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domingo, 20 de setembro de 2009

[15] boa semana


É a trilogia de que todos falam, eu sei. Mas é inevitável não comentá-la aqui; impossível mesmo.
Como tantos outros milhões pelo mundo fora, fiquei fã de Lisbeth Salander, a protagonista, excêntrica, anti-social, dotada de um QI capaz de arrumar em três tempos qualquer membro da Mensa.
Junto com um jornalista de topo, Mikael Blomkvist, viciam o leitor nas 600 e muitas páginas de cada volume e nem sequer sentimos o peso do calhamaço, tal é a dependência e o modo como nos deixamos prender à história com grilhões. Eu até as chaves das algemas deitei fora; enquanto não acabo de ler um, não respiro de alívio e nem sequer reclamo da comida da cadeia.

Comprei o terceiro e, infelizmente, último volume no sábado e até amanhã tenho de o desbravar; os outros livros que fiquem sossegadinhos nas prateleiras, tenham lá paciência, mas há prioridades pois então.
É certo que este fenómeno editorial, se deve em parte ao seu autor, Stieg Larsson, ter morrido pouco tempo após ter entregue os três volumes na editora e não ter usufruído do sucesso estrondoso da sua obra. Esse facto mexe connosco, cria-nos uma empatia, é verdade, mas não é de todo a razão principal do seu sucesso. O ritmo da narrativa torna-se galopante, à medida que o enredo se desenvolve e num instante já estamos no fim da história, desejosos de começar a ler o próximo volume. Queremos conhecer Lisbeth, dizer que estamos com ela, que é a maior e levá-la em ombros; sabendo claro que nos arriscávamos a ser imediatamente desterrados, se nos atravessemos a tais confianças. É tão antipática, fria e distante, bruta que nem uma porta, que se torna adoravelmente cativante, despertando no leitor um instinto protector.
A trilogia está nos tops de todo o mundo e é com todas as letras, um best-seller sim senhora e merecido, mas nada de comparações com os Dan Browns e as Stephenie Meyers desta vida. É tirar daí a ideia. Ah, e tem um tema central que me é muitíssimo caro, a violência contra as mulheres.
Como disse Vargas Llosa, Lisbeth Salander, deve viver.