O Convento, é do mais bonito e emotivo que existe em Lisboa. O amor pela minha cidade é imensurável e mesmo nas paredes grafitadas, nos prédios em semi-ruína, que pedem para cuidarem deles urgentemente e na esburacada calçada portuguesa, eu não renego esta minha adoração. São assim os grandes amores, plenos de defeitos e de males incuráveis.
Apesar do castigo que alguns lhe insistem em dar, a luz não abandonou Lisboa. E é a luz, a grande protagonista daquilo que podemos admirar nas ruínas do Convento do Carmo.
Quando se entra, a disposição natural é ficar com os olhos presos ao céu. São pedaços de azul que entram sem convite, nas janelas abertas de cúpulas que já não existem. Porções de céu, recortadas por cruzarias de ogivas ocas.
No meio das ruínas, lápides, brasões e esculturas várias, perdidos entre colunas de capitéis vegetalistas e janelas estreitas, disfarçados como sombras ténues, atrás de poços, pias baptismais, túmulos, sarcófagos, coroas e pedra bordada, ainda vagueiam por aquele templo os carmelitas silenciosos, a quem D. Nuno doou a obra fundada por si.
Ali, até lhes consigo alcançar a pureza do coração, o esvaziamento do ego e escutar o sussurro das suas orações solitárias.
Mas quando chega D. Nuno, pára tudo. Eles e eu. Que o Condestável não é homem de grandes conversas e exige que ali, tudo seja feito com primor e excelência, que os alicerces são frágeis e estremecem naquele solo arenoso.
Até já ameaçou, se esta porcaria destes alicerces caírem de novo, vos juro eu, que para a próxima os hei-de fazer em bronze!
Reina o sossego que durou até hoje. É o respeito da pedra.
E quando no início, desci a escadaria da entrada e me apareceu aquele 'ogival' direito ao céu, eu que já vinha vindo calada e em silêncio, calei-me ainda mais e agora já sei o porquê.
É das presenças que ainda por lá pairam.
Quando se entra, a disposição natural é ficar com os olhos presos ao céu. São pedaços de azul que entram sem convite, nas janelas abertas de cúpulas que já não existem. Porções de céu, recortadas por cruzarias de ogivas ocas.
No meio das ruínas, lápides, brasões e esculturas várias, perdidos entre colunas de capitéis vegetalistas e janelas estreitas, disfarçados como sombras ténues, atrás de poços, pias baptismais, túmulos, sarcófagos, coroas e pedra bordada, ainda vagueiam por aquele templo os carmelitas silenciosos, a quem D. Nuno doou a obra fundada por si.
Ali, até lhes consigo alcançar a pureza do coração, o esvaziamento do ego e escutar o sussurro das suas orações solitárias.
Mas quando chega D. Nuno, pára tudo. Eles e eu. Que o Condestável não é homem de grandes conversas e exige que ali, tudo seja feito com primor e excelência, que os alicerces são frágeis e estremecem naquele solo arenoso.
Até já ameaçou, se esta porcaria destes alicerces caírem de novo, vos juro eu, que para a próxima os hei-de fazer em bronze!
Reina o sossego que durou até hoje. É o respeito da pedra.
E quando no início, desci a escadaria da entrada e me apareceu aquele 'ogival' direito ao céu, eu que já vinha vindo calada e em silêncio, calei-me ainda mais e agora já sei o porquê.
É das presenças que ainda por lá pairam.
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