quarta-feira, 1 de outubro de 2008

just in case


Até esperou pela sua vez bastante descontraída. O exame não era urgente nem muito preocupante. Mas fez-lhe minhocas na cabeça, aquela frase no último relatório, em que a médica tinha sugerido “um controlo evolutivo a curto prazo”, o que não era usual. Talvez ela achasse melhor repetir o exame passados seis meses, por pura vigilância. Para despistar. Colocar dúvidas de parte. E foi o que se passou e tudo acabou em bem. Só seria preciso voltar daí a um ano, para exames de rotina.
O que é que acontece nestes casos, em que tudo corre bem? Em que se sai de um gabinete médico sem notícias más? O que é que se passou ali? Nunca deram por nada? Foi a vida. A vida, que mais uma vez falou connosco e nos deu novamente outra oportunidade. E nós nem sequer alcançámos. Não ligámos. Ignorámos. Não percebemos que nos foi dada de bandeja, outra chance. Mais uma. Não guardámos o momento. E passámos à frente.
Só entende a sério, quem lá ficou depois do exame para conversar com a médica no gabinete. De porta fechada. Conversa em tom baixo, pausada, olhos nos olhos, uma mão apertada na outra, espanto num olhar, compreensão no outro. Alguém que já não vai olhar para este filme* de esperança e renovação, da mesma maneira calma, como eu faço agora.
(*) oferecido por um amigo.

24 comentários:

FM disse...

Instantes que... fazem toda a diferença, em nós e nos outros.
Beijos com Essências.

Pitanga Doce disse...

Nem todos passam ao largo, querida Patti. Fui uma das que saí do gabinete com uma espada sobre a cabeça e precisei esperar tres meses para repetir o exame. Quando o resultado foi negativo, minha vida nunca mais foi a mesma e passei a aproveitar cada segundo, como aqueles em que esperava o comboio na estação. E hoje sei que a vida pode ser apenas um dia e que o melhor é sermos felizes da maneira que pudermos e soubermos.

Tal coisa nem te passava pela cabeça não é???

beijos e boa noite menina.

Gi disse...

Não sei se estás a falar, especificmente, de alguém, mas conheço casos em que, depois daquele impacto inicial de se ficar a falar com a médica e momentos imediatamente posteriores, se arregaça as mangas, se vai à luta e se volta a ver este filme com um sorriso e calma diferentes, de quem, dali para a frente, vê a vida de uma nova maneira.

pedro oliveira disse...

Felizmente nunca passei por essa angústia.Mas deve ser cá um alivio.

Cecília disse...

São tantos esses momentos!!
Durante a maior parte do tempo, somos meros espectadores dos dias que se atropelam, um após o outro, gastos na rotina, no tem que ser, no hoje não posso mas amanhã vou fazer, no sentir de emoções automatizadas, como o beijo aos nossos filhos, que damos pela manhã ou quando vamos dormir.
E, de repente, acordam-nos para um pesadelo, ficamos em suspenso no limbo da indecisão, desaba-nos o mundo se a sentença for desfavorável, desatamos a chorar se nos permitiram o alívio. Prometemos mudar, sentimos o bafejo da sorte, levamos um abanão que nos encarrila de novo no aproveitar da vida, mas por pouco tempo...
Em breve tudo ficará igual, qualquer que seja o resultado.
De uma maneira ou de outra, ficaremos sempre agarrados às folhas do calendário que teimam em cair sem nos dar tempo a que as vejamos mudar.

Nina disse...

Passei por momentos não tão difíceis, mas já me vi em frente ao médico assim, com vontade de chorar parecendo que vai-se perdendo o ar. e a gente arregaca sim as mangas. porque tem que fazer, tem por quem lutar.

lindo video patti. lindo.

claudia disse...

Só mesmo quem passa por essa situaçao...é como voltar a nascer, nao? é uma oportunidade para reflectir e mudar algumas coisas.
Adorava ter saído com essa boa noticia qd do meu pai.Mas a vida é assim mesmo, e enquanto essa foi uma má noticia teve mtas outras "boas" ao largo da vida.

bjos

Rosa dos Ventos disse...

Também entende quem ficou a seu lado até ao fim!

Abraço

Letraletra disse...

Lindo...
Beijos

Filoxera disse...

Sabes, já passei pelas piores angústias no campo da saúde e, mesmo, pelas piores realidades. Não antecipo preocupações e vivo a vida com o arrebatamento que me caracteriza; apenas gostava de poder fazê-lo ainda com maior intensidade, já que ultimamente já é um feito conseguir não me abater.
Todos temos forças inimagináveis.
Beijos.

de dentro pra fora.... disse...

Para mim,tal como para muitas pessoas isso já não é novidade...
eu só fiquei descansada quando saí da sala de operações,..continuo a dar graças pelo resultado negativo.
Á que enfrentar a vida tentando sempre ser o mais positivo possivel, é a maior ajuda que se pode ter.

1/4 de Fada disse...

Torna-se demasiado difícil fazer um comentário, Patti, hoje escreveste sobre um assunto que é muito duro para mim, porque conheço-o demasiado bem. Não se volta, nunca mais, a ser a mesma pessoa. Há quem consiga ter coragem e evoluir, há quem se deixe derrotar, mas não se fica, nunca mais, a mesma pessoa.

paulofski disse...

Chega ao quarto com a ansiedade estampada na cara. Recebe vestes que já conhece. -Esteja prontinho e deite-se, já o venho buscar. Seus olhos rodam, buscam no tecto uma palavra, um conforto. Estendemos-lhe a mão e um sorriso. Ânimo, vais voltar como novo, vais ver. E quando tudo corre bem o dia amanhece diferente, sereno e reluzente. Dá-se graças a Deus. Louva-se o senhor doutor e a excelência de anónimos profissionais. Ele que já o foi outrora, um profissional. Agora renova a esperança calmamente.

liamaral disse...

Um grande beijinho para ti! Pelo tema, pelo video e pela lembrança! é sempre bom que de vez em quando alguém nos lembre de que nem toda a gente vive o dia a dia tranquilo como tenho vivido até hoje!

Paulofsky, um grande beijinho para ti!

Teresa Durães disse...

e a esperança à entrada no médico?

MrCosmos disse...

Depois de limpar as lágrimas nos cantos dos olhos que me causas-te, penso no que te hei-de comentar...

*

carlota disse...

Depois da alegria de saber que estava grávida, surgiu um problema comigo que me obrigou a ter que fazer vários exames durante gravidez e inclusivé a possiblidade de ter que ser operada mesmo estando gravida.
Até aos 5 meses de gravidez andei sempre com uma espada no alto da cabeça. Só ai consegui descansar quando depois de receber o resultado do ultimo exame a médica disse:
- Carlota, podes viver descansada a tua gravidez mas 3 meses depois do bébé nascer voltas a repetir o exame e depois logo falamos.
Felizmente tudo se resolveu e eu ainda cá ando...mas foi terrivel.

Rita disse...

Deve ser um balde de água bem fria quando há a tal conversa em voz baixa. Deve ser preciso engolir em seco e ter muita força de vontade e muito pensamento positivo. Mesmo para quem não tem novidades aquela ansiedade, aqueles minutos de espera não devem ser pêra doce...
Jokas

ines disse...

São momentos, em que se amadurece, cresce, chora e ri! Costumamos dizer:"só quem os passa" e de facto não consigo descrevê-los em palavras!

Coragem disse...

nestes ultimos dias tenh tido uma enorme dificuldade em "manter-me de pé" no teu blog, deixar comentário então...Bom adiante!

Como é verdade, o que escreveste, naquele momento em que não sabemos o que nos espera, o mundo gira rápido, pensamos no que poderiamos ter feito e não fizemos, queriamos ter tempo, para muito mais.
Mal o resultado, alivia a mente, esquecemos de todas as promessas que fizemos a nós mesmas...
É assim a vida...infelizmente!

Beijo

Patti disse...

Coragem:
'Qué lá isso rapariga? Então porquê?
Tenho tocado, talvez em algumas coisas com que tens identificado, é isso? Então deixa lá estar os comentários, basta eu saber que passaste. Beijinho grande.

SONY disse...

patti,
já aqui vim 3 vezes!

...e...não digo nada, porque não caberíano teu blog inteiro, nem no meu...

talvez por tudo e muito mais digo: A VIDA FAZ-ME BEM!!!

Jito,

Sony

Patti disse...

Sony:
E vens as vezes que quiseres, mesmo que não te caiba aqui nada. Beijinhos tb para ti.

f@ disse...

A esperança e a renovação surgem mtas vezes depois dos grandes sustos ... quedas ... pesadelos... Mtas pessoas que quase morrem ... volta tudo e vivem depois mto + felizes...
As dificuldades e as dores profundas são grandes lições de vida...

beijinhos das nuvens