segunda-feira, 17 de março de 2008

subidas a pulso


Costumo dizer, para assombro de alguns, que gosto do Tony Carreira. Não propriamente, do que ele faz, mas do que ele representa. Mas eu quero lá saber que o Tony Carreira, cante música romântica de letras básicas e de acordes fáceis. Quem mais neste país esgota o Pavilhão Atlântico duas noites seguidas? Gosto da simplicidade dele, da calma com que fala, do ânimo com que trabalha e de não ter adormecido à sombra da bananeira. Não gosto do estilo. Não é o meu género. Mas reconheço-lhe todo o valor e mérito.


Não se encostou a “padrinhos”, sobreviveu à custa do seu próprio empenho e venceu, dando uma estalada sem mão a muita vaidade que engorda por aí.

Ninguém tem de começar a gostar do Tony Carreira, só porque ele é famoso e venceu na vida, mas, convenhamos, que já merecia outro tratamento.



Mas ele nem precisa que eu ou que os outros gostemos dele.


É reles a pobreza de espírito das “elites” soberbas, que preferem olhar com enfado e snobismo para o lado e renegar o evidente fenómeno que ele representa. Temos sempre muita vergonha do português modesto que aspira ao sucesso e que triunfa. Não há maior grosseria e rusticidade que essa, a de sustentar pudores e manias lá do alto da nossa diminuta grandeza.

domingo, 16 de março de 2008

[7] há coisas fantásticas, não há?



Encontrados abandonados quando bebés, estes leões foram criados por dois rapazes. Quando cresceram, foram devolvidos à floresta para que se integrassem com a vida selvagem.
Um ano depois, os dois irmãos vieram ao local onde os haviam soltado, para dar uma olhada e, talvez, ver como eles se estavam a adaptar.


Este vídeo é do reencontro dos leões com seus pais adoptivos...

(Pena a má qualidade do vídeo)

sábado, 15 de março de 2008

[4] bom fim de semana!


“Nana foi, durante mais de 60 anos, governanta da aristocrata família Belo. Assistiu, por dentro, aos altos e baixos de um clã que já não se espantava com nada porque já tinha vivido tudo. Ela própria marcou os Belos a quem dedicou a vida. É por isso que, então já ministra do PSD e enfrentando traições que começam no interior do seu partido, Mariana Belo, que Nana viu nascer, a evoca”.

Nana, de Helena Sanches Osório

Quase todos nós, já tivemos uma Nana nas nossa vidas.

sexta-feira, 14 de março de 2008

lobotomia

Ontem, assisti a um programa do canal HBO, sobre líderes de seitas religiosas, que escarram as suas vísceras podres e nauseabundas sobre vítimas inofensivas, impotentes e ignorantes.

Distorcem mentes frágeis e corrompem homens, mulheres e crianças, sem dó nem piedade.

São reis e senhores, que dominam comunidades fanáticas, na sua maioria, desconhecedoras do mundo real.

Criaturas de aspecto inquieto, com comportamentos depravados e cobardes que esmagam sexual e emocionalmente, almas desarmadas.

Levantei-me cheia de génio do sofá.

Deixei o jantar no forno, preparado para os que vivem comigo e que não têm culpa das minhas loucuras e saí como um foguete, direitinha para o aeroporto metendo-me num avião para o Iowa.

Mal lá cheguei, aluguei a furgoneta a um barbudo agricultor de milho, que ainda me ofereceu duas enormes abóboras, quatro frascos de melaço para panquecas e um leitão cor-de-rosa.

Segui viagem.

Entrei pela seita adentro, atirei-me aos colarinhos, daqueles porcos polígamos, pedófilos e violadores, cuspi-lhes no focinho, enfiei-os na minha centrifugadora, no programa longo, de 95Cº e guardei-os nos bolsos das jardineiras de ganga azul que o agricultor me emprestou.

Ainda regressei a casa, mesmo a tempo de dar um grito às amigas para uma noite divertida e bem passada.

Fizemos interessantes experiências de anatomia.

Esmagámos olhos desleais e aflitos, estripamos partes íntimas, frouxas e inúteis, fizemos bolas de sabão com gases borbulhantes de cor verde que fluíam do estômago, jogámos à fisga com unhas velhas e secas, dissecámos e retalhámos órgãos cancerosos e ainda juntámos as agulhas para fazer croché com os fios da peçonha que escorregava.

E enquanto o meu novo leitão se deleitava com a carne fresca e sumarenta que tinha ficado agarrada ao que restava das ossadas, fomos para o jardim, assistir hipnotizadas ao nascer do sol, lambuzando-nos de requeijão com doce de abóbora do Iowa.

quinta-feira, 13 de março de 2008

crime e castigo



Eu era como o pobre Rodion, um jovem estudante que viveu infeliz, perseguido pela impossibilidade de continuar a sua vida, após ter cometido um assassinato. Também eu vivia atormentada, com auto-punições diárias, mazelas emocionais e chagas psicológicas, sempre que às escondidas, absorvia o miserável cacau, em todas as suas versões: branco, leite, preto, amargo e doce, líquido e sólido, simples e recheado.

Claro que o meu crime é bem mais suave, inofensivo e doce que o do triste rapazinho. Mas eis, que a salvação me entra pelo ecrã adentro:

“Chocolate é um alimento encontrado na forma pastosa
e de bebida, doce ou amarga, feito a partir do fruto do cacaueiro (...) o chocolate é um alimento popular que tem conhecido diversas formas de apresentação. Pode ser bebido ou em tabletes.” (wikipédia)

A palavra alimento subiu por mim acima, ilibou-me as culpas e libertou-me da condenação! Ah, eu bem sentia, que qualquer coisa me rezava cá dentro, que aquilo era meio sustento! Desci o calvário na bisga e fui logo fazer meio litro de chocolate quente, não vá o acordo ortográfico antecipar-se e as palavras por vingança, amotinarem-se e alterarem o seu significado.


E vou já, neste preciso instante, abandonar o Dostoiévski e devorar num ápice o Cacau do Jorge Amado.

quarta-feira, 12 de março de 2008

do outro lado do céu


foto de today is a good day

Quem ainda não pensou no assunto? Se eu não fosse assim, seria como? As hipóteses são aos milhões. Somos aquilo que temos de ser, aquilo que conseguimos e lutámos por ser e aquilo que a vida nos permitiu ser. Não acredito no destino, não creio naquela história de que tudo já está traçado e definido. Nada!

Tenho por base que combinando as partes, fazemos nós, o nosso destino. Mas quanto a sortes e sinas, fico-me por aqui. Estou de acordo com a máxima, de que colhemos, quase sempre, aquilo que plantamos. Fio-me nas coincidências, no inesperado, no acidental, na surpresa.



E voltando ao início, eu gostava de ser como?

De ser capaz de adivinhar o pensamento das estrelas-do-mar e dos cães abandonados, cheirar a amores-perfeitos e ter o dom da imortalidade.

Gostava de bater as asas como os beija-flor, sonhar sem ter pesadelos e passear por caminhos invisíveis nos oceanos.

Ser cantora cheia de “tournées”, descer sem dúvidas e mistérios, os degraus para visitar o passado e plantar ciprestes com o pensamento.

Reproduzir imagens de alegria só com o olhar, tornar-me sócia honorária do pecado da gula e tomar duches frescos de chá de Ceilão.


Mas a filha só poderia ter a que tenho: um trevo de quatro folhas.

terça-feira, 11 de março de 2008

tenho uma amiga . . .


foto de heng singapore

Que tem uma pele de bebé, que às vezes, parece morar cá em casa e tem um contrato com todas as companhias telefónicas. Cada passo, cada trambolhão e nasceu em 1400.

Outra que está sempre bem disposta e pronta para a rambóia. Fez jet bronze como se viesse de Aspen e agora deu-lhe para ter calores durante a noite. Os nossos filhos adoram-na.

Tenho outra, de 40, mas com corpo de 20, sempre disponível, tem uma casa-de-banho chic e essencialmente perfumada e só me envia mails ordinários (tem andado mais calma). Es madrileña, la chica!

Há outra, um pouco séria, que brincou com as mesmas bonecas que eu e temos guardados segredos só nossos. Quanto ouço o “Tonight” em Lisboa, ela de certeza que também está a ouvir em Coimbra.

Esta é algarvia por opção e alfacinha de coração. De interior puro e doce, como poucas, deixa-me invejosa dos seus passeios pela praia, no Inverno. Está sempre num desassossego.

Agora é esta, que vive no campo e tem um coração mole. Só descobriu o nome do hotel, em Londres, 3 dias depois de lá estar, já despejou malas de viagem, repletas até acima, pelas escadarias do metropolitano e dá gargalhadas tão alto que enfiamos todas a cabeça no chão.

Esta é muito zen, veste toga negra que contrasta com uns olhos lindos, em verde-azul. Não sabe o significado de trem de cozinha, nem quer saber e dá sempre razão à mulher-a-dias.

Uma que só se veste de azul e é a mesma desde que a conheci. Mas já me provou que 2 + 2 também podem ser 5. Crâniozinho das matemáticas.

E há esta, que quando está de bons ventos diz cada coisa mais escabrosa, mais saída da casca, que eu, uma puritana, até fico verde. Consome produtos naturais, tipo comprimidos de carvão (?) e é íntima dos enfermeiros das urgências.

Ainda tenho esta, que só nos falamos duas vezes por ano, mas é sempre como se fosse ontem. Gargalhamos que nem miúdas!

E falta esta, dos tempos do colégio das freiras. Tão diferentes que nós somos mas sempre em sintonia.

E a foto não é bestial?


segunda-feira, 10 de março de 2008

perguntas sem resposta [2]



Mas a Naide Gomes e o Nelson Évora conquistam medalhas, de ouro e bronze, no Campeonato do Mundo de Pista Coberta e os principais jornais desportivos desta terra, só fazem parangonas com o Camacho?

Oh meu país, às vezes tens mesmo a crise que mereces.

ainda vale a pena [1]



Atendo o telefone. Boa tarde, sou a Dra. Isabel M., a sua médica de família. Como está? Sei que tem consulta comigo para o fim do mês, mas como nos vamos transferir para o Centro de Saúde novo, tenho receio que a mudança vá coincidir com as consultas já marcadas para essa altura e daí estar a falar pessoalmente com todos os meus pacientes para as antecipar.

A médica da caixa? Telefonou? A própria? Brincadeira?

Não, não! Ligou mesmo.

sábado, 8 de março de 2008

"o meu blog dava um programa de rádio"



Obrigada, Rádio Comercial e a todos os que se envolvem neste programa, pela oportunidade, Ana Isabel Arroja, pela perfeita dicção e excelente voz e Ana Margarida Carmo, pela simpatia e disponibilidade.

Aprovei 100% o bom gosto das músicas escolhidas e gostei muito de me ouvir.


tenho arrumada a questão


Este dia é questionável para muito(a)s.

Mas não devia.

Não se trata só de direitos das mulheres, mas sim de direitos humanos.

Sempre que existirem mulheres com salários inferiores aos dos homens, fazendo o mesmíssimo trabalho;

Sempre que mulheres medíocres, não exercerem cargos de chefia, da mesma maneira que os homens medíocres também os exercem;

Sempre que forem registadas milhares de queixas por ano na polícia, de agressões físicas e violência doméstica, contra as mulheres.

Sempre que algumas dessas mulheres morrerem na mão dos seus agressores.

Sempre que o direito ao voto, ao divórcio, à liberdade de expressão, à liberdade sexual, ao trabalho, ao livre arbítrio, não existir em muitos países;

Sempre que isso acontecer, este dia não devia ser questionado.

Não quero festas na cabeça.

Não quero jantarzinhos à luz da vela.

Não quero rosas pindéricas.

Não quero caixas de bombons.

E não quero cartões postais ridículos.

O que eu quero é que este dia exista, para que a minha filha um dia não se depare com isto,



com isto,


com isto


e com isto


As imagens que escolhi, são apesar de tudo, lindas. Mas será que conseguimos ver essa beleza? Duvido.

sexta-feira, 7 de março de 2008

"o meu blog dava um programa de rádio"



Este blog, amanhã, sábado, vai "dar" um programa de rádio, aqui.


Transmitido na Rádio Comercial, às 21h e no domingo às 13h.


Sentimento?

De surpresa, afinal este blog tem pouco mais de um mês de existência.

E curiosa em saber quais os posts e as músicas escolhidas.











quinta-feira, 6 de março de 2008

livra-te!


foto de heng singapore

Porque permanecemos com amores que não nos deixam felizes?

Porque seguimos caminhos que não pretendemos?

Porque vivemos vidas que não gostamos?

Porque aceitamos pessoas que nos incomodam?

Porque disfarçamos ao invés de reagirmos?

Porque fingimos e não somos sinceros?

Porque temos “amigos” em excesso?

Porque deixamos que nos usem hoje, se sabemos que nos esquecem amanhã?



Simplesmente porque dizemos Sim, em vez de dizermos Não.

quarta-feira, 5 de março de 2008

defeitos de profissão

A estética de uma forma geral, fascina-me. A razão da beleza, quer na natureza que nos rodeia, quer naquilo que o Homem cria, sempre me despertou os sentidos, principalmente nos ínfimos pormenores.

O equilíbrio, a simetria e a coerência dos objectos, dos seres vivos ou das paisagens, estimulam-me as ideias, espevitam-me a percepção.

E raramente hesito quando avalio e perspectivo um novo projecto para um cliente.

Gosto do jogo que existe na mistura de texturas, cores e padrões, formas e volumes.

Uma ideia, uma visão, um juízo, nunca me saem iguais ao trabalho anterior, porque as possibilidades de reinventar são infinitas e daí, o fascínio do meu trabalho: a descoberta não tem limites.

Ainda me lembro de uma das minhas primeiras clientes que depois de toda casa estar decorada, me pediu para fazer o que quisesse com o quarto de hóspedes, desde que fosse repousante.

Ok, vamos abordar o encarnado com o branco.
Encarnado com branco!?!? Meu Deus, isso não é nada repousante! É uma histeria completa!

Mas confiou. E já lá voltei duas vezes para fazer algumas alterações, mas naquele quarto nunca mais toquei.

Este é o prémio daquilo que faço.

Vibrar quando o inusitado resulta como se fosse evidente.

terça-feira, 4 de março de 2008

frases de trazer por casa


Parti a tíbia. A chefe disse que tenho de desmarcar as férias de Verão. Desenharam-me no carro flores cor-de-rosa. O empregado do restaurante enfiou-me o dedo na galinha de fricassé. A cabeleireira enganou-se no tom da madeixa. A bossa nova deixou de estar na moda. E já não vou a tempo de ter outro filho.

E ouço ao longe, as sábias vozes dos iogas domésticos que me rodeiam. Pois, tens de ter paciência!
Existe frase mais enervante?
Mas tenho de ter paciência, porquê?
Que maniazinha esta de aceitar tudo com complacência, recato, conformismo e batidos de vallium!
Mas eu não vou ter paciência. Não vou, porque não quero!
Não parti uma unha! Não estou na fila do trânsito! Não deixei queimar o jantar!
Não me brindem com expressões imbecis, prefiro mil vezes o vosso silêncio.

A tíbia já está colada. Convido a chefe para vir de férias pagas connosco. Ofereço o carro à minha filha adolescente. A galinha ganhou vida e bicou um olho ao empregado. Pinto o cabelo de ruivo. Ressuscitei o João Gilberto. Vou adoptar um menino a Moçambique.

segunda-feira, 3 de março de 2008

post de gaja (mas gajo também pode entrar)

Descobri!



A dieta mais bonita, encantadora, apetitosa, provocante, brilhante, atraente, divina e sedutora.



Com tamanha apelação, é impossível não resultar!

Agora sim, vai ser só classe e firmeza na ganga!







fotos de sam foster

domingo, 2 de março de 2008

sábado, 1 de março de 2008

[3] bom fim de semana!


“Um thriller envolvente que decorre no mundo do bridge. Uma obra que tem como personagem Matilde, uma professora universitária com uma sólida formação positivista que até então vivera com o pai e com o marido nos EUA, e que a certa altura vê a sua vida desestruturar-se. O seu casamento entra em ruptura e o pai, cujos conselhos sempre lhe tinham balizado o quotidiano, acaba por falecer.

É então que se apaixona perdidamente por Filipe regressando a Portugal. Empenhada em recuperar o seu clube de bridge falido, Matilde começa a receber cartas anónimas tortuosamente inteligentes que denunciam as vidas secretas dos membros do clube, cartas essas que tentam fazer dela uma aliada de um jogo, afinal perverso. Mas Matilde aceita o desafio, e começa a perceber o cenário bridgístico como uma teia de relações onde cada sujeito encena o seu drama pessoal. Contudo e a pouco e pouco o seu distanciamento perde consistência e Matilde entra ela própria num processo de mutação e de descoberta do seu lado sombrio...”

Todos Vulneráveis, Luísa Beltrão


As surpresas que nos revelam aqueles que pensávamos conhecer bem.