Costumo dizer, para assombro de alguns, que gosto do Tony Carreira. Não propriamente, do que ele faz, mas do que ele representa. Mas eu quero lá saber que o Tony Carreira, cante música romântica de letras básicas e de acordes fáceis. Quem mais neste país esgota o Pavilhão Atlântico duas noites seguidas? Gosto da simplicidade dele, da calma com que fala, do ânimo com que trabalha e de não ter adormecido à sombra da bananeira. Não gosto do estilo. Não é o meu género. Mas reconheço-lhe todo o valor e mérito.
Não se encostou a “padrinhos”, sobreviveu à custa do seu próprio empenho e venceu, dando uma estalada sem mão a muita vaidade que engorda por aí.
Ninguém tem de começar a gostar do Tony Carreira, só porque ele é famoso e venceu na vida, mas, convenhamos, que já merecia outro tratamento.
Mas ele nem precisa que eu ou que os outros gostemos dele.
É reles a pobreza de espírito das “elites” soberbas, que preferem olhar com enfado e snobismo para o lado e renegar o evidente fenómeno que ele representa. Temos sempre muita vergonha do português modesto que aspira ao sucesso e que triunfa. Não há maior grosseria e rusticidade que essa, a de sustentar pudores e manias lá do alto da nossa diminuta grandeza.























